Azul quer voar para Punta del Este e contratar 500 funcionários

Folha de São Paulo
09/05/2012 – 15h30

Azul quer voar para Punta del Este e contratar 500 funcionários
MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO
 

O presidente da companhia aérea Azul, David Neeleman, informou que pretende lançar, até o final do ano, voos para o balneário uruguaio de Punta del Este.

“Nossos acionistas gostam muito de viajar para Punta del Este”, brincou o executivo, que tem como sócios fundos como TPG (Texas Pacific Group), Gávea e Weston Presidio.

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O voo será o primeiro internacional da companhia aérea que tem base em Campinas. Mas o voo não será permanente. Durará apenas o período da alta temporada, de dezembro à março.

TAP

Neeleman afirmou que foi procurado por representantes do governo sobre um eventual interesse em adquirir a companhia portuguesa TAP. “Respondi que não tenho nenhum interesse”, disse. “Sempre cresci organicamente.”

Em meio à crise fiscal europeia, o governo português pediu ajuda ao governo brasileiro para encontrar um investidor para adquirir a TAP. Mas mesmo com a oferta de apoio do BNDES, a proposta não atraiu nem Azul, nem Gol nem TAM.

CONTRATAÇÕES

Enquanto o clima nas líderes TAM e Gol é de corte de custos, com expectativa de crescimento zero ou negativo este ano, a Azul diz que pretende contratar mais de 500 novos funcionários. A empresa, que detém 10% do mercado doméstico, deve adicionar 12 novos aviões a sua frota (serão 20 aviões novos e 8 devoluções de modelos mais antigos).

A empresa também deve iniciar operações em dez novas cidades.

Sem divulgar números financeiro, o fundador da Azul, David Neeleman, disse que sua margem de lucro nos últimos três trimestres “está melhor do que a da concorrência”. Gol e TAM tiveram prejuízo de mais de R$ 1 bilhão no ano passado.

A Azul lançou nesta quarta-feira um programa de financiamento à capacitação de pilotos e comissários. A Academia de Serviços Azul é uma parceria com a EJ Escola de Aeronáutica Civil e o banco Santander, que vai financiar os custos de formação em até 60 meses, com juros de 1,89% ao mês.

No caso de pilotos, o curso custa cerca de R$ 80 mil, incluindo as horas de voo necessárias para a formação. As primeiras turmas começam em junho e julho, com 25 vagas para pilotos e 20 para comissários. As inscrições já estão abertas e devem ser feitas até o dia 20 deste mês.

O curso de pilotos será dado na EJ em Itápolis, interior de São Paulo. Já o curso de comissários acontece em Alphaville, na UniAzul, universidade corporativa da companhia. O curso custa R$ 2.000 e pode ser pago em dez vezes sem juros.

O objetivo é formar profissionais “do zero” e, segundo Neeleman, dar oportunidade para aqueles “que não têm um pai que possa pagar o curso”.

A maioria dos formandos deve ser contratada pela Azul. Mas não há garantia de emprego. “O profissional precisará se qualificar e passar nos testes. Não vamos formar mais gente do que precisamos.”

sobe


O Globo
Publicado: 9/05/12 – 20h46
Azul anuncia inclusão de mais 10 municípios nas rotas da companhia
Para atender aos novos voos, empresa irá contratar cerca de 300 pessoas
Paulo Justus
Ronaldo D’Ercole

SÃO PAULO — Apesar da queda na demanda de passageiros por voos domésticos, o fundador da Azul Linhas Aéreas, David Neeleman, disse nesta quarta-feira que está feliz com o lucro da companhia e que, segundo ele, “vai muito melhor que a concorrência”. Confiante na melhoria da economia e no aumento da procura em cidades médias, ele anunciou a inclusão de mais dez municípios nas rotas da companhia. Os novos destinos, segundo ele, devem levar a empresa a atingir a marca de 150 milhões de passageiros voando pela Azul. Para atender essas novas rotas, a empresa deverá contratar cerca de 300 pessoas.

— Cada aeronave necessita de pelo menos cinco equipes de cerca de cinco pessoas cada, fora o pessoal da manutenção — explicou Neeleman, que anunciou também uma parceria entre a Azul, o Banco Santander e a EJ – Escola de Aeronáutica Civil para a criação de uma academia de formação de profissionais da aviação.

As declarações de NeelemannNeeleman contrastam com os números já apresentados pela Gol, que fechou o primeiro trimestre com prejuízo, e reforçam os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostrando o crescimento de participação de mercado de empresas menores, como a própria Azul e Avianca e a Trip. Juntas, as três passaram de uma fatia de pouco mais de 10% dos voos, em março de 2011, para 15,39% em março deste ano (crescimento de 53,9%), enquanto a participação de Gol (incluindo Webjet) e TAM caiu 86,21% para 79,4% no mesmo período.

Mas a continuidade desse processo é posta em dúvida pela própria Anac, que apontou uma alta de apenas 1,2% na demanda geral por voos doméstico entre janeiro e março deste ano do ano na comparação com 2011 — o menor crescimento desde 2009 —, e por analistas ouvidos pelo GLOBO. Segundo eles, a expansão das companhias menores pode estar sendo feito às custas da rentabilidade dessas empresas. Para André Castellini, sócio da consultoria Bain & Company, as empresas aéreas que crescem nesse cenário adverso podem ter aberto rotas em destinos ainda não rentáveis ou em vôos que têm sido abandonadas pelas grandes companhias aéreas, apostando no crescimento da demanda futura.

— Empresas que querem comprar “market share” neste momento tendem a ganhar participação. Não quer dizer que vão ganhar dinheiro, porque o mercado brasileiro tem excesso de capacidade e a medida racional hoje é realmente retirar custos — diz ele.

A redução de custos e rotas tem sido a principal receita das grandes companhias depois dos prejuízos registrados no ano passado. Juntas, Gol e TAM tiveram um resultado negativo de R$ 1 bilhão no ano passado (a Gol perdeu R$ 710,4 milhões e a TAM, R$ 335,1 milhões). Neste ano, a Gol eliminou parte de sua malha e demitiu 131 tripulantes. Já a TAM revisou para baixo seu plano de frota em fevereiro, de 163 para 159 aeronaves.

Enquanto isso, a Azul está expandindo a frota em mais 12 aviões e espera crescer acima crescimento do mercado neste ano. De acordo com Gianfranco Beting, diretor de Comunicação e Marca da Azul, isso significa um crescimento de mais de 10% em 2012.

— Nosso crescimento está pautado numa visão focada na estratégia que apostou num modelo único no Brasil. As pessoas que estão fazendo esse tipo de ilação (de que o crescimento da empresa não seria sustentável) não têm os números nas mãos — disse.

Por não abrir os números de seus balanços, há grande desconfiança entre os especialistas dos níveis de rentabilidade com que a Azul vem operando.

— Os custos do setor estão muito altos e a Azul fala em crescer, mas a que custo fará isso. Se as duas maiores empresas estão recuando, é porque o mercado está ruim — diz um analista do mercado.

Para o diretor de avaliação de empresas para a América Latina da Fitch, José Vertiz, o primeiro semestre será bastante desafiador para as companhias aéreas brasileiras, especialmente Gol e TAM, por causa do aumento dos preços da querosene de aviação e da alta do dólar — todos os custos de manutenção e peças do setor são em moeda americana.

— Para a Gol, que possui a maior parte de sua receita no mercado doméstico, isso significa custos maiores e receitas menores — afirma ele.

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