Busca por tarifas aéreas mais baratas fica mais competitiva – Matéria do New York Times e UOL

14/02/2011 –

Busca por tarifas aéreas mais baratas fica mais competitiva

The New York Times

Jad Mouawad e Claire Cain Miller

  • Avião decola durante o pôr-do-sol, no aeroporto de Duesseldorf (Alemanha)

Com as companhias aéreas cobrando taxas de bagagem, assentos prioritários e acesso a salas de espera nos aeroportos, encontrar uma boa tarifa é apenas o ponto de partida. Os compradores de passagens precisam checar inúmeros sites para descobrir qual é o melhor negócio.

Agora, até esse processo está prestes a mudar, e a pressão vem de várias direções. As companhias aéreas querem ter um papel maior na forma como seus produtos são vendidos. O Google quer garantir seu espaço na busca de passagens aéreas. E novas companhias de tecnologia, como a Hipmunk e a Vayant, querem oferecer ainda mais opções de busca.

A maior pressão para transformar a compra de passagens online vem da American Airlines, que anunciou recentemente que quer deixar de usar os sistemas centrais de reservas que hoje oferecem informações sobre tarifas para agências de viagem online como Expedia e Orbitz, e, em vez disso, oferecer diretamente essas informações. Uma iniciativa como esta reduziria as taxas que a companhia paga para listar suas tarifas nos sites das agências de viagem, e daria um empurrão em suas finanças, prejudicadas por anos de queda nas tarifas.

Se a American ganhar – e por enquanto, isso não está certo uma vez que tanto a Expedia e a Orbitz retiraram as listas da American de seus sites – as companhias aéreas terão o controle sobre a busca de passagens. Segundo analistas, as companhais aéreas poderiam atrair os consumidores com ofertas ou descontos especiais, ou garantir que suas tarifas mais baixas apareçam apenas em alguns sites.

“No fim das contas, a American Airlines e outras companhias aéreas querem ter mais controle sobre sua relação de varejo com os consumidores”, disse Douglas Quinby, diretor sênior de pesquisa da PhoCusWright, uma empresa de pesquisa da indústria de viagens. “O setor está passando por uma mudança fundamental para de fato repensar a experiência dos consumidores.”

Mas alguns analistas dizem temer que as mudanças podem restringir a possibilidade de os passageiros compararem tarifas, e permitir às companhias aéreas aumentarem os preços com mais facilidade.

“Já estamos num mundo de uma complexidade incrível na compra de passagens aéreas”, disse Charlie Leocha, defensor dos direitos dos consumidores, que coordena a Aliança de Consumidores de Viagens. “Os consumidores podem ter ainda mais dificuldades para navegar por todas as tarifas.”

O novo mundo da busca de viagens online é, em parte, resultado da complexidade cada vez maior das próprias passagens aéreas. Quando a tarifa incluía tudo, não importava muito se as ofertas das companhias aéreas estavam listadas uma ao lado da outra num site de agência de viagem. Mas agora, as companhias aéreas veem essas comparações lado a lado como uma disputa pelo menor denominador comum.

“As companhias aéreas dizem: ‘eu não quero que as pessoas comprem baseadas no preço; quero que comprem baseadas no serviço’”, diz Henry Harteveldt, analista de viagem do Forrester Research. “Mas o consumidor está dizendo: ‘os aviões são iguais, os assentos são iguais, eu só quero o melhor preço’.”

Ou como explica Cory Garner, diretor da estratégia de distribuição da American Airlines: “estamos deixando um mundo onde os produtos das companhias aéreas são vistos como mercadorias. Podemos competir em nossas tarifas e horários, mas também em nossos serviços.”

Executivos das companhias aéreas dizem acreditar que podem se distinguir de seus concorrentes introduzindo uma variedade de novos serviços pagos. E argumentam que podem personalizar melhor suas ofertas se tiverem mais controle sobre a busca de passagens. Uma família de quatro pessoas pode, por exemplo, ganhar abatimento na taxa de bagagem; uma empresária durante uma curta estadia em Chicago, por outro lado, pode receber a oferta de uma passagem que inclui embarque prioritário.

