Notícias Vasp – 207 – Matéria do jornal Estado de São Paulo de 30.11.2010

Justiça fará nova tentativa de venda da fazenda de Canhedo

Após leilao frustrado da semana passada, venda será feita agora por meio de propostas levadas diretamente a Justiça.

Cleide Silva

A juíza do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, Elisa Maria Secco Andreoni, decidiu ontem que a venda da Fazenda Piratininga, do
empresario Wagner Canhedo, ex-dono da falida Vasp, será feita por meio de propostas diretas a Justiça, e nao mais por leilão.

A decisao foi tomada após o frustrado leilao realizado na última quarta-feira. Na ocasião, o empresário Francisco Gerval Garcia Vivone, dono do desconhecido
grupo agropecuano Conagro, arrematou 0 imóvel pelo valor minimo de R$ 430 milhoes, mas sustou o cheque dado como entrada dois dias depois.

Os envelopes com as propostas serão abertos no dia 9 de dezembro, às 15 horas, ocasião em que os interessados deverão comparecer para ratificar eventuais ofertas ou cobrir propostas de outros interessados. A chamada Vara Vasp, criada pelo TRT da Barra Funda, na capital paulista, para cuidar do caso, já esta aceitando ofertas, que poderão ser entregues até uma hora antes da abertura dos envelopes.

O dinheiro da venda será destinado ao pagamento de dívidas trabalhistas da Vasp com cerca de 8 mil ex-funcionários. No total, os débitos trabalhistas chegam a R$ 1,5 bilhão, segundo cálculos de Francisco Gonçalves Martins,advogado que representa o Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo.

A ação dos trabalhadores se arrasta desde 2005, ano em que os voos da Vasp foram suspensos e Canhedo entrou com pedido de recuperação judicial. Em 2008, a companhia aérea teve a falência decretada.

Nesse novo formato, o mínimo de R$430 milhões determinado pela Justiça para o leilão passa a ser apenas referência. Em seu despacho, a juíza Elisa, que também conduziu o leilão da semana passada, afirma que há “notícia de que existem outros interessados na aquisição do bem”.

Cheque sustado. No leilão qe quarta-feira, o grupo Conagro fez a única proposta de compra e seu presidente, Vivone, entregou um cheque de R$ 63,5 milhões o equivalente a cerca de 15% do valor do bem, conforme previsto no edital do leilão -, mas sustou o documento na sexta-feira. Ele alegou extravio de cheques e que a fazenda estava nurna situação diferente da que conhecia, inc1uindo o sumiço de cabeças de gado. Nao convencida das justificativas, a juíza determinou a quebra do sigilo fiscal e bancário da Conagro, de Vivone e de sua sócia Andrea Cristina Nalim Garcia, além de empresas coligadas ao grupo, como Conagro Investment LLP e AFVG Participações Ltda. O caso agora está sendo apurado pelo Ministério Público Federal e pela Superintendência da Polícia Federal.

“Foi um golpe”, define Martins. Ainda assim, ele avalia como positiva a realização do leilão. “Foi realizado sem nenhum entrave judicial, provando que o bem pertence aos sindicatos.” Ocorreram outras tentativas de leilão, que foram suspensos por causa de ações na Justiça movimentadas por Canhedo que impediam a venda. “Agora, quem fizer uma boa oferta leva o bem.”

A fazenda Piratininga é avaliada em R$ 615 milhões. O imóvel tem duas casas principais, piscinas, garagem para barcos, pomar, residências para empregados, igreja, salão de festas, clube, quadras e um estádio de futebol. Tem ainda pista de pouso, hangares, duas fábricas de pré-moldados e uma pdaria. Há também vários veículos e cerca de 70 mil cabeças de gado.

Para entender

O grupo Conagro é desconhecido no meio empresarial e no de agronegócios, assim como seu presidente, Francisco Gerval Garcia Vivone. O site do grupo descreve uma atuação diversificada com empresas das áreas de alimentos, agrícola, bioenergia, pecuária e armazenamento de grãos, entre outras, mas sem detalhar, por exemplo, onde estão situadas essas empresas. Vivone mora em Brasília, em uma casa próxima à do ex-dono da Vasp.

Recommended Posts

Start typing and press Enter to search