Notícias Vasp – 230 – Matéria do jornal Valor Econômico de 16.12.2010

Fazenda de Canhedo é vendida por R$ 310 milhões

Adriana Aguiar | De São Paulo
16/12/2010

A Fazenda Piratininga, que pertenceu ao empresário Wagner Canhedo, ex-controlador da Vasp, foi vendida ontem por R$ 310 milhões. O comprador, um grande grupo empresarial do país, solicitou, no entanto, que sua identidade não fosse divulgada, mas deve depositar hoje o sinal de R$ 60 milhões. O restante será pago em cinco parcelas anuais de R$ 50 milhões. Os valores serão revertidos em pagamentos aos cerca de oito mil trabalhadores da companhia, que teve sua falência decretada em 2008. A dívida com os ex-funcionários está em torno de R$ 1 bilhão.

A compra foi resultado de uma longa negociação a portas fechadas entre o Sindicato Nacional dos Aeronautas, o Sindicato Estadual dos Aeroviários e o Ministério Público do Trabalho (MPT) com empresas interessadas, sob a supervisão da juíza Elisa Maria Secco Andreoni, que atua no juízo auxiliar da execução trabalhista contra a Vasp. A reunião teve duração de mais de quatro horas e contou com três grupos interessados, que ofereceram propostas acima de R$ 200 milhões.

O advogado do Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo, Carlos Duque Estrada, comemorou a venda. “Finalmente os trabalhadores da Vasp poderão passar o Natal mais tranquilos e seguros de que irão receber”, diz. Segundo ele, dessa vez a venda deve ser concretizada, até porque o grupo que a arrematou é conhecido.

A propriedade foi a leilão duas vezes e chegou a ser vendida por R$ 340 milhões ao presidente da Conagro Participações, Francisco Garcia Vivoni, no fim de novembro. Porém, dias depois, ele sustou o cheque dado como sinal. Para evitar situações como essa, a negociação passou a ocorrer diretamente.

Na semana passada, a J & F Participações, controladora do grupo JBS-Friboi no Brasil, apresentou uma proposta de R$ 150 milhões. Duas pessoas físicas, identificadas como Moisés Carvalho e Antonio Lucena Barros, ofereceram R$ 215 milhões em 12 parcelas anuais. A J & F fez uma contraproposta de R$ 200 milhões, a serem pagos em seis parcelas anuais. O que foi rebatido com uma nova proposta de R$ 230 milhões de Carvalho e Barros. No entanto, a partes não aceitaram a venda por menos de R$ 300 milhões. A juíza Elisa então deu um novo prazo para propostas, que foi prorrogado até ontem.

A fazenda está sendo vendida em razão de uma ação civil pública proposta em 2005 pelo Ministério Público do Trabalho. Ao assinar um acordo, Wagner Canhedo reconheceu a responsabilidade solidária de seu grupo econômico pelos débitos trabalhistas da Vasp.

Recommended Posts

Start typing and press Enter to search