Homem reclama de piloto mulher e é expulso de avião

Folha de São Paulo
São Paulo, quarta-feira, 23 de maio de 2012

 

Homem reclama de piloto mulher e é expulso de avião
Ao avistar a comandante, ele disse que não viajaria em voo que saía de Minas
Homem acabou vaiado pelos passageiros e retirado da aeronave da Trip, em Confins, pela Polícia Federal

ANDRÉ MONTEIRO
NATÁLIA CANCIAN
DE SÃO PAULO

Um passageiro foi expulso de um voo da companhia Trip Linhas Aéreas após dizer que não voaria com uma mulher pilotando o avião. O caso ocorreu na noite de sexta no aeroporto Tancredo Neves, em Confins, região metropolitana de Belo Horizonte.

A confusão começou no momento do embarque no voo 5348, quando o passageiro, que não teve o nome divulgado, avistou a comandante e disse para a tripulação que se recusava a viajar em voos comandados por mulheres.

A comandante então chamou a Polícia Federal e pediu que o passageiro saísse do avião. Segundo a empresa, ela “convidou educadamente esse senhor a sair da aeronave”.

“Mas ele disse que não iria sair”, conta o jornalista Paulo César de Oliveira, 66, que estava no avião. “Atrasamos mais ou menos uma hora por conta desse rapaz, de uns 40 anos. Ele saiu sorridente. E levou uma vaia”, disse.

“Após o tumulto causado, a Polícia Federal escoltou o passageiro para as dependências do aeroporto e a companhia seguiu com a programação normal”, afirmou a Trip, em nota.

A PF não soube informar se ele foi colocado em outro voo em seguida ou se sofreu alguma sanção após o comentário contra a comandante.

‘PASSAGEIRO DE MARTE’

O Embraer 190, que partiria às 20h59, decolou para Palmas, com escala em Goiânia, com atraso de uma hora. Quando o tumulto começou, já havia um atraso de 15 minutos.

A Trip disse que todas as suas funcionárias “são devidamente treinadas e qualificadas para desempenhar suas funções” e que “não tolera comentários ou atitudes preconceituosas que constranjam seus funcionários ou passageiros, sob qualquer justificativa”.

A empresa não revelou o nome da comandante.

O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Gelson Fochesato, lamentou o ocorrido. “Temos mulheres pilotas há mais de 40 anos. Nunca houve nenhum tipo de discriminação ou questionamento a respeito disso. Esse passageiro chegou de Marte ontem e não sabe o que está fazendo. Nós repudiamos essa postura e incentivamos que mulheres venham a somar na aviação brasileira”, afirma.

Segundo Fochesato, ao menos cem mulheres atuam como comandantes de voos no Brasil. “É um número relativamente alto e que tem crescido cada vez mais.”

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