Contas Abertas – Copa 2014: Menos de 1% das obras em aeroportos foram executadas

29/11/2010
Copa 2014: menos de 1% das obras em aeroportos foram executadas
José Cruz
Especial para o Contas Abertas
Enquanto passageiros encontram dificuldades para embarcar na manhã de hoje por conta de atrasos e cancelamentos, sobretudo em voos da companhia aérea TAM, dados do Portal da Transparência, mantido pela Controladoria-Geral da União, indicam a execução de apenas 0,9% dos valores disponíveis para os contratos em aeroportos das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014, até setembro. Significa que nove meses depois de estados e municípios terem firmado com o governo federal a Matriz de Responsabilidades paras as obras públicas visando à realização da Copa, a execução dos projetos nos aeroportos é mínima diante do gigantismo da proposta global.

Em resumo, dos quase R$ 5,6 bilhões que o governo federal colocou à disposição da Infraero para a melhoria ou ampliação dos aeroportos, apenas R$ 193 milhões estão comprometidos com contratos e, destes, somente R$ 49,3 milhões foram gastos efetivamente (veja tabela).

O melhor desempenho é do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, com duas frentes de trabalho iniciadas em setembro de 2009: reforma do Terminal de Passageiros e conclusão e reforma do terminal de passageiros 2. Para estas obras estão previstos R$ 687,3 milhões, sendo que R$ 108,1 milhões já estão contratados e R$ 42,3 milhões foram executados.

No segundo lugar no ranking das execuções está o Terminal Afonso Pena, em Curitiba, com R$ 72,8 milhões reservados para ampliar o pátio de estacionamento de aeronaves e espaço de circulação dos passageiros. Os dados da CGU mostram que nessa frente já foram contratados R$ 1,4 milhão (1,9% sobre o disponível) e executado R$ 740 mil, isto é, 1% do recurso alocado.

As obras nesse terminal começaram em julho de 2009, com término previsto para junho de 2013. Isso demonstra a necessidade de aceleração dos trabalhos nos próximos anos, assim como nas demais frentes, a fim de que a execução total dos projetos esteja concluída entre abril de 2012 (Aeroporto de Recife) e dezembro de 2013 (Manaus), conforme a Matriz de Responsabilidade prevê.

A pior situação concentra-se justamente em um dos aeroportos mais movimentados do país, o de Guarulhos, na capital paulista. Com cinco projetos previstos, sendo um deles a construção do Terminal de Passageiros 3, e obras também no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, os investimentos previstos estão na casa de R$ 1,9 bilhão.

O desempenho é assustador diante da premência de tempo, a menos de três anos da realização da Copa das Confederações, com São Paulo devendo ser uma das quatro sedes do evento. O projeto geral dos dois aeroportos começou em março de 2008. Porém, até agora, apenas R$ 57 milhões foram contratados, isto é, irrisórios 2,9% sobre o valor global. Já a execução chegou a R$ 750 mil, ou 0,04% do previsto.

A situação na capital paulista se torna mais grave porque para a ampliação do sistema de pistas e pátios são necessárias algumas desapropriações que, segundo a CGU, “não estão definidas”.

Das 12 cidades sedes com projetos da Infraero, três ainda não tiveram qualquer tipo de execução, pois nenhuma contratação para os serviços foi realizada: Porto Alegre, com investimentos previstos de R$ 345,8 milhões, Cuiabá, R$ 87,5 milhões e Salvador, R$ 45,1 milhões.

Avaliação

“Estamos com as obras atrasadas um ano e meio e isso é motivo de preocupação”, resumiu Antônio Othon Pires Rolim, secretário executivo do Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), que congrega 21 mil empresas do setor em todo o país. Segundo o dirigente, a cidade de Londres estará com suas instalações para as Olimpíadas de 2012 concluídas oito meses antes da abertura do evento, em julho. “Eles terão tempo para testar todos os setores e realizar o treinamento do pessoal no próprio local dos jogos”.

Para 2011, a direção da Sinaenco está planejando visitar as cidades-sedes da Copa de 2014 para uma avaliação do estágio das obras. “Vamos ao local, de cidade em cidade, para conversar com os governantes e vermos como poderemos contribuir com nossa futura presidente Dilma, a fim de que tenhamos tudo pronto a tempo”, disse Antônio Rolim.

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