David Neeleman revolucionará o mercado brasileiro

ESTADO DE S.PAULO

04/04/2008

Soros será sócio da nova empresa aérea brasileira

Investidores, incluindo o fundo Gávea, de Armínio Fraga, e a Cia Bozano, de Júlio Bozano, aplicarão US$ 150 milhões na companhia de David Neeleman

Mariana Barbosa

Os sócios do empresário David Neeleman na nova companhia aérea são o mega investidor George Soros, o fundo de venture capital de São Francisco, Weston Presidio, o fundo Gávea, de Armínio Fraga, e a Cia Bozano, de Júlio Bozano. Juntos, eles investiram US$ 150 milhões na nova companhia, que ainda não tem nome mas deve entrar em operação até janeiro do ano que vem, com uma frota de jatos E-195 da Embraer.

Pouco depois de Neeleman deixar a presidência executiva da JetBlue, em maio de 2007, Soros e Neeleman venderam parte significativa de suas ações na companhia. Neeleman – que até então nunca tinha vendido nada de sua participação na bolsa – vendeu 23% de suas ações depois de deixar o cargo, movimento que lhe rendeu algo como US$ 30 milhões. Soros que entrou com 25% do capital inicial da JetBlue (US$ 130 milhões), hoje tem menos de 10% da empresa americana.

Além de Soros, o fundo Weston Presidio também foi parceiro de Neeleman na criação da JetBlue, em 1999. O fundo foi parceiro de Neeleman e sua sócia June Morris na criação da MorrisAir em Salt Lake City, nos anos 80. O Weston, que viu seu investimento na Morris Air triplicar em apenas 14 meses, entrou com 20% do capital da JetBlue.

Fontes próximas ao negócio revelam que Armínio Fraga está investindo US$ 50 milhões, ou um terço da nova companhia brasileira. Procurado, Fraga não retornou a ligação.

Esse é o segundo investimento de Fraga no setor aéreo. Em dezembro de 2006, o Gávea entrou como uma pequena participação na BRA, por meio do fundo Brazil AirPartners (BAP), formado por um grupo de sete investidores, dentre os quais Goldman Sachs e Bank of America. Apesar de ter recebido uma injeção de capital de R$ 180 milhões do BAP, que comprou 42% da BRA, um desentendimento entre os fundos e os sócios fundadores da empresa, os irmãos Folegatti, levou a companhia à bancarrota.

O Bozano foi um dos principais investidores na privatização da Embraer. Hoje tem 8,5% de participação na empresa, mas até a pulverização do controle acionário da fabricante, em 2006, detinha 20% do capital votante. A reportagem procurou a Cia. Bozano, mas não obteve retorno.

A nova companhia é a quarta companhia aérea criada por Neeleman, que nasceu no Brasil e tem dupla cidadania. O empresário fez fortuna com as três companhias anteriores – e também com outros negócios ligados à aviação, como e-ticket e entretenimento de bordo.

Folha de São Paulo

28/3/2008

Nem Boeing nem Airbus

NELSON DE SÁ – nelsondesa@folhasp.com.br

Desde a home de Folha Online etc., a nova empresa aérea “com jatos Embraer” ecoou. Com despachos de Reuters, AP e cobertura de Market Watch, BBC, foi o destaque de Brasil por Yahoo News e Google News. “New York Times” e “Wall Street Journal“, na home, adiantaram longas reportagens, também ressaltando serem “jatos produzidos no Brasil”. Concentraram-se no perfil de David Neeleman, nascido aqui, criador da JetBlue nos EUA e que “ajudou a redefinir as aéreas com jatos novos e oferecendo serviço de barganha”.

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DESAFIANTES
Já o “Financial Times” deu ontem que, depois da russa Sukhoi e da chinesa Avic 1, agora é a japonesa Mitsubishi que fabricará jatos regionais “desafiando a Embraer” e a canadense Bombardier. Ela já estaria com 25 encomendas feitas pela aérea All Nippon.

