Dólar castiga TAM, mas ação sobe na bolsa

14/02/2012

Dólar castiga TAM, mas ação sobe na bolsa
Por Natalia Viri | De São Paulo

O câmbio castigou o resultado da TAM em 2011. Pressionada principalmente pelo aumento dos custos com combustíveis e pela linha financeira, a companhia aérea encerrou o ano passado com um prejuízo de R$ 335,1 milhões, frente ao lucro de R$ 637,4 milhões em 2010.

Porém, o bom resultado operacional da empresa no quarto trimestre agradou o mercado. O lucro de R$ 95 milhões no período, anunciado ontem antes da abertura da bolsa, superou as projeções dos analistas, que apontavam para um resultado de cerca de R$ 25 milhões, e impulsionou as ações da companhia aérea, que encerraram o dia em alta de 3,5%, cotadas a R$ 39,59.

O valor registrado na última linha do balanço entre outubro e dezembro foi 36,4% inferior ao observado no mesmo período de 2010. Mas as expectativas eram mais pessimistas.

A receita líquida da companhia no quarto trimestre foi de R$ 3,6 bilhões, alta de 11% em relação ao observado um ano antes, impulsionada principalmente pelo faturamento com o transporte internacional de passageiros, que teve alta de 28,6%. Nas rotas domésticas, o aumento da receita foi mais modesto, de 2,8%.

Apesar do crescimento da receita, houve uma desaceleração em relação do desempenho do quarto trimestre de 2010, quando o faturamento cresceu a uma taxa anual de 29,1%. Porém, na avaliação da Fator Corretora, esse movimento já era esperado, pois a companhia tem concentrado seus esforços em ganhar rentabilidade, uma vez que o crescimento em escala tem se concentrado nas concorrentes de “low cost” (baixo custo).

Outro destaque, na opinião do Barclays Capital, foi o programa de fidelidade Multiplus, cujas receitas cresceram 93,3%, para R$ 362,9 milhões, passando a representar 10% do faturamento total da TAM.

A expansão dos yields – índice de rentabilidade medido pelo valor que o passageiro paga por quilômetro transportado e que baliza reajustes de passagens – também contribuiu para o faturamento nos últimos três meses do ano. O yield geral cresceu 8,9%, para R$ 0,26, também impulsionado pelo segmento internacional.

Do lado dos custos e despesas, houve um aumento de 9,1%, para R$ 3,2 bilhões, puxado principalmente pelos custos com combustíveis, que subiram 31,6%. A redução dos gastos com vendas e marketing (-9,8%) e a estabilidade do dispêndio com pessoal (0,9%), no entanto, surpreenderam positivamente os analistas.

Com isso, o Ebit (lucro antes de juros e impostos) cresceu 36,5%, para R$ 298,2 milhões. A margem operacional foi de 8,3%, 1,5 ponto percentual acima do observado no último trimestre de 2010 e acima dos 4,0% estimados pelo consenso de mercado.

Na linha financeira, o impacto do câmbio foi parcialmente compensado pelas operações no mercado de derivativos de combustíveis. Ainda assim, o resultado financeiro foi negativo em R$ 169,5 milhões, contra os R$ 4,4 milhões observados um ano antes.

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