Etihad aumenta disputa de aéreas árabes no país

Valor Econômico

17/09/2012
CEO da Etihad, James Hogan diz que voo para o Brasil será rentável em três anos
Por Alberto Komatsu | De São Paulo

Fundada em 2003, com contribuição de duas aeronaves que eram operadas pela brasileira TAM Linhas Aéreas, a Etihad Airways vai se tornar, a partir de 1º de junho de 2013, a terceira companhia árabe a voar para o país, além de Emirates Airlines e Qatar Airways, aumentando a competição entre as empresas aéreas do Oriente Médio, as que crescem mais rapidamente no mundo, em busca de outros mercados emergentes.

A Etihad pretende estabelecer um elo para os brasileiros voarem para Índia e China a partir de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. Serão voos diários a partir do Aeroporto Internacional de Guarulhos. A empresa já emprega em torno de 50 brasileiros, entre eles 18 pilotos e 27 comissários. No total, são 9,8 mil funcionários.

“Nós temos conectividade com a Índia e com a China, então estamos criando uma ponte aérea entre Abu Dhabi e o Brasil para esses importantes mercados, além do Sudeste Asiático” afirmou ao Valor, o presidente-executivo (CEO) da Etihad Airways, o australiano James Hogan.

Segundo o executivo, negociações já estão em andamento para a Etihad aumentar sua conectividade na América do Sul. O objetivo é firmar acordos de compartilhamento de voos (do jargão em inglês “codeshare”). Atualmente, a Etihad desenvolve 38 acordos de “codeshare”, que permitem à companhia oferecer aos seus passageiros 323 destinos espalhados pelo mundo. A empresa não faz parte de nenhuma aliança global aérea.

A Etihad voa para 86 destinos, com frota de 67 aeronaves. Segundo Hogan, a companhia deverá encerrar 2012 com cerca de 70 aviões. A Etihad vai operar o voo diário no país com a aeronave A340-600, para 292 passageiros e três classes de assentos.

Em dezembro de 2011, a Etihad anunciou um pedido de US$ 2,8 bilhões à fabricante americana Boeing para a encomenda de dez modelos 787 Dreamliner e dois 777 versão cargueiro. Até 2020, a companhia árabe vai mais do que dobrar o tamanho da atual frota, para 156 aeronaves.

“Olhando para a América do Sul, estamos convencidos de que poderemos alcançar bons resultados, como a taxa média de ocupação dos aviões que precisamos para tornar nossa operação, no Brasil, rentável. Em três anos, isso deve acontecer”, diz Hogan, acrescentando que estima uma taxa média de ocupação no país de 78%, em linha com a sua atual média global.

A projeção de Hogan para a taxa de ocupação da rota brasileira está próxima da média mundial da aviação global, de 78,7% de janeiro a julho, segundo a Associação Internacional do Transporte Aéreo (da sigla em inglês Iata).

Neste ano, a Etihad deve faturar US$ 4,9 bilhões. Para 2013, Hogan projeta US$ 6,5 bilhões.

Em nove anos de atividade, a Etihad adquiriu participações em quatro companhias aéreas. Na Airberlin, a empresa árabe tem 29,12% do capital. Também conta com 40% das ações da Air Seychelles, companhia do arquipélago localizado no Oceano Índico.

A Etihad, controlada 100% pelo governo de Abu Dabi, tem, ainda, 2,9% do capital da irlandesa Aer Lingus. Também mantém 10% de participação na Virgin Austrália. Questionado se a Etihad tem interesse em participar de um processo de consolidação na América Latina, especialmente no Brasil, Hogan respondeu: “É muito prematuro. Temos de entrar no mercado primeiro, construir a marca. Os mercados onde já investimos são mercados maduros.”

Além da Etihad, a Qatar opera no país um voo diário entre São Paulo e Doha, capital do país árabe Catar. A Emirates opera voos diários para Dubai, um dos sete Emirados Árabes, a partir de São Paulo e do Rio de Janeiro.

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