TRÂNSITO AÉREO
E um dos correspondentes do “FT” relatou a experiência de viajar da avenida Paulista a Carapicuíba em helicóptero, transporte em alta na cidade por conta do trânsito pesado -que é também aéreo e, diz o texto, fez a viagem de meia hora durar uma hora e meia.

Folha de São Paulo

Nova empresa aérea quer ser 3ª do país

Fundador da JetBlue diz que ela terá preços baixos e capital inicial de US$ 150 mi, com investidores do país e externos
Frota deve começar com 3 aviões da Embraer, e rotas devem focar destinos fora do eixo Rio-SP; nome virá de campanha na internet

JANAINA LAGE
EM SÃO PAULO

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O fundador da JetBlue, David Neeleman, divulgou ontem os planos de criação de uma nova companhia aérea no Brasil. A empresa deve começar a operar em janeiro com três aeronaves e tem como meta se tornar uma das três maiores do país. Atualmente, TAM e Gol concentram aproximadamente 90% do mercado.
Apesar do nome estrangeiro, Neeleman nasceu no Brasil e disse que sempre olhou com atenção para o mercado brasileiro. Ele criou a JetBlue nos EUA no fim dos anos 1990, uma empresa de baixo custo e baixa tarifa que cresceu mesmo em um cenário de crise no setor.
Justificando o investimento, destacou que o mercado de aviação cresceu 12% no ano passado no Brasil e que deve continuar com um cenário de inflação sob controle, moeda forte e aumento do crédito.
A nova companhia surge com uma estratégia agressiva de marketing e será a primeira a usar os E-jets da Embraer no país, com capacidade de 70 a 120 assentos. Neeleman divulgou ontem o fechamento de um contrato de US$ 1,4 bilhão para a aquisição de 36 E-195, jato com 118 assentos. Há ainda opções de compra de 20 aeronaves e direito de compra de outras 20. Caso confirme todas as opções e direitos de compra, o valor do contrato sobe para US$ 3 bilhões.
A idéia é chegar a 76 aviões em cinco anos, com vôos para as principais cidades do país.
Neeleman afirmou que no Brasil as tarifas ainda são muito elevadas e promete oferecer passagens mais em conta. “Mesmo os menores preços são altos demais”, disse. Segundo o empresário, as tarifas no Brasil são em média 50% mais elevadas do que nos EUA. Questionado sobre quão mais baratas suas tarifas seriam, respondeu: “Não sei, quer dizer, sei, mas não vou falar”. Da mesma forma não esclareceu quais rotas pretende explorar.
A estratégia da empresa é atrair tanto o cliente corporativo, que busca conforto, quanto o passageiro que normalmente viaja de ônibus. O executivo estima que 150 milhões de passageiros viajam em ônibus interestaduais no Brasil.
Os passageiros poderão assistir a novelas ou futebol em monitores individuais, prometeu. A empresa negocia com Direct TV e Sky para definir a programação. Os assentos serão revestidos de couro ecológico, com fileiras de duas poltronas, afirmou. “Ninguém gosta da poltrona do meio”, disse. Sem pratos quentes, os lanches serão escolhidos pelos passageiros a partir de uma cesta de produtos, acrescentou.
Segundo Neeleman, as concorrentes não focam nas necessidades dos passageiros que não precisam passar pelo eixo Rio-São Paulo. A nova empresa deverá oferecer vôos ponto a ponto, sem conexões. Apesar disso, ele pretende obter autorizações de pouso e decolagem em Guarulhos, Congonhas ou Santos Dumont.
Segundo a Anac, a agência do setor, Congonhas não tem autorizações disponíveis e, sem mudança de regra, a nova empresa só poderá operar no maior aeroporto do país com a saída de algum concorrente.
Na primeira etapa, só fará vôos domésticos, mas há planos de expandir as operações em vôos para a América do Sul. O capital inicial é de US$ 150 milhões entre investidores privados no Brasil e no exterior, que não tiveram seus nomes divulgados.
O nome da empresa será escolhido com campanha na internet. Primeiro, o público poderá escolher cinco nomes em www.voceescolhe.com.br. Depois, os internautas votarão em uma lista de nomes. O primeiro a votar no nome escolhido receberá um passe vitalício com direito a acompanhante para voar na empresa. Os mil primeiros que escolherem o nome vencedor ganharão um bilhete de ida e volta. A Folha consultou o site durante a tarde de ontem, mas apareceu a mensagem: “Devido ao grande número de acessos, o cadastro para a promoção está temporariamente indisponível”.

