Alta do dólar dificulta planos de expansão da TAM

O Estado de S.Paulo
SEXTA-FEIRA, 18 DE MAIO DE 2012

Alta do dólar dificulta planos de expansão da TAM
Empresas aéreas apostaram na ampliação de voos internacionais, mas não esperavam valorização tão expressiva do dólar em 2012
Marina Gazzoni 


Oferta. A TAM recebeu autorização para operar 20 novas frequências semanais para o exterior e ampliará frota para voos internacionais, mas reduz frota e frequência no mercado doméstico

A aposta das duas principais companhias aéreas brasileiras, a TAM e a Gol, em expandir frequências de voos internacionais em 2012 terá um desafio adicional.A alta do dólar encarece as viagens para o exterior e pode esfriar a demanda por rotas internacionais. A TAM recebeu na quarta-feira a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar 20 novas frequências semanais para o exterior.

Segundo as portarias da Anac, a TAM poderá operar mais 15 voos semanais para os Estados Unidos, dois para a França e três para a Alemanha. A empresa está reforçando sua frota que faz voosinternacionaisem2012,em um movimento contrário ao que vem fazendo no mercado doméstico. A TAM prevê estabilidade ou redução de até 2% na sua oferta de assentos para voos domésticos, mas espera ampliar o número de passagens oferecidas para voos internacionais entre 1% e 3% em 2012.

A Gol segue a mesma tendência. Ao mesmo tempo em que anunciou a redução de cerca de 100 voos diários nacionais da sua malha, em março, a empresa se prepara para começar a voar 14 frequências semanais para Miami a partir de julho.

“O brasileiro ainda tem interesse em viajar para o exterior, principalmente para comprar. Mas se o dólar subir mais e chegar a R$ 2,50, por exemplo , a classe média não terá mais um atrativo para viajar”, disse o professor de transporte aéreo da UFRJ, Respicio Espírito Santo.

O dólar fechou ontem cotado aR$1,999,umaquedade0,1%no dia, mas com uma valorização acumulada de quase 25% em 12 meses. A cotação está acima das estimativas das companhias aéreas brasileiras. “O cenário da Gol, ao início de2012, não previa o dólar a R$ 2,00”, disse a Gol, em comunicado. A projeção da TAM é de que a cotação média do dólar fique em R$ 1,82, informou a empresa no balanço do primeiro trimestre. A TAM disse que não poderia comentar a questão por estar em período de silêncio.

Rentabilidade. Além de esfriar a demanda por voos internacionais, o aumento do dólar deve impactar o resultado financeiro das companhias aéreas, afirmaram os analistas da corretora Coinvalores Marco Aurélio Barbosa e Felipe Silveira. As companhias aéreas tem boa parte de suas despesas e de sua dívida atreladas à moeda estrangeira. “A alta do dólar vai impactar o resultado das companhias aéreas do segundo trimestre”, disseram os analistas.

As despesas com querosene de aviação, que responde a um terço do custo do setor, é atrelada ao dólar, assim como o leasing de aeronaves, responsável pela maior parte da dívida. “A Gol tem entre50%e 55% de suas despesas atreladas ao dólar. A variação cambial afeta, sim,o resultado das empresas aéreas. Em caso de desvalorização do real, como estamos vivendo no momento, o resultado da Gol é afetado negativamente”, disse a Gol.

A disparada do dólar ocorre em um momento em que as empresas brasileiras enfrentam um cenário desfavorável. Em 2011, Gol e TAM divulgaram prejuízos líquidos, de R$ 710 milhões e R$ 355 milhões, respectivamente.O plano das empresas para reverter as perdas estava justamente associado a uma redução da oferta interna e expansão de voos internacionais.

No Brasil, as empresas identificaram um excesso de oferta, que levou a uma guerra de preços e corroeu a rentabilidade das empresas. Mas, no mercado internacional, a ocupação das aeronaves foi maior e os voos mais rentáveis. Com o dólar mais alto e com mais frequências para o exterior, manter as aeronaves cheias se torna um desafio.

 

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