Jornal traz diálogos não divulgados de pilotos do 447, que não desviaram de tempestade

05/08/2011 – 15h54

Jornal traz diálogos não divulgados de pilotos do 447, que não desviaram de tempestade

Gérard Bon
Em Paris

Gravações contidas nas caixas-pretas e que não foram divulgadas ao público revelam que os pilotos do voo Rio-Paris não modificaram a rota do avião apesar de entrarem em uma região com condições meteorológicas adversas, escreveu o jornal francês “Le Figaro”, que circulará no sábado.

Segundo o jornal, essas informações não foram divulgadas para proteger a Air France e os tripulantes e também porque elas não explicam o drama ocorrido no dia 1 de junho de 2009 e a queda do avião no Atlântico provocando 228 mortes.

Apesar de todos os aviões presentes naquela zona terem optado por modificar a rota para evitar uma região de cúmulos nimbus (nuvens pesadas), o comandante a bordo do vôo AF 447 disse a seu colega: “Não vamos nos deixar chatear pelos cunimbs”, relatou o “Le Fígaro”.

Os “cunimbs” são os cúmulos nimbus carregados de gelo capazes de provocar o congelamento das sondas de velocidade Pitot. O AF 447 modificou sua trajetória em 12 graus apenas ao se aproximar de um fenômeno meteorológico. Seria muito tarde para evitá-lo.

De acordo com o jornal, vinte minutos antes do acidente, o comandante de bordo anunciou: “Vai ter turbulência quando eu for me deitar”. Depois, no momento em que deixa o cockpit, diz: “Bem, vamos lá, estou fora”. O comandante, portanto, teria se deitado um pouco antes sabendo das turbulências que marcariam o início do drama.

A polêmica desencadeada pelos pilotos sobre o último relatório do Escritório de Investigação e Análise (BEA) “é, portanto, mal recebida pelos membros do BEA, que garantem não privilegiar nem a Air France nem a Airbus”, ressalta o “Le Figaro”.

O anúncio feito pela imprensa de que o BEA eliminou uma parte que fazia referência a possíveis disfunções derivadas do modo de funcionamento do alarme de queda livre, relançou no início da semana a guerra entre os atores do dossiê, com implicações para a Aeronáutica.

Diante das críticas ao BEA, suspeito de querer preservar a construtora Airbus, o ministro dos Transportes, Thierry Mariani, defendeu na quarta-feira uma “investigação exemplar”.

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