Folha de São Paulo

Concorrência deve levar à redução de tarifas

EM SÃO PAULO

A entrada em operação da nova empresa forçará as concorrentes a reduzir tarifas, segundo especialistas ouvidos pela Folha. A avaliação é que, mesmo que a empresa não se disponha a “roubar passageiros”, a tendência é de aumento da competição no setor. A queda dos preços, no entanto, dependerá da velocidade de crescimento da nova empresa, que começará a atuar com apenas três aviões.
A entrada da Gol em 2001 provocou uma revolução no mercado, com uma corrida das concorrentes para reduzir custos e preços de bilhetes, em um cenário de empresas em crise. Segundo o consultor em aviação Paulo Bittencourt Sampaio, a tendência é de uma nova rodada de quedas de preços, mas, desta vez, as concorrentes estão mais bem estabelecidas no mercado. “No primeiro ano, ela ainda será um concorrente pequeno, mas deve aumentar a competição entre as empresas. O modelo de negócios é diferente do usado hoje e será testado quando for colocado em prática. Seria infantil pensar que a concorrência vai ficar parada”, afirma.
Para Lúcia Helena Salgado, economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a nova companhia vai ocupar nichos de mercado que estavam desatendidos, com passageiros que não precisam passar pelos aeroportos centrais. “Com o crescimento da economia essa parcela deve aumentar ainda mais”, disse.
Na avaliação da economista, as principais empresas se acostumaram com margens de lucros elevadas e terão de rever suas estratégias para evitar a perda de participação no mercado. Ressalta ainda que o órgão regulador deverá ficar atento em casos de práticas predatórias.
“Se tivesse de desenhar uma estratégia para operar no Brasil, faria algo assim. O que não dá é disputar o filé mignon com avião velho”, afirmou André Castellini, da Bain & Company.
Segundo o presidente do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias), José Márcio Mollo, a nova empresa pode trazer inovações para o setor. “É uma ótima aquisição para o setor aéreo, quanto maior a concorrência, melhor”, disse.
O vice-presidente da OceanAir, Jorge Vianna, afirmou que ainda não conhece o modelo de negócios da empresa, mas que será bem-vinda se conseguir facilitar a participação das empresas menores. Procuradas ontem pela reportagem, Gol e TAM não comentaram o assunto.

Folha de São Paulo

Negócio quebra paradoxo no país, diz Embraer

EM SÃO PAULO

O presidente da Embraer, Frederico Curado, disse ontem que o uso do E-195 por uma companhia brasileira é importante para a empresa. O jato já é operado em 18 países, mas não havia sido usado antes no Brasil. “Não ter esses aviões no Brasil é um paradoxo, que gera curiosidade lá fora. Depois de 800 aviões vendidos, não temos mais que provar nada.” A Embraer será responsável pela manutenção das aeronaves.
A BRA havia sido a primeira empresa brasileira a fechar contrato com a Embraer. Como a companhia aérea entrou em crise, ele não foi efetivado.
Representantes da empresa apresentaram os planos ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), mas ainda estão verificando outras fontes de financiamento.
Segundo David Neeleman, que pretende criar a nova companhia, a aeronave é perfeita para o mercado brasileiro. Questionado sobre um possível custo maior por assento, afirmou que considera também o custo por viagem, que poderia compensar uma eventual diferença. A JetBlue usa o E-190. O E-195 oferece 18% a mais de poltronas, com um aumento de 6% no custo por viagem.
Para André Castellini, da Bain & Company, a adoção dos jatos de 70 a 120 assentos no Brasil não muda a estratégia da Embraer.
“A Embraer é uma empresa com produto competitivo, o mercado brasileiro tem uma importância simbólica”, disse Castellini.

