Voos internacionais ajudam a TAM

Valor Econômico
20/04/2012
Voos internacionais ajudam a TAM
Por Fernando Torres | De São Paulo 

Há uma série de motivos para explicar por que a TAM não mostrou a mesma piora nos resultados financeiros que a Gol.

Enquanto a primeira manteve estável o lucro antes de juros e impostos (Ebit) em 2011, exatamente em R$ 977 milhões, a segunda viu seu lucro operacional de 2010, no valor de R$ 697 milhões, virar prejuízo de R$ 186 milhões no ano seguinte.

Um dos motivos para o bom resultado da TAM, a despeito da forte alta nos preços dos combustíveis, foi um lançamento extraordinário que teve impacto positivo da ordem de R$ 560 milhões no Ebit dela no ano passado. No segundo e no terceiro trimestres, a companhia reconheceu crédito tributário de PIS e Cofins que ela entendeu ter pago além do que devia em períodos anteriores. Sem isso, seu Ebit teria caído mais de 50%.

Mas mesmo sem esse efeito, o resultado operacional da TAM teria sido positivo, ao contrário do que ocorreu com a Gol.

O que pesa nesse ponto é a opção estratégica divergente entre as duas a respeito dos voos de longo curso para o exterior.

A TAM se beneficiou da forte demanda dos brasileiros por voos internacionais para destinos nos Estados Unidos e Europa, tendo conseguido praticar tarifas mais altas e ainda assim manter ocupação acima de 80%.

A empresa não divulga medidas de lucro separadas para a operação internacional e para a local, mas fontes do setor ouvidas pelo Valor asseguram que a as viagens de longo curso para o exterior têm peso relevante para a manutenção dos resultados positivos.

A existência da divisão internacional também cria uma diferença permanente em relação ao gasto com combustíveis. Como os aviões consomem de 30% a 40% do combustível na decolagem, quanto maior a percurso médio de viagem, menor o gasto proporcional da companhia aérea com querosene de aviação.

Abastecer no exterior também é uma vantagem em termos de custo, pela ausência do ICMS.

Assim, embora a Gol seja oficialmente a empresa de baixo custo – e que de fato tem despesas operacionais menores que a rival -, ela costuma pagar mais do que a TAM em combustível, que chega a consumir 40% da sua receita.

Portanto, nesse momento de alta do petróleo e do real, a Gol sofre mais. Sem controle sobre a cotação do óleo, a Gol decidiu cortar gastos em outras áreas.

Embora destaque em sua decisão os desafios operacionais da companhia, a Moody’s chama atenção para a posição de liquidez da Gol, que tinha em dezembro R$ 2,23 bilhões em caixa e aplicações financeiras, valor equivalente a 29% da receita anual.

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