Com oferta contida, demanda sobe 6,7%

Valor Econômico

26/09/2012
Por Alberto Komatsu | De São Paulo


TAM e Gol, as duas maiores empresas do setor, têm usado estratégia de reduzir oferta para
aumentar rentabilidad
e

A demanda por voos domésticos registrou crescimento de 6,72% em agosto, na comparação anual, resultado mais fraco para o período em cinco anos. A estratégia das duas maiores empresas aéreas brasileiras de conter a oferta para aumentar a rentabilidade fez a taxa combinada de expansão de demanda delas crescer menos do que a metade do setor, ou 3,13% – sendo 12,58% da TAM e uma queda de 6,32% da Gol.

“A gente vem mostrando, mês a mês, que a nossa estratégia está consistente. Estamos conseguindo aumentar a taxa de ocupação, sem abrir mão de ‘yield’ [tarifa]. Por consequência, o nosso ‘rask’ [receita unitária por assento] tem crescido 5% nos últimos meses”, diz o diretor financeiro e de relações com investidores da Gol, Edmar Lopes.

As empresas de médio porte (Avianca, Azul e Trip), que mantiveram planos de expansão de oferta, somaram aumento de demanda doméstica de 38,01%, em agosto, ante o mesmo mês de 2011. Os dados foram divulgados ontem pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). De janeiro a agosto, o fluxo de passageiros em voos domésticos acumula crescimento de 7,26%, ante igual período de 2011.

“A gente, de fato, está vivendo uma temporada diferente. A tendência tem sido de redução de capacidade. Estamos saindo de um patamar de crescimento de dois dígitos para de um dígito”, afirma Lopes, da Gol. Ele lembra que, nos últimos três anos, a demanda doméstica anual cresceu dois dígitos, mas a projeção mais otimista para 2012 indica expansão de 9%.

A oferta de assentos em voos nacionais teve aumento de 0,6%, em agosto, na comparação anual. Por meio de comunicado, a Anac destaca que essa taxa “interrompeu a série de crescimento superior a 10%, para o mês de agosto, apurada desde 2007.” TAM e Gol apresentam redução combinada de capacidade de 6,29%. Avianca, Azul e Trip (estas duas últimas em processo de fusão), tiveram alta combinada de 44,82% nesse indicador.

No acumulado de janeiro a agosto, a oferta doméstica de assentos acumula expansão de 6,51%, em relação ao mesmo período do ano passado. Com a estratégia de TAM e Gol de reduzir a oferta, a taxa média de ocupação dos aviões ficou em 72,83%, em agosto, um aumento de 4,18 pontos percentuais ante o mesmo mês de 2011. Também foi taxa mais alta para o mês de agosto na série histórica da Anac, iniciada em 2000.

Na TAM, a taxa média de ocupação dos aviões foi de 74,44%, um aumento de 10,17% pontos percentuais em relação a agosto de 2011. Na Gol, a taxa média de aproveitamento das aeronaves ficou em 72,29%, um crescimento de 2,68 pontos percentuais. A TAM permaneceu na liderança do mercado doméstico, com 40,55% de participação, aumento de 2,1 pontos percentuais ante agosto de 2011. A fatia da Gol foi de 34,14%, recuo de 4,75 pontos percentuais.

A Azul respondeu por 9,84% da demanda doméstica em agosto, um aumento de 0,72 ponto percentual. A participação da Avianca foi de 5,1%, crescimento de 1,54 ponto percentual. A fatia da Webjet, em processo de integração com a Gol, foi de 5%, recuo de 0,75 ponto percentual ante agosto de 2011. A Trip ficou com 4,69% da demanda, ou 1,26 ponto percentual a mais do que um ano antes.

A demanda por voos ao exterior, entre as companhias aéreas brasileiras, registrou recuo de 2,65% em agosto, ante igual mês do ano passado, o pior resultado para o periodo desde 2009. A oferta de assentos teve redução de 3,77%, com a taxa média de ocupação dos aviões de 79,03%, aumento de 0,91 ponto percentual. De janeiro a agosto, o fluxo de passageiros em voos internacionais está estável ante o mesmo período de 2011, com variação positiva de 0,18%. A capacidade dos aviões nessas rotas, porém, acumula redução de 2,05%.

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