Certificado
A entrada em operação da nova empresa depende ainda da obtenção do Cheta (Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo), que é liberado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). De acordo com Neeleman, a expectativa é que o documento seja liberado em seis meses. O prazo é inferior ao da Gol, com o menor prazo até então.
Apesar da divulgação dos planos, o quadro de executivos da empresa ainda não está completo. Neeleman ocupa por enquanto a posição de presidente do conselho. Outros dois executivos da JetBlue já estão trabalhando na nova empresa: Gerald Lee (desenvolvimento de negócios na companhia americana) e Trey Urbahn (área comercial).
O primeiro brasileiro contratado é Gianfranco Beting, como diretor de marketing. A empresa contratará 400 funcionários no começo das operações e pretende chegar a 6.000 em cinco anos.

O Globo

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JB Online 27/03: Take Off

David Neeleman anuncia a JetBlue verde e amarela

Postado por: marceloambrosio – 12:22

Neeleman, ex-presidente da JetBlue, anunciou há pouco em São Paulo que a sua companhia de baixo custo e baixa tarifa começa a operar em 209 com os primeiros 3 jatos Embraer E-195 de uma frota suspostamente herdada de uma antiga encomenda da empresa aérea americana. O pedido tinha sido suspenso em função de uma forte reestruturação financeira, segundo fontes do mercado que ouvi para uma reportagem publicada pelo JB no dia 7 de março último.

No fim de 2006, uma violenta nevasca obrigou a JetBlue a cancelar 1.200 vôos nos EUA, provocando uma avalanche de prejuízos. Em maio do ano passado, Neeleman, que era a estrela da empresa, deixou o comando e ficou ocupando apenas uma cadeira no conselho de administração. Na companhia que lançou hoje, ao todo, serão 76 unidades de jatos de 118 lugares. Há 36 pedidos fechados, no valor de US$ 1,4 bilhão. Ao todo, o gasto chegaria a US$ 3 bilhões, de acordo com Neeleman.

O empresário foi direto ao dizer que o maior país da América Latina tem um mercado com enorme potencialidade e que está dominado por apenas duas empresas. Pelo diagnóstico, falta competição interna e os preços das passagens estão muito altos. “Os passageiros daqui pagam 50% mais para viajar que os americanos”. Cacife ele tem: são US$ 150 milhões em caixa apenas para a montagem da empresa, que terá base em São Paulo e empregará alguns ex-executivos da JetBlue, especializados em operações reais de baixo custo e baixa tarifa.

Outros serão daqui, como o jornalista Gianfranco Betting (dono do site especializado Jetsite e ex-diretor da antiga Transbrasil) encarregado da área de marketing) e Miguel Dau, ex-comandante da Varig que estava à frente da Flex e que ocupará o cargo estratégico de diretor de operações. A companhia nacional, que ficou com um B737 da frota da antiga Varig e as dívidas trabalhistas da gigante gaúcha, se preparava para lançar o primeiro e único vôo, entre Rio e Salvador. A saída de Dau deve adiar esses planos.

Entre as novidades para atrair os passageiros estão o maior legroom (espaço para as pernas) desses jatos da Embraer, a adoção de poltronas de couro – as fileiras são 2+2- equipadas com monitores de tevê via satélite (LIveTV), ou seja, uma programação normal poderá ser acompanhada a bordo em qualquer vôo, em vez dos pacotes pré-gravados que são exibidos atualmente. Também a filosofia da companhia é uma novidade: em vez de aeronaves que fazem dezenas de escalas (o que tem transformado qualquer vôo em uma loteria) os jatos farão o chamado ponto-a-ponto. Por exemplo: um avião sai de Confnis para Curitiba e de lá retorna para MG. O vôo seguinte da aeronave será novamente o mesmo trajeto.

