Passagem antecipada não garante preço baixo

Valor Econômico
13/12/2011

Passagem antecipada não garante preço baixo
Por Alberto Komatsu | De São Paulo

Há menos de um mês para as vésperas das festas de fim de ano, os passageiros que ainda não compraram passagens aéreas para comemorar com a família e amigos ainda têm chance de obter preços mais em conta do que se tivessem feito a compra com mais antecedência.

Isso é o que mostra um levantamento do Valor com 60 passagens, iniciado em novembro e encerrado no começo deste mês. O resultado mostra 34 reduções, 20 aumentos, cinco preços sem alteração e uma passagem esgotada. As variações para cima alcançaram até 162%, principalmente em voos de maior duração. Os reajustes para baixo predominaram em trechos mais curtos e atingiram até 60%.

Cinco pesquisas de preços foram realizadas uma vez por semana, do dia 8 de novembro até o dia 5 de dezembro. Integraram o levantamento as cinco rotas domésticas de maior movimento em dezembro de 2010, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Foram pesquisadas as três companhias que operam em todos os trechos (ver tabela nesta página). Não foram consideradas as taxas de embarque. A procura teve como prioridade o menor preço e voos diretos.

“Comprar com antecedência permanece sendo o melhor para o passageiro. Pode acontecer (reduções de preços), mas não é a regra, é a exceção”, afirmou o diretor de rentabilidade e alianças da Gol, Marcelo Bento, ao ser perguntado se o resultado da pesquisa pode mostrar que comprar com antecedência pode não ser mais uma verdade absoluta, diante do cenário de competição acirrada no setor.

A Avianca e a TAM foram procuradas, mas se manifestaram por meio de comunicado. “Prevalece a lógica de se pagar menos quando se compra com antecedência”, informou a Avianca. “O que direciona o preço da companhia é a demanda de cada perfil de cliente. Mesmo oferecendo um serviço premium, temos preços competitivos com quaisquer companhias nacionais ou internacionais nas rotas em comum.”, acrescentou a TAM.

O executivo da Gol avalia que contribui para uma concentração maior de aumentos de preços em rotas mais longas o fato de o passageiro com que faz essas viagens comprar com mais antecedência. Nos trechos mais curtos, ele afirma que geralmente o cliente procura mais em cima da hora, o que pode colaborar para reduções de valores dos bilhetes.

A Gol tem 30 pessoas que trabalham em duas áreas dentro da equipe de rentabilidade. Segundo Bento, são duas frentes, a de precificação (“pricing”) e otimização. “Podem haver 300 combinações de preços diferentes em um único voo”, afirma Bento. Segundo ele, um voo entre São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, pode ser “alimentado” por esses 300 voos da própria Gol. E o preço desse trecho pode ser influenciado por essa combinação.

Além disso, a Gol também monitora os voos da concorrência. Todos os dias são emitidos relatórios contendo em torno de 60 mil voos de rivais, que também influenciam os preços das passagens de uma companhia em determinada rota.

O levantamento de preços também constatou variações bruscas, para baixo, de preços de passagens durante as cinco semanas, mas os valores voltaram a patamares acima do preço inicial no fim da pesquisa. Segundo Bento, não se tratam de promoções relâmpago. “Quando ocorre esse tipo de coisa, estamos em busca do passageiro de ônibus”, afirma o executivo.

 

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