Justiça bloqueia bens do piloto do helicóptero que caiu na Bahia

O Globo
18/08/2001
Justiça bloqueia bens do piloto do helicóptero que caiu na Bahia
Ação é movida por sogra de dono da construtora Delta, que perdeu duas filhas e dois netos no acidente, para garantir futuras indenizações
Carla Rocha
rocha@oglobo.com.br
 

● A Justiça mandou bloquear os bens de Marcelo Mattoso de Almeida, que pilotava o helicóptero que caiu em junho Sul da Bahia, matando o piloto e outras seis pessoas. A decisão foi tomada pelo juiz Gustavo Quintanilha, da 15a- Vara Cível, numa ação cautelar de Mara Jacobi Kfuri, mãe de duas vítimas do acidente, Jordana e Fernanda Kfuri, e avó de Lucas e Gabriel, filhos delas.

O pedido, noticiado por Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, visa a garantir recursos para o pagamento de futuras indenizações. Na semana que vem, o advogado João Tancredo, que, além de Mara, representa familiares de outras vítimas, vai entrar com uma ação por danos morais e materiais.

— O Marcelo estava com a licença de piloto vencida, fez um voo que não estava autorizado a fazer. Acreditamos que ele pegou o helicóptero na Lagoa porque lá não tinha fiscalização. Mas a aeronave partiu de Jacarepaguá, onde há fiscal. Alguém trouxe o helicóptero para ele, ainda não sabemos quem — diz Tancredo que se reunirá amanhã com parentes das vítimas.

Para que o bloqueio dos bens seja mantido, é preciso que a ação de indenização seja proposta em 30 dias. No helicóptero estavam ainda a babá das crianças, Norma Batista de Assunção, e a namorada do filho do governador Sérgio Cabral, Mariana Noleto. O grupo voava para o resort de luxo Jacumã, onde seria a festa de aniversário de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, uma das empresas que mais tem contratos com o estado. Cabral iria à festa.

Mara Jacobi é sogra de Cavendish, que era casado com Jordana. A queda da aeronave expôs a amizade entre o empreiteiro e Cabral. Entre 2007 e 2010, a Delta ganhou contratos de cerca de R$ 1 bilhão.

Na decisão, o juiz observa que, caso a medida não seja respeitada, será aplicada multa equivalente ao dobro do valor dos bens. As juntas comerciais do Rio e da Bahia foram avisadas, assim como bancos e a Receita Federal, que deverá fornecer as últimas cinco declarações de renda de Marcelo, que atuou como doleiro nos anos 90.

Há pessoas físicas e jurídicas citadas na ação. Pelo espólio de Marcelo, os filhos e a mulher dele, além das empresas do piloto, a First Class Group e a Blue Reef Empreendimentos Imobiliários. O Jacumã Ocean Resort, onde o piloto tinha imóveis, também é réu, e o bloqueio atinge o condomínio.

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