As aeronaves estão equipadas ainda com dois dispositivos HUD – Head Up Displays – que, de acordo com a empresa “permitirão um significativo aumento na segurança operacional”. Faltou explicar o que significa isso: os HUD são painéis translúcidos que exibem as informações do painel de comando, permitindo que o piloto acompanhe os parâmetros de vôo sem tirar os olhos da direção frontal. A tecnologia existe há muito tempo na aviação de caça – hoje a projeção é feita na lente dos capacetes dos pilotos.

“Com menos 30% de capacidade de assentos que os concorrentes, B737 e A320, o E-195 ainda assim oferece custo competitivo e podemos ter boa rentabilidade mesmo com menos passageiros, fornecendo vôos non-stop quando as nossas concorrentes não podem, além de mais freqüências. Nosso objetivo é o de disputar 150 milhões de passageiros que todo ano que viajam de ônibus”, descreveu Neeleman, otimista com os rumos do mercado brasileiro. O empresário lançou o site www.voceescolhe.com.br para que os clientes possam conhecer a companhia e votar na escolha do nome.

O ESTADO DE S.PAULO

Neeleman lança empresa aérea com TV a bordo e preços mais baixos

Fundador da JetBlue cria companhia no Brasil, com aviões da Embraer e investimentos de US$ 150 milhões

Mariana Barbosa

O empresário David Neeleman,48 anos, fundador da empresa americana JetBlue, anunciou ontem sua nova companhia aérea brasileira. Ainda sem nome – a escolha será feita por meio de um concurso na internet – a nova companhia deve iniciar operações em janeiro de 2009, com três jatos E-195 da Embraer.

Ao lado do presidente da Embraer, Frederico Curado, Neeleman anunciou a compra de 36 jatos E-195, de 118 lugares, que serão entregues em até três anos. A preço de tabela, trata-se de um contrato de US$ 1,4 bilhão. O valor pode atingir US$ 3 bilhões se forem exercidas opções de compra para mais 40 jatos.

Nascido em São Paulo quando seu pai, Gary Neeleman, trabalhava como correspondente da agência de notícias UPI, o empresário fala português e possui nacionalidade brasileira – ativo importante para quem quer investir no setor aéreo no Brasil, que restringe em 20% a participação estrangeira.

Durante um evento simples mas bastante concorrido em um restaurante em São Paulo, Neeleman afirmou que pretende crescer estimulando uma demanda nova no mercado com preços competitivos e rotas diferentes das praticadas pelas líderes TAM e Gol/Varig. A idéia é oferecer vôos diretos e múltiplas freqüências diárias entre grandes capitais, muitas vezes sem passar por São Paulo e Rio. Ele quer conquistar espaço nos aeroportos de Guarulhos, Congonhas e Santos Dumont, mas não pretende usá-los como centros de conexões.

O empresário não quis revelar os destinos nem os preços que pretende praticar. ‘Isso ainda é segredo, se não a concorrência vai em cima.’ Na sua opinião, as empresas no Brasil praticam tarifas ‘altas demais’. Mas avisa que não pretende fazer ‘loucuras’. ‘Não queremos guerra tarifária.’ Se a concorrência for para cima dele, contudo, avisa: ‘Não será fácil. Criamos a JetBlue em Nova York, onde tem muita concorrência, e nossa receita chegou a US$ 1 bilhão mais rápido do que qualquer outra companhia.’

