Chilena LAN quer usar o Brasil como plataforma para voos internacionais

Estado de S.Paulo
Chilena LAN quer usar o Brasil como plataforma para voos internacionais
Após união das operações com a TAM, plano da companhia é tentar canalizar os passageiros de cinco subsidiárias do grupo na América do Sul para o Brasil
17 de novembro de 2011 | 23h 00
Glauber Gonçalves, de O Estado de S. Paulo

RIO – A chilena LAN e a TAM se preparam para dar início a uma atuação agressiva no mercado de voos internacionais a partir do Brasil, após a conclusão da fusão entre as duas empresas, esperada para o ano que vem. O plano das companhias é tentar canalizar os passageiros de cinco empresas do grupo LAN na América do Sul para o Brasil, transformando o País numa espécie de plataforma para rotas internacionais.

“Espero que avancemos muito no mercado internacional a partir do Brasil”, disse nesta quinta-feira, 17, o presidente e diretor de operações da LAN, Ignacio Cueto, após participar de encontro realizado pela Associação Latino-Americana de Transporte Aéreo (Alta), no Rio. “Houve um grande avanço das estrangeiras no Brasil a que nós vamos poder responder”, acrescentou.

Além do Chile, hoje a LAN tem operações de passageiros na Argentina, Peru, Equador e Colômbia. Ainda não há decisões sobre rotas e frequências futuras, pois, de acordo com Cueto, as companhias precisam ter acesso a dados comerciais uma da outra para fazer esse planejamento, o que, legalmente, só pode ocorrer após a fusão.

A TAM confirma que atuará mais agressivamente nesse segmento após a concretização da Latam – empresa que surgirá com união das operações. Com a entrada em vigor dos acordos de Céus Abertos com a Europa e os EUA – a partir de 2014 e 2015, respectivamente -, que acabarão com a limitação a número de voos e escolhas de destinos entre o Brasil e essas regiões, a empresa espera estar fortalecida na Latam para bater de frente com gigantes internacionais.

O interesse das estrangeiras – e agora da Latam – tem uma explicação. O mercado brasileiro é um dos que mais cresce no mundo, com taxas de expansão de dois dígitos. Em 2010, só nas rotas internacionais operadas por empresas brasileiras, a demanda saltou 17,6% ante 2009, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Este ano, até setembro, a alta acumulada, na comparação com igual período de 2010, é de cerca de 14%.

“Como é que vamos brigar com esse povo todo que vai vir para cá? Todo mundo quer voar para o Brasil. Então, nos unimos à LAN e juntos temos 300 aviões”, disse o presidente da holding TAM, Marco Antonio Bologna. Além disso, as duas empresas têm mais 250 encomendas de aviões.

Segundo o último anuário da Anac, as aéreas estrangeiras foram responsáveis por 70% da movimentação entre o Brasil e os EUA e por 77% nas rotas para a Europa no ano passado. Com o ganho de escala obtido com a fusão, a TAM espera estar mais fortalecida para tentar reverter o avanço das estrangeiras no Brasil. A disputa, porém deve ser acirrada. O executivo lembrou que só a americana United Continental tem cerca de 700 aviões.

Cade. A expectativa de Cueto é de que a decisão do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) sobre a fusão, uma das pendências do processo, saia ainda este ano. Se tudo correr conforme esperam as empresas, a fusão deve estar concretizada até o fim de março ou início de abril do ano que vem.

TAM e LAN também esperam a fusão para decidir em que aliança global de companhias vão permanecer. Hoje, a aérea brasileira integra a StarAlliance, da qual também fazem parte a alemã Lufthansa e a portuguesa TAP. Já a LAN é membro da OneWorld, ao lado de American Airlines, British Airways e Iberia.
Embora o Tribunal de Defesa da Livre Concorrência do Chile (TDLC) tenha dado o prazo de dois anos após a fusão para a escolha da aliança, as empresas devem fechar uma posição ainda no primeiro trimestre de 2012.

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