Juiz aceita denúncia contra Anac e TAM por tragédia de 2007

São Paulo, sábado, 16 de julho de 2011

Juiz aceita denúncia contra Anac e TAM por tragédia de 2007 

Ministério Público diz que acusados contribuíram para acidente em Congonhas que deixou 199 mortos

Foram denunciados ex-diretora da agência e dois ex-dirigentes da empresa; todos negam as acusações

DE SÃO PAULO

A Justiça Federal aceitou ontem a denúncia contra a ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu e dois ex-diretores da TAM.
Eles são acusados pelo Ministério Público Federal de falhas que contribuíram para o acidente com um Airbus da TAM no aeroporto de Congonhas, no qual 199 pessoas morreram. A tragédia, em 17 de julho de 2007, completará quatro anos amanhã.
O juiz Márcio Guardia, substituto da 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo, deu dez dias para os réus apresentarem defesa. O prazo começa a contar a partir da data em que forem notificados.
Se condenados, podem pegar até 12 anos de prisão, por crime de atentado à segurança do transporte aéreo.
Além de Denise Abreu, foram denunciados Alberto Fajerman, à época vice-presidente de operações da TAM, e Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, diretor de segurança de voo. Fajerman hoje é diretor da Gol; Castro virou piloto da TAM.

“IMPRUDÊNCIA”
Segundo a Procuradoria, os três agiram com “negligência” e “imprudência”.
Quatro meses antes do acidente, Denise foi à Justiça para liberar operações em Congonhas, suspensas após derrapagens na pista molhada. Apresentou, como se estivesse em vigor, norma ainda não válida que restringia as operações sob chuva.
Os ex-diretores da TAM são acusados de saber, antes do acidente, do risco de operar sob chuva e não tomar providências nem informar corretamente as tripulações da empresa.
A defesa dos réus diz que a denúncia é improcedente.
O Airbus A-320 da TAM não conseguiu parar a tempo na pista de Congonhas após aterrissar e se chocou contra um posto de combustível e um prédio da própria TAM, na avenida Washington Luís.
Relatório da Aeronáutica levantou duas hipóteses para o acidente: erro do piloto ou do sistema de controle de potência dos motores.
Falta de área de escape em Congonhas e treinamento insuficiente dos pilotos foram considerados fatores contribuintes para a tragédia.

 

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