Plano da Gol tem adesão parcial

Valor Econômico
20/03/2012

Plano da Gol tem adesão parcial
Por De São Paulo

O programa de licença não remunerada para pilotos e comissários da Gol, iniciado no dia 6 de março e com previsão de término no último dia 16, deverá ser prorrogado para até o fim do mês, já que a companhia não conseguiu alcançar o nível de adesão desejado. Uma reunião, entre representantes da Gol e do Sindicato Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), deverá ocorrer amanhã para discutir o assunto.

Segundo o SNA, são entre 200 e 220 postos de trabalho. Ao todo, a Gol informa que conta com 1,8 mil comandantes e copilotos, mas não confirma o número de adesões pretendido. “A adesão ao programa atendeu parcialmente às expectativas da empresa”, informou a Gol, em nota. O SNA acrescenta que não é a primeira vez que a Gol abre um plano como esse.

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O programa de licença não remunerada vale por um ano. Segundo o advogado Carlos Duque Estrada, especializado em relações de trabalho do setor aéreo, o funcionário pode trabalhar em outra companhia aérea nesse período.

“Isso está previsto em lei, já que o contrato de trabalho é suspenso e não é dada baixa na carteira de trabalho. O problema é que a empresa contratante pode exigir a baixa na carteira”, diz Estrada, acrescentando que vai receber em seu escritório nesta semana 10 aeronautas da Gol que pretendem processar a companhia aérea.

De acordo com o sindicato, a Gol teria aumentado a oferta no mercado doméstico mais do que o crescimento de demanda que efetivamente aconteceu. A Gol, em comunicado, informou que abriu o programa “para compensar períodos de baixa demanda”.

A Bradesco Corretora, por meio de relatório, divulgou ontem suas previsões para os resultados financeiros da Gol no quarto trimestre, com divulgação prevista para o dia 26 de março. A Gol mudou duas vezes essa data. Nessa análise, a Bradesco ressalta que espera números “neutros ou negativos”.

A corretora tomou como base resultados operacionais da Gol, em janeiro: “A companhia aumentou a oferta de assentos em 6,9%, mas a demanda cresceu bem menos que isso, apenas 1,5% ao ano. Isso levou a uma queda de 3,4 pontos percentuais na taxa de ocupação, que chegou a 64,3%”.

O Valor teve acesso ao e-mail enviado pela Gol aos aeronautas, comunicando o plano de licença não remunerada. A empresa informa que “visando a rentabilidade dos nossos voos, estamos reavaliando a nossa malha aérea, aumentando sua coesão e reduzindo os voos com baixo rendimento”. O programa exige do funcionário a redação do termo de adesão de “próprio punho” e informa que o trabalhador não terá estabilidade no retorno da licença. (AK)

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