Aviação executiva migra para Jundiaí

O Estado de S.Paulo

Aviação executiva migra para Jundiaí
A 60 km da capital, aeroporto da cidade vira opção mais barata e prática para empresários, diante das limitações de Congonhas
09 de outubro de 2011 | 3h 01
NATALY COSTA/ JUNDIAÍ – O Estado de S.Paulo

Com o esgotamento das pistas de Congonhas e do Campo de Marte, a aviação executiva em São Paulo está mudando de endereço: o Aeroporto de Jundiaí, a 60 km da capital. Com uma só pista e sem terminal, o número de passageiros e aeronaves triplicou em cinco anos e transformou o antigo aeroclube em uma opção viável para quem tem aviões de pequeno porte e helicópteros.

No ano passado, foram 78 mil pousos e decolagens em Jundiaí, mais que o dobro das operações de aviação executiva em Congonhas (34 mil) e 63% do movimento total do Campo de Marte. Pilotos, empresários e passageiros têm a mesma explicação: o Aeroporto de Jundiaí é perto e prático, fica aberto 24 horas e até o pernoite dos aviões particulares sai mais barato.

O Aeroporto de Congonhas – limitado a quatro operações por hora para jatos executivos e helicópteros – não comporta mais a demanda executiva. “Demora para autorizar o pouso, demora na fila da decolagem. Todo dia um avião tenta pousar em Congonhas, não consegue e segue para cá”, conta o piloto Antônio Vanderlei Gomes, que trabalha para um empresário paulistano que deixa o avião em Jundiaí.

A cidade não tem horário de pico, embora o sobe e desce de aeronaves fique mais visível nas manhãs e na sexta à tarde. Quando os aeroportos paulistanos fecham por causa de chuva e neblina, é para Jundiaí que os jatos convergem. “Se em São Paulo (o tempo) está ruim, aqui está bom”, diz a gerente do hangar da Colt Aviation, Raquel Reis.

Infraestrutura. O aeroporto não tem terminal. Uma pequena sala de espera – com não mais que 12 cadeiras – no galpão do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) quase não vê gente. Há cinco anos, esse número de assentos era o que bastava às 2,5 mil pessoas que circulavam ali nos 12 meses do ano.

Atualmente, para atender uma demanda anual de 19,6 mil passageiros, são os hangares que precisam fazer as vezes de terminal: têm ar condicionado, água, comida, sofá, revistas. As secretárias cuidam de providenciar o traslado da capital até o aeroporto. O número de hangares saiu de 19 em 2006 e passou para 27 neste ano. No local também funcionam duas escolas de aviação.

Muitas dessas empresas saíram de Congonhas, aeroporto em que a “hangaragem” custa o dobro do preço, e levaram a clientela para Jundiaí. “Além de pagar mais barato pela hangaragem, a cidade tem localização estratégica. O acesso é fácil para a capital e para o interior”, diz o empresário Wagner Pacífico.

Dono de uma companhia com sede na capital, Pacífico deixa o avião em Jundiaí. É algo cada vez mais comum, segundo o gerente comercial do hangar Japi, André Bernstein. “A maioria dos aviões é de São Paulo. Os hangares aqui já estão ficando cheios.”

Só há dois anos o aeroporto ganhou uma torre de controle, essencial para a operação por meio de instrumentos. Segundo o Daesp, responsável pela administração, foram gastos R$ 4,5 milhões em obras de 2008 para cá.sobe


O Estado de S.Paulo

 

Barulho de aeroporto atormenta vizinhança
Operação 24 horas incomoda moradores; segundo Daesp, nível de ruído é aceitável
09 de outubro de 2011 | 3h 01
JUNDIAÍ – O Estado de S.Paulo

Se para os usuários de jatinhos e helicópteros pousar em Jundiaí se mostrou uma opção confortável, quem mora nas proximidades do aeroporto – que fica a apenas 7 quilômetros do centro da cidade – tem de conviver com o incômodo do barulho dos aviões. Com uma agravante: lá o funcionamento é ininterrupto, 24 horas.

É um problema parecido com o de moradores de bairros da zona sul de São Paulo próximos de Congonhas, que opera das 6 horas às 23 horas. Os vizinhos brigam na Justiça para ter oito horas de sono. Querem que as operações do aeroporto seja das 7 horas às 22 horas, mas encontram resistência da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e das empresas do setor.

No Rio, a vizinhança da zona sul e do centro tanto reclamou que conseguiu: o procedimento de pouso no Aeroporto Santos Dumont começa a ser mais direto, sem tanto sobrevoo pelos bairros. A medida é do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e deve entrar em vigor ainda neste mês.

Um atrás do outro. Em Jundiaí ainda não há uma mobilização conjunta da vizinhança. As reclamações, porém, se propagam principalmente em bairros como Eloy Chaves e Jardim das Tulipas. A dona de casa Suzana Martins, de 52 anos, mora em um condomínio no bairro Eloy Chaves, às margens do aeroporto e bem na rota dos aviões.

“É um atrás do outro. Eles passam bem em cima dos prédios na subida e na descida, que são os momentos mais críticos de um voo”, relata a moradora.

Suzana afirma que foi impossível não notar, na prática, o crescimento do aeroporto, inaugurado nos anos 1940. “Mudou muito o perfil. Se antes você só via teco-teco e avião planador, hoje são grandes helicópteros e jatos de alta potência. Sei porque o barulho é muito maior.”

Vizinha de Suzana, a também dona de casa Vilma Brunor, de 56 anos, fica incomodada com o horário em que esses aviões passam mais. “À noite, o movimento é mais intenso, por volta das 23 horas.” Pilotos e donos de aeronaves explicam que é exatamente o horário em que Congonhas fecha e os aviões seguem para Jundiaí.

Na rota. Na casa do personal trainer Thiago de Sordi, contar os aviões que passam à noite já faz parte da rotina. “O barulho é tão forte que a gente até brinca: ‘esse vai cair aqui'”, diz. Para o funcionário público Daniel Leão, de 50 anos, o barulho existe, mas não chega a incomodar. “O problema é se vier avião grande para cá.”

Um “projeto de monitoramento de ruído do Aeroporto de Jundiaí” está em desenvolvimento pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), que administra as operações.

Segundo o órgão, um estudo sonoro feito na vizinhança indicou que o nível de decibéis está dentro dos parâmetros, mas ainda falta a análise da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), ligada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

O aeroporto tem ainda uma área resguardada para teste de motores – o que, segundo o Daesp, minimiza o barulho. A prefeitura de Jundiaí informa que “não há registro” nos canais de comunicação municipais sobre ruídos vindos do aeroporto. / NATALY COSTA

 

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