O avião da Embraer será um dos grandes diferenciais da companhia. Voando em mais de 18 países, mas inédito no Brasil, o E-195 é um dos mais modernos jatos em atividade. ‘Depois de 800 aviões vendidos, não temos mais o que provar. Mas, sem dúvida, ter o avião voando no Brasil é uma questão de patriotismo’, afirmou Frederico Curado.

Segundo Curado, o E-195 possui um custo de viagem mais baixo do que os jatos Airbus e Boeing usados por TAM e Gol/Varig, ainda que o custo por assento seja mais alto, dado que os jatos da concorrência comportam de 140 a 180 passageiros.

Assim como na JetBlue, que opera o E-190, os aviões da nova empresa terão poltronas de couro e monitores individuais com TV ao vivo. Comissários – e de vez em quando o próprio Neeleman, como fazia na JetBlue – passarão com cestos repletos de salgados, doces e bebidas e o passageiro poderá se servir a vontade. ‘Quem quer um bom jantar vai a um restaurante’, disse Neeleman.

A configuração de 118 lugares do E-195 permitirá à companhia oferecer uma distância entre poltronas de 31 polegadas (78,74 cm), duas a mais do que nos aviões de TAM e Gol – suficiente para agradar o ministro da Defesa Nelson Jobim, crítico notório do aperto nos aviões.

Para manter o interesse pela nova companhia até o seu lançamento, foi criado um site (www.voceescolhe.com.br) onde os internautas poderão escolher do nome da empresa à cor do uniforme da tripulação. O primeiro a sugerir o nome que vier a ser escolhido ganhará um passe vitalício com direito a acompanhante. Na estréia ontem, o site ficou congestionado – e atraiu inclusive a visita de um hacker.

O ESTADO DE S.PAULO

Investimento inicial só perde para o da Virgin

Nova empresa é a chance de Neeleman dar a volta por cima depois da JetBlue

Mariana Barbosa

O investimento de US$ 150 milhões para a criação da nova companhia de David Neeleman é o segundo maior investimento inicial privado em uma companhia aérea no mundo. Perde apenas para a Virgin, de Richard Branson, que foi fundada com um capital de US$ 170 milhões. A JetBlue foi fundada com US$ 135 milhões, um investimento que contou com a participação do banqueiro George Soros e do JP Morgan. ‘Foi muito fácil conseguir esse investimento, havia muitos interessados’, disse Neeleman. ‘Poderíamos ter trazido mais US$ 100 milhões, mas achei que não precisava.’

Com o acesso fácil a recursos, o empresário nem pensa em uma abertura de capital. Afinal, sua experiência com capital aberto na JetBlue não foi das melhores. Em maio de 2007, por decisão dos acionistas, ele foi gentilmente convidado a deixar a cargo de presidente-executivo da empresa que criou. A demissão aconteceu três meses depois do colapso das operações da JetBlue, durante uma nevasca em fevereiro, quando passageiros ficaram mais de cinco horas dentro de aviões sem comida nem informações. ‘Sou um criador, acho que sou melhor em criar do que em fazer a manutenção do dia-a-dia’, disse Neeleman. ‘Sempre quis voltar para o Brasil, e deixar a presidência me deu tempo para colocar isso em prática.’

Neeleman vinha matutando a idéia de montar uma companhia no Brasil havia uns três anos, mas o assunto não passava de um sonho distante. Com seu afastamento da presidência da JetBlue, o desejo de fazer um negócio no Brasil passou a representar uma chance de dar a volta por cima.

A nova companhia é o quarto empreendimento de Neeleman no setor. Além da JetBlue, criada em 1999, o empresário é co-fundador da Morris Air (1984), vendida para a SouthWest em 1993 por US$ 130 milhões. Pelo contrato, ficou cinco anos impedido de atuar no setor aéreo americano. Foi então para o Canadá, onde fundou a WestJet.

Neeleman é também conhecido pelas inovações tecnológicas. Foi o inventor do bilhete eletrônico, hoje usado em toda a indústria, e pioneiro, na JetBlue, em oferecer programação de TV ao vivo. Hoje, ele é dono da LiveTV, empresa que produz e opera sistema de TV para diversas companhias.

