Presidente da BRA exige indenização para deixar o cargo.

O ESTADO DE S.PAULO

Presidente da BRA exige indenização para deixar o cargo
Em crise, a companhia presidida por Humberto Folegatti anunciou a redução de sua malha de vôos
Alberto Komatsu

O presidente da BRA, Humberto Folegatti, aceitou deixar o cargo, como exigem seus sócios, mas impôs uma condição: ele só larga o comando da terceira maior companhia aérea do País se receber uma indenização financeira. Outra exigência que o acionista majoritário da BRA fez aos sócios é passar a ocupar a presidência do Conselho de Administração da empresa, afirma uma fonte ligada aos acionistas.

No último dia 9, Folegatti admitiu ao Estado sua disposição de deixar o cargo, caso necessário. Na ocasião, ele tentou desmentir a grave crise pela qual passa a BRA, mas ontem a companhia pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a redução da malha área da companhia, composta por vôos para 59 cidades do País. Por meio de nota, a empresa informou ter pedido à Anac autorização para adequar sua malha de vôos com a utilização de seis aviões, sendo um de reserva técnica, ou o equivalente à metade de sua frota total, de 12 aviões.

Segundo fontes ligadas à empresa, a BRA está com dificuldades até para pagar seus fornecedores. ‘A saída do Folegatti da presidência executiva passa por uma compensação financeira que ainda não foi concluída’, afirma a fonte, acrescentando que o valor da indenização ainda não foi definido. O executivo teria apresentado suas condições na semana passada, durante uma reunião do conselho.

Pessoas que acompanham as negociações relatam que Folegatti e os investidores da companhia estão há muito tempo em rota de colisão. A Gávea Investimentos, do ex-presidente do BC, Armínio Fraga, e os bancos americanos Bank of America e Goldman Sachs, são alguns dos acionistas que integram o Brazil Air Partners, que em dezembro de 2006 fez um aporte de R$ 180 milhões por 20% do capital da companhia.

Segundo fontes, o dinheiro teria sido usado integralmente no pagamento de dívidas. Uma das condições para a plena continuidade da parceria seria a saída de Folegatti da presidência.

‘Eu não sei de onde você está tirando que a presidência da BRA é um desejo dos investidores’, afirmou Folegatti, no último dia 9, em entrevista ao Estado. Ao ser questionado, na ocasião, se a reestruturação da BRA previa sua saída da presidência, ele disse: ‘Se necessário for, prevê. Aliás, eu pedi isso. Eu quero fazer uma reestruturação completa. (…) Eu não preciso desse emprego, porque nosso grupo tem outros muitos negócios (…) Não me falta o que fazer na vida’.

A BRA informou ontem que as operações nos mercados nacional e internacional continuam normais, após a Anac ter proibido, na quinta-feira, a venda de passagens para o exterior, por constatação de problemas na manutenção dos aviões usados para vôos de longo curso.

Aa BRA informou que a companhia tem dois Boeings 767-300 para operar no exterior e que os dois aviões estão em manutenção. No entanto, a companhia acrescenta que outros dois aviões do mesmo modelo serão incorporados à frota até o final deste ano. Segundo a BRA, a venda de passagens foi suspensa temporariamente até que um dos aviões em manutenção possa ser utilizado.

No último dia 10, a Anac iniciou auditoria no setor de manutenção da empresa depois de ter constatado um aumento excessivo no número de reclamações dos usuários por atrasos e cancelamento de vôos.

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