Voo AF 447: relatório aponta falha humana

Globo
Domingo, 3 de junho de 2012
Voo AF 447: relatório aponta falha humana
Investigação revela série de erros cometidos pelos pilotos

O relatório final do BEA (Escritório de Investigações e Análises, na sigla em francês) sobre a queda do voo AF 447 apontou que os pilotos não compreenderam a tempo que o avião perdera sustentação após um procedimento equivocado do copiloto mais novo, e que isso levou à queda do avião. A informação foi divulgada ontem pelo site G1.

O acidente com a aeronave da Air France que fazia o trajeto Rio-Paris matou 228 pessoas. Segundo o relatório, que já teria sido entregue às autoridades brasileiras e que deve ser divulgado oficialmente em 5 de julho, os pilotos ainda tentaram, nos minutos finais, impedir a tragédia. Mas a aeronave já estaria em velocidade tão baixa que foi impossível reverter a queda do Airbus A-330.

Segundo o G1, o relatório do BEA indica ainda que a disposição de informações no painel e o design da cabine da aeronave contribuíram para dificultar que a tripulação identificasse a ação errada do copiloto menos experiente.

O relatório afirmaria também que o comandante deixou o posto para ir dormir pouco antes de a aeronave entrar em uma tempestade. E que ele não fez uma divisão clara de tarefas entre os copilotos.

Equívoco levou à perda de sustentação da aeronave

Durante a passagem pela tempestade, a baixa temperatura externa congelou os sensores pitot e bloqueou a medição de velocidade. Sem informações corretas, o Airbus teria saído do piloto automático. Assim, o copiloto mais novo assumiu os comandos e, em uma atitude equivocada, elevou o bico da aeronave, fazendo o alarme de estol (perda de sustentação) tocar. Com o procedimento de subida, o avião perdeu ainda mais velocidade e começou a perder sustentação. A ação correta seria jogar o bico do Airbus para baixo, para ganhar velocidade e sustentação. O alarme de estol tocou mais de 70 vezes.

De acordo com o G1, o BEA revela no relatório que nenhum dos pilotos havia recebido treinamento em caso de perda de sustentação de Airbus em alta altitude e sem informações confiáveis de velocidade. O copiloto mais experiente chegou a dar, em alguns momentos, a ordem para que o colega tomasse a atitude correta, mas não se deu conta da ação equivocada do companheiro.

Ao ser chamado pelo copiloto mais experiente, o comandante retornou à cabine cerca de três minutos após a queda do piloto automático. Ele não entendeu o que ocorria e não tomou nenhuma atitude, diz o relatório. Menos de um minuto depois, o Airbus chocou-se com a água. Em nenhum momento os passageiros teriam sido avisados sobre o problema.

Procurado pelo GLOBO, Nelson Marinho, presidente da Associação das Famílias das Vítimas do Voo 447 e pai de uma das vítimas, afirmou que não tomou conhecimento do relatório da BEA:

— Recebi um comunicado de que o relatório será divulgado até julho. De qualquer maneira, acreditamos que o que causou o acidente foi um problema mecânico.

O documento do BEA teria sido encaminhado também às autoridades dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha.

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