Notícias Vasp – 194 – Matéria publicada no Estadão de 25.11.2010

ESTADO DE S.PAULO
25 de novembro de 2010

Ex-dono da Vasp perde fazenda
Imóvel foi vendido ontem por R$ 430 milhões em leilão para pagar dívidas trabalhistas
Cleide Silva – O Estado de S.Paulo

Em leilão realizado ontem no Fórum Trabalhista da Barra Funda, em São Paulo, a Fazenda Piratininga, do empresário Wagner Canhedo, ex-dono da falida Vasp, foi adquirida por R$ 430 milhões, valor mínimo estabelecido pela Justiça. O dinheiro será destinado ao pagamento de dívidas trabalhistas.

A propriedade de 130 mil hectares em São Miguel do Araguaia (GO) era avaliada em R$ 615 milhões. O valor pago pelo grupo Conagro, que atua em vários segmentos agropecuários, vai cobrir apenas parte do montante devido por Canhedo a ex-empregados, de cerca de R$ 1,5 bilhão.

A ação dos trabalhadores se arrasta desde 2005, ano em que os voos da companhia foram suspensos e o empresário entrou com pedido de recuperação judicial. Em 2008, a Vasp teve a falência decretada. Há 8 mil ações de trabalhadores de todo o País reclamando de dívidas de salários, rescisões de contratos, pagamento de horas extras e depósitos de FGTS, entre outras. Em janeiro daquele ano, a dívida era estimada em R$ 906 milhões. Hoje, com correção monetária e juros, chega a R$ 1,5 bilhão, segundo cálculos de advogados dos funcionários.

“Claro que o valor arrecadado no leilão não é suficiente, mas há outros bens que podem ser executados”, diz Graziella Baggio, secretária de assuntos previdenciários do Sindicato Nacional dos Aeronautas. O advogado Francisco Gonçalves Martins, representante do Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo, acredita que outra fazenda do empresário, a Santa Luzia, também em Goiás, poderá ir a leilão no próximo ano. É uma propriedade bem menor que a Piratininga, avaliada em R$ 100 milhões.

Os trabalhadores têm ainda ações contra o Banco Rural, que teria ficado com cabeças de gado de Canhedo que estavam impedidas pela Justiça de sair da fazenda. Os advogados também aguardam o fim dos processos de recuperação de três empresas do grupo: a Agropecuária Vale do Araguaia, a Vadel Transportadora e a concessionária de transporte urbano Viplan, para incluí-las no processo. “Enquanto ele tiver uma agulha e não fechar essa conta, a execução vai continuar”, diz Martins.

Caberá ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2.ª Região, onde foi criado um grupo chamado de “Vara Vasp”, determinar a forma de repasse do dinheiro do leilão aos ex-funcionários.

Em março, já havia ocorrido uma tentativa de realizar o leilão da Piratininga, mas foi cancelado um dia antes da data marcada. Ontem, após apresentar dados e um vídeo sobre a fazenda, o leiloeiro perguntou se havia algum interessado e não houve manifestações. Ele então informou que daria 20 minutos e, só ao final desse prazo, o representante da Conagro levantou a mão e fez o lance mínimo.

Segundo relato dos leiloeiros, a fazenda tem duas casas principais de alto padrão, piscinas, garagem para barcos, pomar, residências para empregados, igreja, salão de festas, clube, quadras e um estádio de futebol. Tem ainda pista de pouso, hangares, duas fábricas de pré-moldados e uma padaria. Há também vários veículos e cerca de 70 mil cabeças de gado.

Representantes da Conagro não foram localizados ontem para comentar a aquisição. No site da empresa na internet consta que o grupo tem empresas de alimentos, agrícola, bioenergia, pecuária, frigorífico e armazenamento de grãos, entre outras.

Além do passivo trabalhista, a Vasp deve mais de R$ 2 bilhões para órgãos públicos como Infraero, Receita Federal, INSS, Banco do Brasil, Petrobrás e BR Distribuidora.

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