A intenção de Neeleman é trazer toda a família para morar no Brasil. ‘Vocês sabem, tenho 9 filhos – de 8 a 26 anos – com a mesma mulher e um neto. Estamos negociando, mas com tanta gente não é fácil.’ Como parte da estratégia de convencimento, Neeleman trará a família para passar as férias no Brasil a partir da semana que vem.

NÚMEROS

US$ 150 milhões
é o capital inicial da nova empresa aérea brasileira, o segundo maior investimento inicial privado em uma empresa aérea no mundo

US$ 170 milhões
foi o investimento inicial na empresa aérea britânica Virgin

US$ 135 milhões
foi o capital inicial da JetBlue

Valor Econômico

Fundador da JetBlue tem US$ 150 milhões para competir no país

Roberta Campassi

A segunda companhia aérea mais capitalizada do mundo, em seu lançamento, na história da aviação. A única, por enquanto, que operará aviões da Embraer em território nacional. Estas foram duas marcas que a companhia aérea brasileira do empresário David Neeleman obteve em sua apresentação oficial. Com capital de US$ 150 milhões, o criador da aérea americana JetBlue acredita que chega com força suficiente para enfrentar uma concorrência dura. Com um pedido firme de 36 jatos do modelo Embraer 195, inéditos em céus brasileiros, ele sustenta que abrirá caminho para uma enorme demanda reprimida.

Num evento cheio de azul, verde e amarelo, embalados pela música “Aquarela do Brasil”, Neeleman e uma equipe de executivos apresentaram um projeto com boa parte das peças que já eram imaginadas. Guardaram, no entanto, segredos estratégicos, como as rotas que pretendem operar ou o tamanho dos descontos que a empresa poderá oferecer. Também não revelaram os investidores envolvidos.

A nova companhia aérea, cujo nome será escolhido pelo público, começa a voar em janeiro de 2009 com três aviões operando vôos entre as principais cidades brasileiras sem fazer conexões em aeroportos que concentram tráfego – os chamados “hubs”. O objetivo é oferecer não apenas mais vôos diretos do que a concorrência, como também diversas freqüências e opções de horário ao longo do dia. A empresa buscará espaços em aeroportos congestionados como Congonhas, Guarulhos e Santos Dumont.

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Dentro das aeronaves, o cliente encontrará os mesmo itens que se tornaram a marca da JetBlue nos EUA: televisões individuais, mais espaço entre os assentos e poltronas de couro. Neeleman promete, acima de tudo, segurança. “Nas quatro empresas aéreas que eu criei, nunca houve um acidente”, disse. Ele também prometeu serviços rápidos e eficientes nos balcões dos aeroportos e na venda de bilhetes, que será feita majoritariamente pela internet.

Em relação aos preços, a empresa promete tarifas mais baixas do que a concorrência – mas algumas mais baixas, e não todas. Embora Neeleman tenha afirmado que as passagens no Brasil são cerca de 50% mais caras do que nos EUA e que poderiam ser mais baratas, sua companhia terá faixas de preço para todos os públicos. A inovação, segundo Neeleman, é que o intervalo entre a tarifa mais barata e a mais cara será maior do que as diferenças praticadas hoje por Gol e TAM. A nova empresa vai trabalhar fortemente com o chamado “yield management” (gerenciamento de receita). Com base em uma série de dados, o sistema permite definir os preços e a estratégia de vendas que geram a maior receita possível. Todas as companhias aéreas já o utilizam, mas Neeleman garante que a administração da JetBlue desenvolveu “truques” muito eficientes. Neeleman afirma que, tirando o combustível, os custos operacionais entre as empresas brasileiras e americanas são parecidas. As companhias nacionais, por outro lado, costumam dizer que a carga tributária, taxas de aeroporto e itens de manutenção inflacionam os custos no Brasil.

