Governo francês nega ter localizado caixas-pretas do voo 447

Governo francês nega ter localizado caixas-pretas do voo 447

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11-4-2011

ANA DANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS

O BEA (Birô de Investigações e Análises), do governo francês, responsável pela investigação sobre o acidente com o voo Rio-Paris que caiu em 2009, matando 228 pessoas, negou nesta terça-feira que a equipe de buscas tenha localizado as caixas-pretas do avião.

“Não há caixa-preta ainda, em absoluto”, afirmou comunicado do órgão.

A informação sobre a localização foi dada mais cedo pelo presidente da Associação das Famílias das Vítimas do Voo 447 da Air France, Nelson Faria Marinho.

Ele disse que recebeu a informação durante reunião com os parentes das vítimas e com o BEA ontem, em Paris. O Ministério dos Transportes francês, ao qual pertence o BEA, disse que não houve essa discussão na reunião.

BUSCAS

A equipe de buscas aos destroços do voo 447 encerrou as operações submarinas na sexta-feira (8). O BEA divulgou na semana passada as primeiras imagens dos destroços. De acordo com o órgão, foram localizados partes do motor, fuselagem, asas e do trem de pouso do Airbus A330-203.

Divulgação/BEA
Parte do motor do Airbus A330 que fazia o voo 447 da Air France que caiu em 2009 com 228 pessoas

A ministra francesa dos Transportes, Nathalie Kosciusko-Morizet, confirmou a presença de corpos dentro de uma grande parte da fuselagem. Os trabalhos para o resgate das peças e corpos devem começar no dia 21 de abril, sob responsabilidade da empresa americana Fênix.

Ao anunciar a localização dos primeiros destroços, Kosciusko-Morizet afirmou que esperava “localizar rapidamente as caixas-pretas” do Airbus, um dos principais objetivos da missão e fundamentais para esclarecer as causas da tragédia.

“Se não foram destruídas no choque, existem a possibilidade de que funcionem”, disse Jean Paul Troadec, diretor do BEA, na ocasião. Ele afirmou que a localização dos destroços também permitirá precisar a trajetória final da aeronave.

O BEA lançou no dia 22 de março a quarta fase de buscas para encontrar os destroços do voo 447, e iniciou os trabalhos de campo alguns dias depois. A terceira fase das buscas terminou em maio de 2010, sem sucesso.

Desta vez, foram usados três submarinos robôs do modelo Remus –dois da fundação americana Waitt e um do instituto alemão Geomar. Com quatro metros de comprimento e pesando 800 kg, ele são capazes de chegar a 4.000 metros. Os destroços foram localizados a uma profundidade de cerca de 3.900 metros ao norte da última posição conhecida do avião.

As buscas deveriam cobrir uma área de 10 mil km2. De acordo com o birô francês, a operação foi calculada em 12,5 milhões de dólares (R$ 20,2 milhões), pagos pela Airbus e Air France. O resgate das peças será financiado pelo governo francês.

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