Webjet já trabalha no plano de renovação da frota

O Estado de S.Paulo

Webjet já trabalha no plano de renovação da frota
Segundo o presidente da aérea, mesmo antes da aquisição, companhia planejava trocar seus aviões por modelos Boeing 737-800, os mesmos usados pela Gol
19 de outubro de 2011 | 17h 22
Alexandre Rodrigues, da Agência Estado

RIO – Mesmo antes da concretização da fusão com a Gol, a Webjet já iniciou os estudos para a renovação de sua frota de 24 aviões, que poderá ser ampliada. A informação foi dada pelo presidente da companhia, Fábio Godinho, que participou da abertura da Feira das Américas, congresso da Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav), aberta nesta quarta-feira, 19, no Rio.

A Gol anunciou a aquisição da Webjet em agosto, um negócio de R$ 311 milhões, mas a formalização da fusão ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Um dos principais planos divulgados pela Gol no anúncio do negócio foi a renovação da frota da Webjet, que opera com aparelhos Boeing 737-300. Segundo Godinho, embora as duas companhias mantenham administrações completamente separadas até a decisão do Cade, já era intenção da Webjet renovar a frota.

A empresa, explicou Godinho, já tinha esse plano e tem condições financeiras de iniciar a troca dos aviões por modelos Boeing 737-800, os mesmos usados pela Gol, antes mesmo da fusão e dos investimentos da nova controladora. Godinho, que recebeu a visita do presidente da Gol, Constantino Júnior, no estande da Webjet na feira, disse ainda que o plano pode inclusive abrir espaço para o aumento da atual frota da companhia, mas não detalhou números.

“Essa renovação da frota é vantajosa porque os modelos 737-800 têm melhor arranjo do espaço interior porque tem poltronas mais finas. Não aumenta muito a capacidade, mas dá uma sensação maior de conforto aos passageiros”, diz Godinho, admitindo as vantagens do plano para a integração das operações com a Gol. No entanto, frisou, a Webjet mantém independência em relação à Gol, dando prosseguimento à sua estratégia. Ele citou como exemplo a abertura nesta semana de um posto de vendas na Central do Brasil, terminal rodoviário popular no Rio, que fazia parte de um projeto iniciado antes da aquisição da Gol.

Godinho admitiu que a reconsideração por parte de Constantino Júnior na intenção inicial de acabar com a marca Webjet após a fusão soou positivamente na equipe da companhia. A Gol agora diz que pretende manter as duas empresas separadamente, pelo menos no primeiro momento após a decisão do Cade.

“Claro que as pessoas se apegam ao nome da marca e a manutenção pode fazer diferença para elas. Mas o que estamos mesmo preocupados é em entregar o valor econômico que a Webjet tem sido capaz de manter nos últimos anos, com crescimento. Em setembro, tivemos nosso melhor resultado de vendas, 30% acima do último recorde, em janeiro”, comemorou Godinho. “A Gol e a Webjet tem culturas bastante semelhantes e isso é um fator em favor do sucesso da aquisição após a definição do Cade.”

Constantino elogiou a atual gestão da Webjet e reafirmou a intenção de mantê-la separada da Gol se a aquisição for aprovada no Cade, pelo menos no primeiro momento. E disse que a decisão não é apenas uma forma de tentar agradar o Cade. “É uma questão de negócio. A gente entende que a Webjet tem um papel, não tem programa de milhagem, tem características diferentes da Gol. Ela tem condições de continuar praticando tarifas competitivas, atraindo o seu público, que é um público mais sensível ainda a preço do que o da Gol”, disse Constantino Júnior.

“Vamos inovar e investir na Webjet naquilo que ela precisa. Ela tem muitas qualidades e nós temos condições de agregar mais valor a essas qualidades através da renovação da frota, da padronização, do suporte aos clientes no aeroporto e na possibilidade de codeshare (compartilhamento de voos).”

Iniciativas

O presidente da Gol, Constantino Júnior, disse hoje que a companhia está empenhada em diversificar as suas fontes de receita, dada a pressão de custos que o setor vem sofrendo. Segundo ele, a empresa está focada em ampliar para 15% do total o faturamento em iniciativas paralelas à venda de bilhetes, como a expansão da venda de bebidas e alimentação a bordo, o transporte de carga expressa e a venda de milhas para parceiros.

“Todas essas iniciativas devem representar hoje entre 9% e 11% da nossa receita. A ideia é elevar esse número até 15% nos próximos quatro a cinco anos”, disse Constantino.

Ele afirmou que a companhia está aumentando o número de voos em que os comissários venderão alimentos e bebidas quentes e alcoólicas. Atualmente, 85 rotas já têm esse processo, informou. O executivo afirmou que também está investindo muito no serviço de carga expressa, lançado há um ano e meio, que, segundo ele, já acumula crescimento de 30%.

A empresa não tem planos de cobrar taxas por bagagem, como têm feito aéreas estrangeiras, já que a legislação brasileira obriga uma franquia e essa medida causaria desconforto entre os passageiros, acrescentou.

“Aumento de custo gera necessidade de mais receita”, disse Constantino, que comemorou o crescimento acumulado de cerca de 18% da Gol este ano. No entanto, ele admitiu que já há uma desaceleração no movimento, acompanhando o freio no crescimento da economia, e que será difícil repetir tal desempenho no próximo ano. De qualquer forma, ele prevê um bom desempenho em relação ao crescimento do PIB.

(Texto atualizado às 17h43)

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