Resgate do 447: Há 50 corpos no fundo do mar

10/05/2011-15h52

Corpos do voo 447 muito degradados ficarão no mar

 

DA FRANCE PRESSE

Os corpos das vítimas do voo 447 que estiverem muito degradados não serão resgatados, decidiram dois juízes de instrução franceses, segundo uma carta enviada às famílias das vítimas à qual a agência France Presse teve acesso nesta terça-feira.

“Para preservar a dignidade e o respeito das infelizes vítimas e daqueles que as choram, tomamos a decisão de não retirar os corpos muito alterados”, indicam os juízes parisienses Sylvie Zimmermann e Yann Daurelle.

Devido a essa decisão, “decidiu-se retirar apenas dois corpos em diferentes estados de conservação com o objetivo de determinar se podem ser identificados ou não depois de terem permanecido tanto tempo no fundo do oceano”, segundo os magistrados.

No final de semana passado, dois corpos de vítimas do voo Rio-Paris da Air France, que caiu no Atlântico em junho de 2009, foram recuperados entre os restos do avião, a uma profundidade de 3.900 metros.

“Ao contrário de algumas declarações públicas divulgadas por alguns meios, devem saber que os restos mortais das vítimas que estão no fundo estão inelutavelmente em um estado degradado após o choque particularmente violento, devido ao tempo transcorrido e ao entorno”, prosseguem.

Os magistrados insistem também no fato de que “a retirada para a superfície é necessariamente mais um fator para a degradação”.

“Em consequência disso, só resgataremos as vítimas que possam ser entregues de forma decente às famílias, com a condição de que possam ser identificadas”, advertem.

O voo 447 caiu no oceano Atlântico em 1º de junho de 2009 com 12 tripulantes e 216 passageiros –todos morreram no acidente.

Os restos mortais resgatados estão sendo levados a bordo do navio francês Ile de Sein, e serão transportados para Paris na próxima semana. Segundo a polícia francesa informou, os corpos serão encaminhados a um laboratório de análise a fim de determinar a possibilidade de realização do DNA.

“É difícil por que os corpos estão bem preservados no fundo do mar por conta da pressão e da temperatura, mas trazê-los para cima para águas mais quentes provoca a decomposição”, afirmou um porta-voz da polícia francesa.

Na ocasião da tragédia, cerca de 50 corpos foram resgatados do oceano, sendo que 20 eram de brasileiros –12 homens e 8 mulheres.

As causas do acidente com o Airbus A330 podem ser esclarecidas após a análise das duas caixas-pretas recuperadas domingo (1º) e segunda-feira (2).

O primeiro mergulho do robô em busca dos destroços do voo, localizados no começo de abril, foi realizada no dia 26 e durou mais de 12 horas.

 

Jornal O ESTADO DE S.PAULO
08 de maio de 2011

Resgate do 447: há 50 corpos no fundo do mar
O Estado de S.Paulo

Em reportagem na capa de sua revista dominical, o New York Times revela como foi o momento em que equipes de busca do voo 447, que caiu no Atlântico em 31 de maio de 2009, descobriram 50 corpos no fundo do mar. Também especula sobre a possibilidade de os pilotos terem tentado pousar o avião no oceano. Muitos passageiros ainda poderiam estar vivos no momento em que a aeronave atingiu o mar, segundo especialistas consultados pelo jornal. Alguns deles podem ter sobrevivido por até 12 horas – o resgate chegou em 13 horas. O jornal ainda cita uma série de falhas que podem ter contribuído para a tragédia.

Jornal Folha de São Paulo
São Paulo, sábado, 07 de maio de 2011
AIR FRANCE
Resgate de corpos de vítimas do voo 447 terá reforço

DA EFE – A equipe que realiza o resgate dos corpos das vítimas do voo 447 da Air France, que caiu em 2009 no Atlântico, matando 228 pessoas, receberá reforços ainda este mês.
A polícia francesa, encarregada do resgate, afirmou em comunicado que o navio Ile de Sein vai receber cerca de dez novos especialistas no dia 20.
Atualmente, oito policiais franceses estão no navio. A equipe de reforço vai ajudar na análise dos corpos e restos mortais recolhidos, inicialmente por duas semanas.
Os policiais já submeteram os corpos resgatados a testes para determinar se é possível sua identificação pela análise de DNA, mas os resultados não foram divulgados. De acordo com a polícia francesa, é possível que os exames não permitam a identificação, devido à deterioração dos corpos.
Anteontem, a polícia informou que o primeiro corpo foi içado à superfície após permanecer quase dois anos a uma profundidade de 3.900 metros. O segundo corpo foi resgatado na manhã de ontem.

Jornal O Globo
09/05/2011

Voo 447: resgate entra na fase mais complexa
Especialista americano estima que ainda existam dezenas de corpos nos destroços
Victor Costa

Mesmo com o sucesso do resgate das caixas pretas e de dois corpos que estavam nos destroços do voo 447 da Air France, a operação para retirar do fundo do Oceano Atlântico os restos mortais de outros passageiros entra agora em sua fase mais complicada. Essa é a avaliação do americano Mike Purcell, chefe da missão que encontrou o destroços do Airbus A330. Em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, Purcell, lembrou que todo o trabalho é feito por equipamentos controlados da superfície:

— Teremos o imenso trabalho de içar os corpos das vítimas para a superfície. Nunca foi divulgado quantos ainda estão lá, mas se sabe que são, pelo menos, algumas dezenas. Esse é um trabalho muito delicado e delicadeza é algo que um robô não tem.

O voo 447, que fazia a rota entre o Rio e Paris, caiu no Oceano Atlântico na noite de 31 de maio de 2009. matando 228 pessoas, incluindo 58 brasileiros, entre passageiros e tripulantes. Nos dias seguintes à tragédia, 51 corpos foram encontrados na superfície, além de um grande pedaço do leme do Airbus.

No dia 3 de abril, quase dois anos depois do acidente, um robô submarino controlado por especialistas americanos localizou, a uma profundidade de 3.900 metros destroços do avião, incluindo corpos.

Na entrevista ao “Fantástico”, Purcell revela que, no dia da descoberta, ondas fortes quase levaram o submarino. Com essas condições era inviável içar o robô, e a equipe se limitou a acompanhá-lo do barco.

Com os destroços localizados, entrou em ação o robô Remora 6000, que possui braços mecânicos e uma cesta. O trabalho é dificultado pelo relevo do local, conhecido como Cordilheira Meso-Oceânica e tem um desenho de uma cadeia de montanhas. A temperatura da água não passa dos 2 graus, o que ajudou a conservar os corpos.


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