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Leilão de “sucatões” cobrirá menos de 1% da dívida da Vasp
Empresa tem 27 aeronaves abandonadas, avaliadas em, no máximo, R$ 50 mil cada uma; dívida trabalhista é de cerca de R$ 1,5 bilhão
Marina Gazzoni, iG São Paulo
19/08/2011 05:35

A venda das aeronaves da Vasp que estão abandonadas nos aeroportos brasileiros terá um impacto pequeno no bolso dos credores. Sem condições de voar e em péssimo estado de conservação, os 27 aviões da empresa viraram sucata e valem hoje entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, segundo laudo do avaliador judicial. Assim, na melhor das hipóteses, o leilão de todos os equipamentos renderá R$ 1,35 milhão.
O valor é pequeno se comparado à dívida da companhia aérea falida. Na época da falência, em 2008, o passivo foi estimado em R$ 3,5 bilhões. Até hoje, a questão está na Justiça e ninguém recebeu um tostão.

Cerca de 8.000 ex-funcionários entraram na Justiça para tentar receber sua parte de uma dívida trabalhista estimada em R$ 1,5 bilhão, de acordo com Vera Salgado, presidente da Associação dos Ex-empregados da Vasp.

As aeronaves da Vasp estão paradas em dez aeroportos brasileiros desde 2005, quando a companhia interrompeu os voos. Uma perícia feita em 2006 pelo escritório Jharbas Barsanti avaliava os aviões da empresa em R$ 16,8 milhões. De lá para cá, uma batalha na Justiça impediu que os equipamentos fossem vendidos. A falência da companhia foi decretada em setembro de 2008.

Falta de espaço nos aeroportos

A realização da Copa e da Olimpíada no Brasil deu à reforma dos aeroportos um caráter de urgência no Brasil. E a remoção dos chamados aviões-sucatas se tornou um pré-requisito para a realização das obras e o melhor aproveitamento da infraestrutura aeroportuária.

Hoje, existem 118 aeronaves paradas – de empresas falidas, particulares e até um modelo da Funai, de acordo com um levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em fevereiro deste ano, o CNJ lançou o programa Espaço Livre, que visa viabilizar a retirada das aeronaves paradas dos aeroportos brasileiros. A primeira remoção será na próxima terça-feira, no aeroporto de Congonhas. Há nove aeronaves da Vasp no local, mas só há autorização judicial para remover parte da frota. O número exato ainda não foi confirmado.

“A ação é benvinda, mas chegou tarde”, diz a ex-funcionária Vera Salgado. Para ela, se a iniciativa tivesse ocorrido anos antes, os credores poderiam conseguir valores maiores com o leilão. “Essas aeronaves estavam em operação quando a Vasp parou de voar. Agora, foram depenadas e só restou a sucata”, diz.

Além das aeronaves, os credores tentam confiscar outros bens do empresário Wagner Canhedo, dono da Vasp. A fazenda Piratininga, em Goiás, foi vendida por R$ 310 milhões em dezembro do ano passado, mas o empresário tenta recuperar o bem. A questão ainda está na Justiça.

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