OceanAir suspende vôo para o México e demite 200 tripulantes

Folha de São Paulo

15/04/2008
OceanAir suspende vôo para o México e demite 200
Câmbio e custos são apontados como razão da mudança
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO

A OceanAir anunciou ontem a suspensão temporária do vôo para o México, única rota internacional regular da companhia. A empresa justificou a mudança com referências ao câmbio, a tarifas e a custos. A alteração resultará na demissão de cerca de 200 funcionários da equipe dos vôos de longo curso, segundo a assessoria da companhia.
A empresa tinha planos de iniciar vôos para Angola em maio. É a segunda companhia aérea a informar, em menos de uma semana, que pretende reduzir as operações no exterior. Na sexta, a Varig divulgou a saída das linhas intercontinentais e a concentração nas rotas da América do Sul e domésticas.
Segundo a OceanAir, a empresa vai redimensionar sua malha no mercado interno. Dois aviões, um Boeing-757 e um 767 serão repassados para a Avianca, que também pertence ao empresário German Efromovich. Outras duas aeronaves poderão ter o mesmo destino, mas ainda não há definição.
Para o consultor em aviação Paulo Bittencourt Sampaio, a notícia mostra que a OceanAir pretende focar no mercado doméstico. “O vôo para Cidade do México tinha baixa taxa de ocupação. Eles estão racionalizando a operação”, disse.
A OceanAir aguarda para 2009 a chegada de duas aeronaves A330, que permitiriam operações com custos menores, segundo a empresa. “Estas medidas estão sendo tomadas visando consolidar e fortalecer a posição da companhia no mercado brasileiro, tendo em vista os atuais custos de combustíveis e a indisponibilidade de novas aeronaves adequadas para algumas rotas da companhia”, disse a empresa em nota.
A participação da OceanAir nos vôos internacionais ainda era pouco expressiva. Em março, ela representava 2,29% do mercado, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Recentemente, a empresa anunciou a compra da Tampa Cargo, para atuar no segmento de transporte de carga.
O comunicado divulgado ontem mostra ainda a preocupação da OceanAir em definir sua estratégia de atuação em virtude da entrada de novos concorrentes. Está previsto para o ano que vem o início das operações da nova companhia aérea do fundador da JetBlue, David Neeleman. Até ontem, 90.261 pessoas já haviam se cadastrado no site da empresa, que faz uma promoção para a escolha do nome da companhia.

Valor Econômico
OceanAir suspende vôos internacionais
Roberta Campassi

Três dias depois de a Varig anunciar o cancelamento de todos os seus vôos de longa distância ao exterior, a OceanAir informou que suspenderá, ao menos temporariamente, seus vôos para o México. No mercado doméstico, a companhia fará mudanças na malha para melhorar a rentabilidade.

A OceanAir, de German Efromovich, vai transferir seus três aviões Boeing 767 e um 757 para a Avianca, companhia aérea colombiana do mesmo empresário. As aeronaves 767 estavam sendo usadas nos vôos entre São Paulo e Cidade do México, a única operação internacional da empresa. Já o 757 estava em uso no mercado doméstico.

Desde que começou a voar para o exterior, em agosto de 2007, a companhia aérea registra taxas de ocupação bastante baixas. No primeiro trimestre deste ano, uma média de 46% dos assentos foram ocupados nos vôos ao México, número que indica forte probabilidade de a empresa estar registrando prejuízos – embora uma parte dos custos possa ser compensada com o transporte de carga. Os aumentos recentes dos preços do petróleo podem ter forçado a companhia a suspender as operações.

A companhia também suspenderá os planos de realizar vôos para Luanda, em Angola, a partir de maio. Segundo a assessoria de imprensa da OceanAir, a aérea pretende retomar o projeto internacional quando receber novas aeronaves, mais econômicas. A Avianca tem encomendas junto à Airbus e deve receber dois A330, usados em rotas mais longas, no início de 2009. Os equipamentos serão transferidos à OceanAir.

No mercado doméstico, a companhia pretende alterar a malha de vôos adicionando freqüências nas rotas mais movimentadas e lucrativas e retirando vôos das cidades menos rentáveis. As mudanças devem ser anunciadas nas próximas semanas. “O fortalecimento da posição da companhia nas rotas que continuará a operar é particularmente importante diante das perspectivas de maior competitividade em virtude do ingresso de novos concorrentes e do crescimento do mercado doméstico”, afirmou a empresa, fazendo referência à entrada da companhia aérea do empresário americano David Neeleman no Brasil.

A OceanAir obteve 4,2% de participação no mercado doméstico no primeiro trimestre, contra 2,2% no mesmo período de 2007. A companhia cresceu especialmente depois que a BRA deixou de operar em novembro passado. Não existem dados atuais sobre o balanço da OceanAir. Ela fechou o ano de 2006 com perdas líquidas de R$ 87 milhões e um prejuízo similar foi estimado por Efromovich para 2007.

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