Especialistas elogiam decisão brasileira de privatizar aeroportos – Matéria do jornal Financial Times

02/06/2011 –

Especialistas elogiam decisão brasileira de privatizar aeroportos

Financial Times

Samantha Pearson, em São Paulo

  • Parceria do governo com empresas privadas deve melhorar administração de aeroportos brasileiros

O governo do Brasil confirmou que deixará que companhias privadas administrem três dos principais aeroportos do país por meio de acordos de concessão. O anúncio foi feito em um momento no qual o Brasil procura melhorar o seu sistema de transportes antes da Copa do Mundo e das Olimpíadas, dois eventos que serão em breve sediados pelo país.

Em uma reviravolta ideológica, o Brasil acabará com o monopólio estatal sobre esse setor, criando dispositivos com propósito especial para o gerenciamento e a expansão dos principais aeroportos em São Paulo e em Brasília, a capital do país.

A Infraero, a operadora estatal de aeroportos, só poderá ter uma participação acionária máxima de 49% nas novas entidades, e as ações restantes serão leiloadas para companhias privadas segundo regras que deverão ser reveladas em dezembro, segundo anunciou o gabinete da Presidência do Brasil no final da última terça-feira.

“Este é sem dúvida um passo positivo à frente”, afirmou Otávio Augusto Martins Nese, presidente do escritório em São Paulo da organização Project Management Institute. “As nossas principais estradas são administradas pelo setor privado e elas funcionam muito bem. Se elas estivessem nas mãos do governo, os investimentos necessários simplesmente não teriam sido feitos”.

Salários mais altos e um maior acesso ao crédito provocaram um crescimento explosivo das viagens aéreas domésticas, enquanto as condições de investimento atraentes que predominam têm atraído uma grande quantidade de estrangeiros que viajam de avião a negócios para o Brasil. Esses fatores provocam uma enorme pressão sobre os aeroportos brasileiros, que se encontram em péssimo estado.

“O aumento da demanda tem sido enfrentado com investimentos insuficientes e atrasados”, afirma Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias. “Por causa disso, contratos de negócios são perdidos, e existe mais desconforto e filas mais longas do que o normal”.

Em São Paulo, os viajantes estrangeiros são frequentemente aconselhados a chegar ao aeroporto com quatro horas de antecedência, e os cancelamentos de voos são comuns, o que faz com que o aeroporto da cidade seja o calcanhar de Aquiles de um dos destinos empresariais mais promissores do mundo.

A perspectiva de que cheguem ao Brasil até um milhão de visitantes para a Copa do Mundo de 2014 e ainda mais para as Olimpíadas de 2016 fez com que aumentasse a sensação de urgência para reformar o setor e acelerar a sua expansão.

Em abril, o governo também anunciou planos para expandir a propriedade estrangeira das companhias aéreas domésticas para 49%, na primeira grande reforma promovida pela presidente tecnocrata do Brasil, Dilma Rousseff.

O governo também anunciou na terça-feira que está cogitando privatizar parcialmente o aeroporto internacional do Rio de Janeiro e o principal aeroporto de Minas Gerais, um Estado brasileiro rico em minérios.

Embora a decisão de criar parcerias entre os setores público e privado para a administração dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos no Estado de São Paulo, e o aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, tenha sido bem recebida de forma geral, alguns indivíduos advertiram que o governo deveria ir ainda além no que se refere às suas medidas no setor.

“A Infraero ainda poderia contar com 49% do controle sobre os aeroportos, e essa é uma parcela substancial”, disse Martins Nese, do Project Management Institute, acrescentando que a solução ideal seria conceder o gerenciamento total ao setor privado, conforme ocorre em outros países, como os Estados Unidos.

A decisão de permitir que a Infraero seja uma acionista fundamental poderia também afastar as companhias privadas, que poderiam relutar em fazer negócios com uma entidade estatal que já adquiriu uma reputação de ineficiência e de atuar segundo critérios políticos, acrescentou Richard Dubois, um profissional do setor de infraestrutura da PwC em São Paulo. “Isso fará com que o sistema se torne muito burocrático e complicado para se administrar. Até mesmo para comprar um simples lápis é necessário apresentar uma justificativa ao Estado.

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