Bombas em aviões podem ser acionadas por Wi-Fi em voos, dizem especialistas

Bombas em aviões podem ser acionadas por Wi-Fi em voos, dizem especialistas
03/11/2010 – 17h14
Folha.com

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PAUL MARKS
DA NEW SCIENTIST

A tão esperada capacidade de usar um celular ou conexão Wi-Fi em um avião pode se tornar uma refém da mais recente ameaça da segurança em aviação.

Em 29 de outubro, revelou-se que partes contendo um explosivo em pó embalado em cartuchos de impressora a laser tinham sido detectados em aeronaves oriundas do Iêmen para o Reino Unido e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Um telefone celular conectado a um circuito de detonação poderia ter permitido que um terrorista provocasse uma explosão por meio de chamadas ou mensagens SMS para o telefone.

AP
Bombas detectadas em aviões da FedEx e da UPS foram transportadas do Iêmen em dois voos de passageiros
Bombas detectadas em aviões da FedEx e da UPS foram transportadas do Iêmen em dois voos de passageiros

Isso ocorre enquanto a indústria da aviação está se preparando para oferecer banda larga em voos, que atendam tanto aparelhos celulares quanto conexões Wi-Fi, para passageiros.

Estes sistemas significariam que passageiros não precisariam mais usar seus celulares ilicitamente em baixa altitude, quando estão próximos do aeroporto –atividade potencialmente arriscada que pode interferir na mecânica de pouso do avião.

MERCADO EM EXPANSÃO

Comunicações em voo são um mercado de rápido crescimento neste momento. A pesquisadora de mercado InStat, de Scottsdale, Arizona, diz que 2.000 passageiros de voos são esperados para ter esse tipo de tecnologia de comunicação banda larga até o final deste ano, comparado com apenas “algumas dezenas” em 2008.

As descobertas da semana passada põem em dúvida o conhecimento de comunicações em voo, diz Roland Alford, diretor administrativo da Alford Technologies, consultora em explosivos em Chippenham Wltshire (Inglaterra). Ele disse esperar que a tecnologia seja analisada em revisões de segurança empreendidas pelo governo inglês e pelo Departamento de Segurança Doméstica dos Estados Unidos, logo após a descoberta das bombas nas impressoras.

O Departamento de Transportes britânico não confirmou se o problema estaria, de fato, em sua agenda.

CELULAR: GATILHO?

Ainda não se sabe se os celulares nas bombas eram destinados para acioná-las remotamente. Eles podem ter sido destinados somente como temporizadores, como nos atentados do metrô de Madri, em 2004. Mas dispositivos futuros poderiam tirar vantagens da comunicação sem fio.

Wi-Fi em voos “dá muitas opções de contato com um dispositivo num avião a um fabricante de bombas”, diz Alford. Mesmo se conexões ordinárias com celulares estão bloqueadas, isso permitiria a um serviço de voz sobre internet encontrar um aparelho.

“Se fosse possível transmitir diretamente a partir do solo para um avião sobre o mar, que seria assustador”, diz o colega de Alford, fundador da empresa, Sidney Alford. “Ou, se um passageiro pudesse usar um celular para transmitir para o bagageiro do avião, ele poderia se tornar um terrorista suicida muito eficaz.”

“Há muitas maneiras de coordenar um ataque sem o uso de um celular”, diz Aurélie Branchereau-Giles, da OnAir, companhia radicada em Gêneva, na Suíça, que está prestando serviço de sistemas de Wi-Fi e celulares em voo para a Airbus.

“A posição de nossos especialistas em segurança é a de que o uso de telefones celulares em aviões não constitui qualquer ameaça adicional à segurança.”

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