Companhias aéreas low cost: o barato que pode sair caro

Globo
Companhias aéreas low cost: o barato que pode sair caro
Cuidados para não cair nas armadilhas das barateiras
Fernanda Dutra
Publicado: 5/12/11 – 12h59
Atualizado: 5/12/11 – 16h54 


Serviço de bordo pago à parte da low cost Wizz Air, que também oferece transfers a preços razoáveis dos
aeroportos aos centros das cidades Foto: Divulgação

RIO- As companhias aéreas barateiras se tornaram uma opção comum para viagens curtas dentro da Europa e dos Estados Unidos. Muitas vezes, as passagens custam menos que trens e ônibus, e a chegada ao destino é mais rápida. Porém, a política das empresas low cost de botar o preço lá embaixo e taxar bagagem, marcação de lugar e até cartão de embarque às vezes acaba pregando peças no viajante. Se você se distrair na hora da compra online, pode ter que desembolsar 1 euro para receber as informações de voos no seu celular. Ou se não tiver o cartão de embarque impresso corretamente, um novo pode lhe custar até 40 euros. Conversando com viajantes que viram o barato sair caro, selecionamos pontos que merecem sua atenção na hora de aproveitar a próxima promoção de baixo custo.

Para economizar, a maior parte das companhias low cost não vende suas passagens por agências de viagem ou em outros sites que não os próprios. Resta se aventurar em um universo de layouts poluídos e confusos — é assim, na maioria das vezes, que você acaba clicando em algo que não pretendia e vê o preço subir. Símbolo das low cost, a irlandesa Ryanair fez escola com dezenas de caixinhas de sim e não. Antes de pagar o bilhete, o cliente passa por ofertas de seguro, malas para despachar, SMS informativo, prioridade de embarque (como não há lugar marcado, com 5 euros você passa na frente de todos e escolhe onde sentar), poltronas mais espaçosas, aluguel de carros, hotéis e outros.

Durante a viagem, o serviço de bordo é cobrado, claro: um sanduíche custa a partir de 6 euros; bebidas, a partir de 2 euros. Também há venda de raspadinhas, cigarros eletrônicos que não emitem fumaça… E a companhia já cogitou cobrar pelo uso do banheiro. O diretor da Ryanair Michael O’Leary disse que o dinheiro iria para a caridade e que, na realidade, ele queria tirar um dos banheiros para acrescentar seis poltronas. A última de O’Leary foi anunciar que ofereceria filmes eróticos para laptops, tablets e smartphones.

Quem sai do Brasil com duas malas dificilmente aproveita alguma promoção low cost. Todas cobram por bagagem despachada. Na hora da compra, é preciso informar quantas malas, peso e tamanho. Nos EUA, nem sempre dá para pagar com antecedência a taxa, que custa em média US$ 20 para 20 quilos, com restrições de tamanho.

Pouca bagagem evita gastos extras

Outra questão que costuma dar dor de cabeça ao brasileiro em uma viagem no exterior por uma companhia aérea de baixo custo é a bagagem que vai na cabine. Cada passageiro tem direito a levar uma bolsa, pasta, mochila ou mala de mão, e apenas uma. Ou a bolsa de mão vai dentro da mala de bordo ou uma das duas será despachada. O tamanho e peso costumam ser conferido antes do embarque, e cada quilo extra custa 20 euros (na Ryanair; preço que as outras costumam seguir). Já a empresa americana Spirit, que calcula e soma à passagem o preço do combustível, nem oferece a chance de levar uma mala na cabine. Só pode bolsa, mochila pequena ou pasta.

As companhias também costumam cobrar, no momento da compra, uma taxa pela transação em cartão de crédito. Os de débito são taxados também, mas o valor é menor.

— Na hora da compra, tem que tomar cuidado porque eles incluem automaticamente taxas de prioridade no embarque/desembarque, seguro de viagem e outros itens. Tem que desmarcar uma a uma todas as opções que não interessam — conta a jornalista Marina Ferraz.

