Overbooking – Fusão Gol Webjet

Jornal do Brasil
10/07/2011 – 12:58

Overbooking – Fusão Gol Webjet
Enviado por: marceloambrosio

A anunciada compra da Webjet pela Gol reforça o argumento daquela parte do mercado que acredita que o Brasil terá um setor de aviação civil comercial forte se houver um duopólio – embora a Azul esteja aí para atrapalhar essa conta, e a Trip também, por sinal. Mas em termos de majors, a disputa no varejão do transporte deve se concentrar entre TAM e GOL. Mas acredito que essa fusão não trará muitas novidades para quem precisa voar como se imagina. Em primeiro lugar porque é uma soma onde 1+1 é sempre igual a 1,5.

Assim, onde houver superposição de malhas, evidentemente uma opção será extinta- não se concebe em lugar algum que a mesma companhia, com duas bandeiras, concorra no mesmo horário. Pelo que sei, a Webjet tem muitos horários e voos no eixo Rio, SP, Brasília, Salvador: nesse caso, imagino, a vantagem da Gol pode ser mais opções no eixo onde tem um volume grande de demanda, nem sempre atendida a contento. Porém essa vantagem sempre será menor, para o passageiro, que a soma das frequências anteriores.

Outro ponto que considero relevante: equipamento e pessoal. No caso da Webjet, sei que a companhia mantinha uma política de preços melhor para o passageiro – era efetivamente baixo custo e baixa tarifa, ao contrário da Gol – em função, entre outras coisas, de um menor lastro financeiro associado à operação de suas aeronaves. Os 737 antigos usados pela verde limão provinham de leasing e possuiam, em tese, custos menores por já terem seu valor de produção amortizado – frota antiga tem essa conveniência para a empresa. Quem voou nesses aviões percebeu, por exemplo, que alguns dos letreiros e avisos internos ainda traziam linguagem impressa de outros países onde haviam voado.

Com a união das empresas e dado o fato de que a política da GOL é de só usar aviões novos – não à toa tem pouco mais de 30% do capital em mãos de uma das maiores companhias do mundo no setor – é possível imaginar que essa frota mais caduca será devolvida, com o aproveitamento por parte da compradora apenas dos slots mais vantajosos. Possívelmente talvez se possa usar parte deles como backup da própria frota principal, em casos de emergência, evitando atrasos em cascata que costumam passar de um dia para o outro – cheguei a enfrentar isso algumas vezes com um voo que vinha de Brasília para o Rio no sábado pela manhã, cuja aeronave se deslocava a partir de Manaus – bastava o aeroporto lá estar fechado que o dominó começava a cair.

Em períodos de maior demanda, a GOL costuma ter problemas com falta de tripulação por excesso de horas trabalhadas no mês e a aquisição da Webjet poderia ser uma saída para deslocar parte desse pessoal na cobertura dessas folgas. E melhor, poderia liberar parte do seu time para atendimento aos voos charter que a empresa tem para o Caribe – fonte de muitos dos problemas de saturação que enfrentou esse ano.

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