Aéreas admitem alta de preços se pressão de custos permanecer

Valor Econômico
22/08/2012

Kakinoff, da Gol: o valor do combustível atingiu um “pico histórico” este ano
Por Daniel Rittner | De Brasília

As duas maiores companhias aéreas do país admitiram ontem que a recente alta de custos no setor pode levar a um aumento no preço das passagens nos próximos meses. “Uma recuperação tarifária deverá acontecer”, afirmou o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, ponderando que tudo depende da resposta dos consumidores e do nível de crescimento da economia brasileira.

O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, disse que a empresa não tem nenhuma previsão de aumento de preços para o segundo semestre. Ponderou, no entanto, que a pressão sobre os custos não pode continuar. “O setor não pode absorver, por longos períodos, um cenário como esse. Se permanecermos nesse patamar elevado de custos de combustíveis, é uma questão de tempo para se ver na posição inevitável de aumentar as tarifas”, ressaltou.

Os dois executivos traçaram um diagnóstico praticamente idêntico. Eles apontaram, como fatores que têm pressionado os custos desde o início do ano, a desvalorização do real e o reajuste das tarifas do sistema de controle de tráfego aéreo. Além disso, culpam a disparada do preço do querosene de aviação pelos problemas.

“É quase uma maxidesvalorização”, comentou Bologna, questionado sobre a perda de valor do real frente ao dólar. Kakinoff, por sua vez, lembrou que o valor do combustível usado nos aviões atingiu um “pico histórico” neste ano. Ambos manifestaram otimismo, no entanto, com o aquecimento da economia e seus reflexos na demanda por transporte aéreo. Bologna espera o PIB crescendo a uma taxa próxima de 4% no fim do ano. Kakinoff previu “um resultado melhor no segundo semestre do que no primeiro”, no caso da Gol, “como produto da redução e racionalização de voos e redução do quadro ligado a essa operação”. Eles participaram do Aviation Day, evento que reuniu ontem autoridades e executivos do setor aéreo, em Brasília.

O evento marcou o lançamento da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), sob comando de Eduardo Sanovicz, ex-presidente da Embratur. A nova entidade será a principal porta-voz do setor, funcionando como interlocutora das companhias com o governo, com o Congresso e com a sociedade civil. Deixará para o octagenário Snea, o tradicional sindicato das companhias aéreas, apenas as funções de negociar os acordos trabalhistas.

A Abear nasce com cinco empresas associadas – TAM, Gol, Azul, Trip e Avianca. Juntas, elas empregam 57 mil pessoas e têm cerca de 450 aeronaves, que fazem 2,7 mil voos por dia.

Uma das primeiras tarefas de Sanovicz à frente da associação é buscar a sanção da presidente Dilma Rousseff do artigo que desonera a folha de pagamento das aéreas em projeto de lei recentemente aprovado no Congresso.

A medida provisória do plano Brasil Maior não previa originalmente o benefício ao setor. Mas recebeu uma emenda que incluiu as empresas aéreas na cobrança de 1% do faturamento para o INSS. Hoje, o recolhimento da cota previdenciária sobre a folha de pessoal chega a 2,25% do faturamento, segundo dados citados por Sanovicz. Por isso, é enorme o interesse em assegurar a aplicação da medida.

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