De certa forma, as companhias estão apenas se atualizando naquilo que outros setores, incluindo varejistas, têm feito há anos. A Amazon oferece recomendações a seus compradores baseadas no que outras pessoas compraram, numa tentativa de aumentar as vendas. A Netflix faz o mesmo com recomendações de filmes.

“As companhias aéreas não querem que as pessoas façam comparações para comprar”, disse George Hobica, especialista no setor de viagens e fundador do Airfarewatchdog.com. “Elas querem construir uma relação de lealdade com a marca.”

As agências de viagem estão hesitantes em relação ao custo de mudar seus sistemas de tecnologia, e argumentam que as mudanças que a American propõe poderão acabar reduzindo as escolhas dos consumidores. A Orbitz e a Expedia resistiram à iniciativa da American até agora, assim como os sistemas globais de distribuição, nome dado pelo setor às empresas que fornecem dados para as agências de viagem online.

A iniciativa da American vem num momento de questionamento mais amplo no mundo das buscas online.

“Muitas dúvidas e muitas suspeitas vieram à tona sobre a imparcialidade e amplitude dos atuais motores de busca”, disse Arthur Frommer, criador da série de guias de viagem Frommer, em seu blog.

O plano do Google para comprar a ITA Software, uma companhia de Cambridge, Massachusetts, que faz o software usado por muitas companhias aéreas e agências de viagem online para comparar tarifas e horários, também pode estremecer as buscas online.

O Google diz que quer desenvolver um tipo de busca de voos mais avançada do que a que está atualmente em uso. Segundo a empresa, com a nova busca os viajantes poderiam escrever que querem ir para um lugar quente, que aceite crianças, em março, por menos de US$ 300 – e o Google apresentaria as opções.

O Google diz que não planeja vender passagens aéreas, mas apenas desenvolver um mecanismo de busca de voos semelhante ao Bing Travel da Microsoft, que envia os compradores para os sites das próprias companhias ou para sites de agências de viagem online.

Mas os planos do Google preocuparam as empresas de busca de viagens já estabelecidas, incluindo Microsoft, Kayak e Expedia, que se reuniram para impedir o negócio. Elas temem que o Google use sua posição para restringir as informações de voo para os outros sites, ou mostre apenas seus próprios resultados acima dos links para outros sites de viagens, de acordo com o FairSearch.org, grupo criado pelos oponentes da fusão. E se mais pessoas buscarem por voos no Google, o mecanismo de busca poderia cobrar mais pelos anúncios das companhias aéreas, resultando em preços mais altos para os consumidores, disse Robert Birge, porta-voz do grupo e chefe de marketing da Kayak.

O Google disse que planeja continuar a licenciar os dados da ITA para os outros sites. Enquanto isso, a aquisição está amarrada em investigações antitruste, e o Departamento de Justiça deve decidir em breve se dará permissão para a negociação.

Ao mesmo tempo, outros sites de tecnologia veem nisso uma nova oportunidade de negócio.

A Vayant, uma startup de tecnologia, planeja competir com a ITA fazendo software para empresas que operam sites de busca de viagens, como companhias aéreas e agências de viagem online. A Vayant personaliza os resultados – mostrando passagens de classe executiva para alguém que pareça ser um viajante executivo porque estar planejando uma viagem curta de último minuto, por exemplo – e mostrando itinerários que combinam companhias aéreas, disse Brian Clark, seu diretor-executivo.

O Hipmunk, um novo mecanismo de busca de viagens, usa o mesmo software da ITA que a Kayak e a Orbitz, mas os resultados são apresentados de forma diferente. Em vez de mostrar uma lista de voos em várias páginas, ele os mapeia com base no horário do dia, todos numa página. E em vez de classificá-las apenas por preço e horários, ele as lista baseado na “agonia”, uma classificação que criou baseada em coisas como preço, duração do voo e número de escalas.

“Nós estamos reconhecendo que há muitas escolhas por aí”, diz Adam Goldstein, que ajudou a fundar o Hipmunk depois de se formar no MIT no verão passado.

Tradução: Eloise De Vylder
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