Aviação: Companhias perdem subsídio de governos em crise

Valor Econômico
09/02/2012
Aviação: Companhias perdem subsídio de governos em crise
Por Manuel Baigorri, Steve Rothwell e Alex Webb
Bloomberg Businessweek
 

Os governos ajudaram por muito tempo a bancar suas companhias aéreas nacionais, comprando ao mesmo tempo prestígio e serviços garantidos em determinadas rotas. Mas, no fim de janeiro, duas das empresas aéreas europeias subsidiadas pelo governo – a espanhola Spanair e a húngara Malév – afundaram, diante do estreitamento ou do corte de seus canais de recursos. Analistas dizem que não serão as últimas.

“Os governos não têm mais os meios financeiros para sustentar as companhias aéreas que tinham no passado”, diz John Strickland, analista de aviação da JLS Consulting de Londres.

Os políticos relutam em salvar as empresas aéreas problemáticas num momento em que a crise da dívida obriga à adoção de programas de austeridade em outras áreas da economia. Assim, investidores estatais da SAS, sediada em Estocolmo, Suécia, Aer Lingus Group, da Irlanda, TAP, de Portugal e as viações aéreas nacionais da Polônia e da República Tcheca sinalizaram planos de reduzir o apoio e de buscar novos investidores.

A escolha do momento é ruim para companhias aéreas respaldadas pelo governo, que agora se encontram na rabeira dos três grandes grupos aéreos da Europa. A Air France comprou a KLM Royal Dutch Airlines em 2004 e formou o Air France-KLM Group, a maior viação aérea da região. A Deutsche Lufthansa, a segunda maior, se expandiu nos últimos anos por meio de aquisições adicionais nas vizinhas Áustria, Bélgica e Suíça, e o International Consolidated Airlines Group foi constituído um ano atrás por meio da fusão, de US$ 9 bilhões, entre a British Airways e a Iberia.

O consultor de empresas aéreas Heinrich Grossbongardt, lotado em Hamburgo, considera que uma queda vertical da Europa desencadeará uma nova rodada de consolidação. “É assombroso como todas essas companhias aéreas catatônicas conseguem sobreviver apesar de contabilizar prejuízos ano após ano”, diz ele. “Viagens aéreas hoje são uma área de atuação comoditizada, o que significa que economias de escala são fundamentais.”

A Spanair, a quarta maior companhia aérea da Espanha, deixou de voar na noite de 27 de janeiro depois que a Qatar Airways interrompeu conversas sobre um possível aporte de recursos e o governo da Catalunha deu sinais de que deixaria de entrar com dinheiro. A Espanha está reduzindo os gastos ao enfrentar o terceiro maior déficit público da zona do euro, e a Catalunha é a segunda maior região em termos de endividamento.

Em 31 de janeiro, o principal executivo da Malév, János Berényi, anunciou em Budapeste que a empresa está em negociações com potenciais compradores, antecipando-se a cortes dos subsídios do governo. A Comissão Europeia determinou, no início de janeiro, que o governo da Hungria recuperasse US$ 390 milhões em “ajuda ilegal” que, segundo concluiu, foi paga de 2007 a 2010 à empresa aérea, na qual o governo detém 95% do capital.

Embora Berényi diga que um investimento longamente discutido pela chinesa Hainan Airlines “não seja impossível”, ele considera as alternativas da companhia “extremamente limitadas”.

Novas mudanças estão pela frente. A Irlanda quer se desvencilhar de sua participação de 25% na Aer Lingus para cumprir os € 2 bilhões (US$ 2,6 bilhões) em vendas de ativos exigidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). E a Turkish Airlines disse em 23 de janeiro estar em negociações para a compra de uma participação na LOT Polish Airlines das mãos do governo polonês, que tenta vender sua participação de 25% na empresa desde 2009.

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