Companhia homenageou os pilotos, que lutaram às escuras para salvar aeronave

ESTADO DE S.PAULO
27 de maio de 2011 | 20h 12

Air France reconhece falha em avião e elogia tripulação
Companhia homenageou os pilotos, que lutaram às escuras para salvar aeronave
Andrei Netto – O Estado de S. Paulo 

PARIS – Foram necessários dois anos para que a Air France se rendesse a uma evidência de primeira hora sobre o voo AF-447: as sondas de velocidade Thales AA estavam mesmo na origem do acidente. O reconhecimento veio nesta sexta-feira, 27, em nota publicada após a revelação do relatório preliminar do BEA. Nela a companhia descreve o congelamento dos sensores como “o evento inicial”.

Lê-se na carta, que se refere ao relatório do BEA: “Esta descrição dos fatos se substitui às hipóteses emitidas há dois anos. Nela fica estabelecido que a tripulação seguiu a evolução meteorológica e efetuou um desvio de rota, que a pane das sondas de velocidade é o evento inicial que causa a desconexão do piloto automático e a perda das proteções de pilotagem associadas, e que o avião perde sustentação em alta altitude”.

A Air France ainda faz uma homenagem aos pilotos. “Fica estabelecido também que o comandante (Marc Dubois) rapidamente interrompeu seu repouso para retornar ao posto de pilotagem. A tripulação, reunindo competências dos três pilotos, provou seu profissionalismo e procedeu até o fim sua conduta do voo e a Air France deseja lhes render homenagem”, diz a nota, que pede “serenidade” e “rigor” até o fim das investigações do BEA.

A companhia afirma ainda que “o construtor (Airbus) e a companhia (Air France) tomaram as medidas necessárias para evitar a repetição de tal acidente”. Nesse trecho, a nota se refere à substituição das sondas Pitot de marca Thales AA por modelos da marca Goodrich, o que se tornou uma determinação das agências internacionais de segurança do voo.

Por seu lado, a Airbus foi muito mais econômica nos comentários, limitando-se a afirmar em nota que “o trabalho do BEA constitui um passo significativo”.

O construtor europeu já enfrenta questionamentos quanto à engenharia de seus aviões, em especial sobre sua aviônica. As dúvidas dizem respeito ao sistema “fly-by-wire”, que equipa os modelos Airbus A320, A330, A340 e A380. Diante desse sistema, os pilotos são incapazes de assumir o papel dos computadores em uma emergência.

Esse sistema faz com que parte das superfícies de controle de voo situadas na asa e na cauda do avião “não sejam acionados diretamente pelos controles dos pilotos, mas por um computador que calcula exatamente quais as superfícies de controle são necessárias para tornar a que a aeronave responda como o piloto deseja”, segundo a própria definição da Airbus. A justificativa para a adoção do sistema é a “redução considerável no tempo e nos custos de treinamentos de pilotos e tripulação”.

Em 1998, Pierre Baud, então vice-presidente da Airbus Industries, chegou a afirmar: “Treinamento específico não é necessário para aviões protegidos por Airbus Fly-by-wire”.

Os detratores da Airbus, entretanto, não devem se empolgar com os aviões Boeing. Modelos 777 e os futuro 787 Dreamliner serão equipados com o mesmo sistema, que não fazia parte da engenharia de aviões mais antigos, como Boeing 747 e McDonnell Douglas DC-10s, todos dois equipados com controles hidráulicos.

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