"Emergência pode ter tirado controle dos pilotos", diz perito sobre acidente com o voo 447

18/05/2011 – 18h00

“Emergência pode ter tirado controle dos pilotos”, diz perito sobre acidente com o voo 447

Andréia Martins
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Para o especialista em acidentes aéreos Roberto Peterka, perito que atuou no caso do acidente envolvendo um avião da Gol e um jato Legacy, em setembro de 2006, a teoria apresentada pelo jornal francês “Le Figaro”, de que o acidente com o Airbus 330 da Air France, em 31 de maio de 2009, foi decorrente de uma falha humana, é possível. Mas para ele, a situação de emergência pode ter tirado o controle dos pilotos.

Franceses divulgam novas imagens de caixa-preta do voo AF 447

Foto 3 de 20 – 02.mai.2011: Cesta de metal é usada para remover caixa-preta do voo AF447. Os investigadores franceses só deverão descobrir nos próximos 15 dias se os dados da caixa-preta encontrada no domingo, do voo AF 447 da Air France, poderão ser extraídos e analisados, segundo o Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês), que apura as causas da queda do avião no Atlântico, em 2009 Mais Johann Peschel/BEA/Reuters

Nesta terça-feira, o jornal francês “Le Figaro” voltou a publicar um artigo em sua página na internet sobre o tema. Citando uma fonte do governo francês, o jornal voltou a defender que, segundo as primeiras avaliações de uma das caixas-pretas, o que provocou o acidente que matou 228 pessoas não foram falhas no sistema da Airbus, e sim o erro da tripulação.

“Falhas humanas vão aparecer, com o tempo, em cada caso de acidente aéreo”, diz Peterka. Ele diz que a versão adiantada pelo jornal francês é “possível”, mas é preciso deixar claro que isso não implica dizer que os pilotos tiveram a intenção de errar.

“O erro humano sempre vai acontecer, mas nesse caso, é preciso dizer que a tripulação, se errou, não agiu com intenção. Houve uma situação de emergência, uma sucessão de problemas no sistema que fugiu do controle dos pilotos”, diz Peterka.

O perito afirma que o Airbus 330 é, em termos tecnológicos, o avião mais inteligente do mercado, que praticamente, “executa sozinho um voo”.

Sobre a investigação, Peterka acredita que o fato de técnicos da empresa participarem da investigação não compromete o caso.

“É normal chamar o fabricante em casos como este. É importante lembrar que o BEA (sigla em inglês para o Escritório de Investigação e Análise para a Aviação Civil, encarregado de investigar o caso), assim como o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáutico), no Brasil, não têm finalidade criminal, ou seja, eles não procuram culpados, apenas investigam o que aconteceu”, diz Peterka.

Para ele, apesar do tempo passado embaixo d’água, é bem provável que as informações contidas nas caixas-pretas estejam intactas e forneçam as informações necessárias para descobrir as causas do acidente.

Ontem, as informações divulgadas pelo “Le Figaro” foram criticadas pelo BEA, pelos familiares das vítimas e também pelo Sindicato Nacional dos Pilotos de Linha francês (SNPL).

Em nota, o sindicato disse “repudiar as informações divulgadas horas depois das primeiras leituras dos registros” e quenão aceita que os pilotos mortos nesta catástrofe sejam jogados à opinião pública antes de uma análise exaustiva de todas as causas do acidente”.

Nesta quarta-feira, a direção-geral da polícia militar francesa informou que os resultados dos testes para extrair o DNA das duas vítimas resgatadas do voo AF 447 da Air France são positivos, o que irá permitir a identificação dos corpos e também a continuidade das operações para retirar novos restos mortais do Atlântico. A Justiça francesa havia informado às famílias das vítimas na semana passada que se os corpos não pudessem ser identificados, não haveria novos resgates.

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