Nas Américas, balanços das aéreas pioram

Valor Econômico
30/03/2012

Nas Américas, balanços das aéreas pioram
Por Alberto Komatsu | De São Paulo

Nove de dez companhias aéreas de capital aberto da América Latina e dos Estados Unidos registraram, em 2011, uma piora significativa em seus resultados líquidos, diante de 2010. Isso é o que mostra um levantamento feito pelo Valor Data, com dados da Economática.

Especialistas do setor aéreo elegeram dois protagonistas para esse cenário, sem esquecer de coadjuvantes, como a guerra tarifária no Brasil. Para eles, os vilões são o aumento dos custos com combustível e a desaceleração do crescimento econômico global.

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No ano passado, seis companhias aéreas desse grupo acumularam lucro líquido de US$ 2,3 bilhões, US$ 1 bilhão a menos do que o lucro de US$ 3,3 bilhões registrado por nove empresas juntas, em 2010. (ver quadro).

O prejuízo líquido de quatro empresas aéreas somadas no ano passado foi de US$ 2,5 bilhões. Significa um aumento de mais de US$ 2 bilhões sobre o único prejuízo registrado em 2010, da American Airlines, de US$ 471 milhões, que entrou em concordata em novembro.

“Em 2010 as economias melhoraram, mas em 2011 houve uma desaceleração, que refletiu no tráfego aéreo, especialmente nas viagens de executivos, que pagam tarifa cheia. Outro efeito foi o custo com combustível, que em 2010 havia caído”, diz o sócio-diretor e especialista em aviação da consultoria Alvarez & Marsal para a América Latina, Luis de Lucio.

O diretor de mercado de capitais da Gol Linhas Aéreas, Edmar Prado Lopes, tem avaliação parecida, mas acrescenta a acirrada competição por tarifas, no primeiro semestre de 2011, que influenciou os resultados do setor, no Brasil.

“O desempenho das empresas aéreas depende do ambiente competitivo de cada mercado. No Brasil, teve o cenário de guerra tarifária no primeiro semestre [de 2011]”, diz Lopes, comentando o cenário de desaceleração do crescimento médio da demanda mundial por viagens aéreas, em contraste com uma ainda vigorosa expansão na América Latina.

Segundo o diretor da Gol, as promoções no primeiro semestre, com pagamento parcelado, tiveram impacto negativo nos resultados a partir do segundo semestre. O valor da passagem só entra no caixa da empresa quando o passageiro efetua a viagem.

Para ele, a guerra tarifária explica o motivo das companhias aéreas brasileiras não conseguirem apresentar resultados financeiros melhores do que as companhias americanas, chilenas ou mexicanas. Isso aconteceu mesmo com o mercado brasileiro de aviação crescendo dois dígitos em 2011, ou 15,7%, enquanto o resto do mundo cresce a taxas menores.

Dados da Associação Internacional do Transporte Aéreo (da sigla em inglês Iata) mostram que o fluxo global de passageiros em 2011 teve crescimento de 5,9% em 2011, em relação ao ano anterior, quando a expansão foi de 8,2% em relação a 2009.

Na América Latina, a entidade mostra que o fôlego é maior do que o resto do mundo. Segundo a Iata, o fluxo de passageiros na região cresceu 11,3% na comparação entre 2011e 2010 e teve expansão de 8,2% entre 2010 e 2009.

No Brasil, sinais de desaceleração começaram a surgir no segundo semestre de 2011, com taxas de expansão de um dígito. Para 2012, a melhor projeção é de 10%. “A competição no mercado doméstico brasileiro está dificultada pelo excesso de capacidade. O mercado internacional está com desempenho melhor por causa do real forte”, afirma o especialista em aviação da consultoria Bain & Company, André Castellini.

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