Ação da TAM cai 2,09% na véspera da criação da Latam

Valor Econômico
12/06/2012

Ação da TAM cai 2,09% na véspera da criação da Latam
Por Daniela Meibak e Alberto Komatsu | De São Paulo

As ações preferenciais da TAM Linhas Aéreas caíram ontem 2,09%, a R$ 41,51, no último dia em que foram negociadas no pregão da BM&FBovespa – o Ibovespa teve queda de 0,79%. Na manhã de hoje deverá ser concluída a fusão com a chilena LAN Airlines, para a criação da Latam.

O negócio será selado com a realização da oferta pública de permuta de ações (OPA) para o cancelamento do registro da TAM e troca das ações da empresa por BDRs (recibo de ação de empresa estrangeira negociada na Bovespa) da LAN. A relação de troca, que será efetivada por meio de um leilão, é de 0,9 BDR da LAN para cada papel da TAM. O preço negociado ontem servirá de referência para a OPA.

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Por volta das 15 horas de ontem, as ações preferenciais da TAM chegaram a liderar as perdas do Ibovespa, com queda de 7,76%, a R$ 39,11. No mesmo horário, o índice subia 0,18%, a 54.727 pontos. Para analistas ouvidos pelo Valor, muitos fundos que acompanham a carteira do Ibovespa não têm interesse nos BDRs da LAN, o que acabou pressionando a cotação das ações da TAM.

Encerrou ontem o prazo de habilitação dos acionistas da TAM para a OPA. Pedro Galdi, analista da SLW, explica que “com o limite para a troca dos papéis, muitos acionistas estão preferindo se desfazer das ações em vez de trocar pelo papel da LAN”. Galdi diz que, apesar de a proporção das ações já ser conhecida pelo mercado, os papéis acabam sentindo mais no último dia da permuta.

O analista do setor aéreo do BB Investimentos, Leonardo Nitta, observa que se acontecer como outros processos de OPA, as ações irão perder liquidez com a troca e por isso alguns acionistas preferem vender o papel. “Vi isso acontecer com a NET. Um dia antes todo mundo vendeu as ações.”

Felipe Rocha, da corretora Omar Camargo, aponta como outro fator de influência da queda acentuada das ações da TAM o fato de os ativos da companhia brasileira saírem do Ibovespa. Nesse sentido, ele disse que muitos fundos de investimento deixam de investir no papel, pois buscam empresas atreladas ao índice brasileiro.

Se o leilão da OPA da TAM se concretizar, as ações preferenciais da companhia serão excluídas do Ibovespa, índice que engloba os papéis das principais empresas da bolsa. Na abertura do mercado de amanhã, serão efetuados os ajustes necessários na carteira.

O prazo de habilitação dos acionistas da TAM para a OPA teve início no dia 10 de maio, com duração de 33 dias. Um dia antes, a TAM recebeu a última aprovação que faltava para a realização da permuta, da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos. Antes disso, as congêneres brasileira (CVM) e chilena (SVS) já haviam dado seu aval para a operação.

As famílias controladoras da TAM e da LAN, Amaro e Cueto, respectivamente, terão 38% da empresa resultante da fusão. Os Cueto terão 24,07% e os Amaro, 13,52%. Um documento assinado pelas duas partes prevê o controle compartilhado, pesos iguais e voto único no conselho de administração na Latam, apesar da diferença do volume de ações para cada um.

Na segunda-feira, o Valor publicou que a Latam era a segunda maior empresa do mundo, em valor de mercado, ou € 8,4 bilhões, em janeiro deste ano. A Air China, a primeira colocada, valia €9,1 bilhões, segundo levantamento da consultoria Bain & Co.

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