Notícias Vasp – 231 – Matéria do jornal O Estado de São Paulo de 16.12.2010

Ex-donos da Neo Química compram fazenda de Canhedo

Família Limírio Gonçalves, que vendeu fabricante de medicamentos para a Hypermarcas, vai pagar R$ 310 milhões pela propriedade

16 de dezembro de 2010 | 0h 00

Após várias tentativas frustradas, a Fazenda Piratininga, do empresário Wagner Canhedo, ex-dono da falida Vasp, foi vendida ontem por R$ 310 milhões. O imóvel era avaliado em R$ 615 milhões. Segundo apurou o “Estado”, o comprador é o grupo ligado à família Limírio Gonçalves, que há um ano vendeu a fabricante de remédios genéricos e similares Neo Química ao grupo Hypermarcas, um negócio de R$ 1,3 bilhão.

No fim ano passado, o grupo, que tem como um dos sócios Marcelo Limírio Gonçalves Filho, também arrematou, em leilão, o tradicional Hotel Nacional, no Rio de Janeiro, por R$ 85 milhões. Hoje, o grupo que tem sede em Goiás, Estado onde está situada a Fazenda Piratininga, fará um depósito no valor de R$ 60 milhões como sinal, e o restante será dividido em cinco parcelas anuais de R$ 50 milhões.

O dinheiro será usado para o pagamento de parte das dívidas trabalhistas da Vasp com cerca de 7 mil ex-funcionários, estimada em R$ 1,5 bilhão, valor acrescido de juros e correção monetária, segundo cálculos de advogados que acompanham o caso. Em janeiro de 2008, a dívida era de R$ 1,013 bilhão.

A proposta do grupo foi apresentada à juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região, Elisa Maria Secco Andreoni – que acompanha o caso Vasp -, e aceita pelos advogados do Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo e do Sindicato dos Aeronautas, que representam os trabalhadores.

Nenhum dos participantes da negociação, que se estendeu por mais de quatro horas, confirmou ontem o nome do comprador, que teria pedido sigilo. Estavam presentes também os procuradores do Ministério Público do Trabalho Carolina Mercante e Gustavo Garcia, segundo o TRT.

Na quinta-feira da semana passada, dois grandes grupos do ramo agropecuário, o J&F Participações, controlador do JBS Friboi, e a Fazenda Santa Bárbara, do empresário Daniel Dantas, ofereceram, respectivamente, R$ 200 milhões e R$ 214 milhões pelo imóvel. Os advogados dos sindicatos afirmaram, contudo, que não aceitariam valor inferior a R$ 300 milhões. No dia seguinte, um terceiro grupo, que não teve o nome revelado, chegou a propor R$ 231 milhões.

A propriedade de 130 mil hectares fica em São Miguel do Araguaia (GO) e estava em nome da Agropecuária Vale do Araguaia, uma das empresas de Canhedo.

Segundo consta no processo trabalhista, o imóvel abriga duas casas principais de alto padrão, com área de lazer (piscinas, garagem para barcos, pomar), residências para empregados, igreja, salão de festas, clube, quadras esportivas e um estádio de futebol. Tem ainda pista de pouso para aeronaves, hangares, casas de coxo, curral, escritórios, auditório, depósitos, duas fábricas de pré-moldados, uma padaria, diversos veículos e aproximadamente 70 mil cabeças de gado.

Sofrimento. O advogado do Sindicato dos Aeroviários, Francisco Gonçalves Martins, disse que a venda “acaba com o sofrimento dos trabalhadores”. Segundo ele, mesmo que o pagamento seja feito até 2015, “o trabalhador sai da insegurança de que não ia receber nada para a segurança de que vai receber em cinco anos”.

A ação dos trabalhadores se arrasta na Justiça desde 2005, ano em que a Vasp, atolada em dívidas, deixou de voar. Três anos depois, teve a falência decretada. Canhedo adquiriu o controle da companhia aérea, então estatal, em 1990. Na época, a empresa já operava com prejuízos e acumulava dívidas de US$ 750 milhões.

Além do passivo trabalhista, a Vasp deve mais de R$ 2 bilhões para órgãos públicos como Infraero, Receita Federal, INSS, Banco do Brasil, Petrobrás e BR Distribuidora.
PARA LEMBRAR

Primeiro comprador sustou cheque
A primeira tentativa de venda da Fazenda Piratininga ocorreu em abril, mas não houve proposta. Em novo leilão, no mês passado, o empresário Francisco Gerval Garcia Vivone, dono do grupo agropecuário Conagro, arrematou o imóvel pelo valor mínimo estabelecido pela Justiça, de R$ 430 milhões. Dois dias depois, ele sustou o cheque de R$ 63,5 milhões dado como entrada. O leilão foi invalidado e o TRT optou pela venda por meio de propostas.

Por causa de sua atitude, Vivone está sendo investigado pelo Ministério Público Federal e pela Superintendência da Polícia Federal, a pedido da juíza Elisa Maria Secco Andreoni, do Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região.

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