É por meio da combinação de serviços cômodos e algumas tarifas mais baixas que Neeleman pretende fazer o “bolo crescer” e atrair os 150 milhões de passageiros que ainda utilizam o ônibus em viagens interestaduais. “Uma análise do tamanho do PIB do Brasil em relação ao número de viagens aéreas mostra que há espaço para um mercado três ou quatro vezes maior no país”, afirma. Em 2001, a Gol surgiu com um discurso semelhante e conseguiu fomentar demanda.

A chave para realizar os objetivos da empresa é o avião escolhido, considerado por Neeleman o equipamento “perfeito” para o mercado brasileiro. Enquanto os Embraer 195 da nova empresa terão 118 assentos, os Boeings e Airbus usados por Gol e TAM, respectivamente, têm no mínimo 140 poltronas e um máximo de cerca de 180. Com aviões menores, a nova companhia poderá fazer rotas diretas com uma demanda não tão elevada sem precisar concentrar tráfego em “hubs”.

Existe no mercado, porém, uma dose de ceticismo sobre a capacidade de o jato da Embraer ter custos competitivos em relação aos aviões maiores, cujos gastos são melhor diluídos à medida que mais passagens podem ser vendidas. Ou seja, empresas como TAM e Gol poderiam oferecer preços mais baixos nas rotas em que competissem com a nova empresa. Neeleman e a Embraer, entretanto, defendem que o E195 tem plenas capacidades de competir. De acordo com Mauro Kern, vice-presidente de aviação comercial da Embraer, o jato tem um custo por assento “um pouco maior”, mas seu custo por viagem “é de 15% a 20% menor” e permite que a operação seja mais rentável com menos passageiros.

Para decolar, a companhia ainda precisa obter sua concessão junto à Agência Nacional de Aviação Civil e prevê consegui-la em seis meses. Por enquanto, foram recrutados profissionais que trabalharam ou trabalham na JetBlue e o brasileiro Gianfranco Beting como direto de marketing. A empresa deve contratar 400 funcionários até janeiro e pretende ter cerca de seis mil até 2013.


Valor Econômico

Aérea negocia financiamento com o BNDES

De São Paulo

A companhia de David Neeleman está negociando o financiamento dos aviões Embraer com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e instituições estrangeiras. “Temos confiança de que não haverá qualquer problema”, disse.

Os 36 Embraer 195 encomendados pela nova empresa aérea representam, pelo valor de tabela, US$ 1,4 bilhão. Os jatos começarão a ser recebido em 2009 até o fim de 2011. A companhia tem ainda 20 opções (com data limite para exercício) e mais 20 direitos de compra (sem prazo definido) do mesmo modelo que complementariam a frota até 2015. Se exercidas, elevam o valor do negócio para US$ 3 bilhões.

O Embraer 195 é o maior avião produzido pela fabricante nacional e pode ter até 122 assentos, embora a companhia de Neeleman tenha optado pela configuração com 118 poltronas. “É um avião perfeito para o Brasil”, disse Neeleman, ontem. Ele já havia dado mostras de seu entusiasmo pelo produto da Embraer em 2003, quando a JetBlue anunciou a compra de cem jatos do modelo 190 e tornou-se a primeira cliente do equipamento.

Desta vez, a escolha foi pelo E195. Segundo a companhia aérea, ele oferece 18% mais assentos do que o E190 com um custo por viagem apenas 6% maior.

Apesar da apertada linha de produção da Embraer, foi possível encaixar as encomendas da nova empresa nos espaços que antes estavam reservados para os pedidos da BRA. Como esta entrou em recuperação judicial em novembro passado, as encomendas foram postergadas até que a situação da companhia se defina. “Não existe, porém, nenhuma ligação entre os contratos da BRA e da empresa de Neeleman”, afirmou Frederico Fleury Curado, presidente da Embraer.

(RC)

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