"O grosso do ajuste já foi feito", diz Gol

Valor Econômico
26/04/2012

“O grosso do ajuste já foi feito”, diz Gol
Por Daniel Rittner | De Brasília

As medidas tomadas para reduzir custos devem surtir efeito “nos próximos trimestres” e melhorar a rentabilidade da Gol Linhas Aéreas em 2012, mas ainda não se pode afastar a possibilidade de novo prejuízo neste ano, segundo o presidente da empresa, Constantino de Oliveira Júnior. “Tomamos as medidas que precisávamos tomar, mas tenho plena confiança na nossa recuperação. É um ajuste permanente, mas o grosso já foi feito”, disse Constantino ao Valor, anteontem à noite. “Estamos fazendo cortes duros, difíceis de serem feitos. Os resultados devem aparecer nos próximos trimestres.”

Questionado se os ajustes vão permitir à Gol recolocar seu balanço no azul em 2012, o empresário manifestou cautela e disse que os resultados podem não ser “os ideais”, mas vão apontar uma “recuperação”. Ele negou enfaticamente a intenção de vender mais 17% de participação acionária da companhia à Delta Airlines. Em dezembro do ano passado, a Delta comprou 3% da Gol, por US$ 100 milhões. O limite para a participação estrangeira nas empresas aéreas brasileiras é de 20% do capital votante.

Na terça-feira, Constantino esteve reunido por quase duas horas com o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt. O ministro também negou que o assunto tivesse sido a venda de parte da Gol, mas nem ele, nem Constantino quiseram revelar o teor da conversa. Bittencourt recebeu o empresário minutos depois de ter retornado à sede da secretaria, depois de uma intensa agenda de trabalho em São Paulo, no mesmo dia em que o jornal “Folha de S. Paulo” publicou reportagem sobre as negociações entre a Gol e a Delta.

Em 2011, a Gol teve prejuízo de R$ 710 milhões, resultado atribuído à alta dos preços do querosene e à “guerra tarifária” no início do ano. No mês passado, ao anunciar o balanço, a aérea informou que enxugaria sua malha, cortando cerca de 8% das operações, algo entre 80 e 100 dos 1.150 voos operados diariamente. Na primeira semana de abril, a companhia demitiu 131 tripulantes. Em seguida, extinguiu uma vice-presidência, quatro diretorias e 26 gerências.

“Não dá para dizer que erramos. O erro seria persistir no caminho sem correção de rumos”, afirmou Constantino. Ele não falava de nenhum momento específico da companhia, embora o “erro” mais apontado por analistas de mercado tenha sido a compra da Varig pela Gol, em 2007.

Além da Varig, a Gol adquiriu o controle da Webjet, no ano passado. Sua participação no mercado doméstico foi de 34,4% em março e chega a 41,1% quando é somada a fatia da Webjet.

Apesar dos cortes, Constantino disse que “o clima na empresa é de confiança” e descartou a hipótese de abandonar a aviação.

Os números ruins não foram exclusividade da Gol em 2011. A TAM teve prejuízo de R$ 335 milhões. Além da alta do combustível, a companhia reclamou do aumento das tarifas aeroportuárias. Com o cenário complicado, a Secretaria de Aviação Civil começou a estudar medidas para “melhorar a competitividade” das empresas, como desoneração da folha de pagamento e negociação com Estados para a redução de ICMS. A desoneração da folha, no entanto, encontra resistência do Ministério da Fazenda.

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