Cortes na Gol atingem 205 pilotos e comissários

O Estado de S.Paulo
03 de abril de 2012 | 3h 04

Cortes na Gol atingem 205 pilotos e comissários
Empresa, que fechou 2011 com prejuízo de R$ 710 milhões, disse que demissões garantem ‘quadro condizente com as necessidades operacionais’
MARINA GAZZONI – O Estado de S.Paulo

A Gol avançou ontem no processo de redução do número de tripulantes. A empresa informou que demitiu 131 funcionários, entre pilotos e comissários. Outros 46 aderiram a um programa de licenças não remuneradas, lançado pela companhia em março, e mais 28 aderiram a um processo de demissão voluntária, somando um corte total de 205 pessoas.

Em reportagem de 15 de março, o Estado revelou a intenção da Gol de reduzir o número de pilotos. O presidente da empresa, Constantino de Oliveira Júnior, disse, em teleconferência à imprensa na semana passada, que as demissões fazem parte de um processo de reestruturação da Gol, que inclui a eliminação de 80 a 100 voos por dia, um corte de 8%. “Hoje, a companhia informa oficialmente a redução do número de tripulantes. (…) A medida garante um quadro de tripulantes condizente com as necessidades operacionais”, afirmou a Gol ontem, em comunicado.

O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Gerson Fochesatto, disse que a empresa deu prioridade para funcionários menos experientes no processo de demissão. “O sindicato questionou a necessidade de demissões. Mas a parte positiva disso é que a empresa se comprometeu a dar preferência para os funcionários demitidos quando voltar a contratar. Achamos que em seis meses ela voltará a contratar”, disse Fochesatto.

Ajuste. A Gol divulgou na semana passada um prejuízo líquido de R$ 710 milhões em 2011. Para reverter as perdas, a empresa apresentou um plano conservador para sua frota neste ano. Em vez de aumentar o número de aeronaves em operação, a Gol pretende chegar ao fim do ano voando com menos aviões.

O plano ainda não está fechado, mas a empresa já definiu que adicionará quatro aviões novos à frota da Gol e vai transferir dez aviões para a Webjet, empresa comprada em 2011 e que opera com uma frota mais antiga. Assim, a Gol terá seis aeronaves a menos em sua frota.

Como substituirá os aviões da Webjet por outros maiores, a oferta de assentos das duas companhias deve ser igual à deste ano, mesmo com a frota menor.

Com menos aviões, a empresa se viu com excesso de mão de obra e precisou adotar medidas para reduzir o número de tripulantes. Para não partir direto para as demissões, a Gol anunciou em março um programa de licenças não remuneradas para 220 pilotos e comissários. Sem adesão suficiente, abriu um programa de demissão voluntária no último dia 23. E ontem partiu para as demissões.

A Gol já tinha eliminado 1.100 vagas de trabalho no primeiro trimestre do ano passado. Daquela vez, os pilotos foram poupados do processo. As demissões se concentraram nos chamados aeroviários, a equipe de solo das companhias aéreas.

Até o ano passado, as companhias aéreas afirmavam temer a escassez de pilotos no Brasil. As empresas precisavam de novos profissionais para operar os aviões que planejavam receber. A estimativa do sindicato é que custe US$ 50 mil às empresas preparar cada profissional para chegar ao posto de comandante.

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