Vale dizer: as taxas são por trecho, então acabam duplicadas. Mas considere comprar o seguro de viagem através da empresa de baixo custo, principalmente se não tem todo o roteiro bem planejado. Trocar de data e até consertar o nome no cartão de embarque — o que normalmente é coberto pelos seguros — pode custar três vezes o preço da passagem.

Grandes terminais, com maior infraestrutura, cobram taxas mais altas às companhias aéreas. Para evitar esses custos, as low cost usam aeroportos menores, normalmente distantes do centro da cidade e nem sempre servidos por metrô, trens e ônibus.

— Alguns aeroportos são tão low cost quanto as companhias. Parecem que foram construídos para serem desmontados a qualquer momento. Em Marselha, os dois são vizinhos, tipo primo pobre, primo rico — descreve a estudante Iana Lua.

No aeroporto de Ciampino, a quase 30 quilômetros do centro de Roma, Iana passou por um sufoco:

— O voo saía às 5h. Planejei dormir no aeroporto, como qualquer mochileiro faz quando tem voo de madrugada. Só que o aeroporto não era 24h, e fechava de meia-noite às 4h. Tive que ir atrás de um albergue.

Sem assento marcado, o momento do embarque também pode ser um sufoco.

— Todos ficam espremidos no portão, até quem viaja com criança. Era necessário caminhar na pista para embarcar. E um monte de gente começou a correr para chegar primeiro ao avião — conta Iana.

Por conta da distância dos centros, sair de táxi do aeroporto pode custar até o mesmo valor que a passagem de avião. Na Europa, em geral, há traslados ou ônibus até as estações centrais. A companhia aérea húngara Wizz Air tem um serviço simpático: transfers próprios podem ser adquiridos com antecedência. Do aeroporto de Budapeste, são 4 euros. De Roma, 8,50 euros. A empresa também reserva táxis por um preço mais razoável.

Em agosto, um caso curioso virou notícia. Um homem teve uma parada cardíaca em um voo da Ryanair de Londres para Estocolmo. Os comissários de bordo ofereceram um sanduíche e um refrigerante, pensando que o passageiro estava com a pressão baixa — e cobraram, claro. A sorte é que a mulher do sueco era enfermeira. É comum as empresas low cost serem acusadas de oferecer pouca ou nenhuma assistência aos passageiros. A própria Ryanair, inclusive, criou este ano uma taxa de 2 euros para repassar ao cliente os custos com comida, hotel e traslados no caso de cancelamentos ou atrasos de voos, como manda a lei europeia, alegando que perdeu mais de 100 milhões com isso em 2010.

Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, as condições metereológicas nos Estados Unidos e na Europa também jogam contra essas companhias. No inverno no Hemisfério Norte, as nevascas muitas vezes fecham os aeroportos, causando atrasos e cancelamentos de voos. Além da falta de assistência, há outro problema: normalmente as companhias têm dias e horários limitados para cada destino. Portanto, se você perder o voo, pode ficar no meio do nada por alguns dias.

Antes de ir para o aeroporto, leia e releia todos os documentos que a companhia aérea lhe enviar. Em alguns casos, você não embarca se já não tiver impresso o cartão de embarque. E a impressão, aliás, tem regras: é preciso estar em uma única folha A4. Também há um horário limite para se fazer o check-in on-line. Na Ryanair, são quatro horas antes do voo (15 dias antes já dá para confirmar a presença). Sem isso, resta fazê-lo no balcão ao custo de 40 euros.

E independentemente de ter feito o check-in online, passageiro estrangeiro precisa passar pelo balcão da companhia. Cabe à equipe em terra conferir o passaporte e carimbar o cartão de embarque. Não é raro ver gente correndo de volta ao balcão — que fecha 40 minutos antes do voo — para conseguir o tal carimbo.

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