Setor aéreo culpa governo por prejuízo

O Estado de S.Paulo
02 de outubro de 2012 | 3h 06

Alto custo do combustível e taxação sobre as empresas são apontados como causas das perdas
GENEBRA – O Estado de S.Paulo

O setor aéreo culpa o governo pelos prejuízos das empresas aéreas no Brasil e faz um alerta: diante do modelo de privatização adotado e de novas taxas planejadas, as perdas poderão ser ainda maiores. Ontem, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) deu um duro recado ao governo Dilma Rousseff, dizendo que está nas mãos das autoridades a gestão da crise.

Em reunião na semana passada com o setor, o governo se disse “preocupado” com os prejuízos do setor, evidenciando o temor de que a situação possa afetar preços de passagens e a saúde financeira das empresas.

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, chegou a afirmar que o prejuízo bilionário das companhias Gol e TAM no segundo trimestre deste ano – R$ 1,6 bilhão em perdas – deveria acender “luzes vermelhas” de alerta em todo o setor.

Para Tony Tyler, diretor-presidente (CEO) da Iata, uma solução passa por uma revisão da política para o setor. “O governo primeiro deveria mudar a política de combustível”, disse Tyler. “O combustível para jatos no Brasil é o mais caro da região. Essa redução ajudaria as empresas e estimularia a economia.”

Para o executivo, o governo precisa de uma “política transparente de preços” e de adotar regras para regular os “abusos” dos preços. “As concessões de combustível nos aeroportos precisam ser reguladas. A Anac permite hoje que essas empresas adotem suas próprias taxas.”

Mas os impostos sobre as empresas seriam outro problema. Segundo ele, custos no setor de controle aéreo no Brasil foram elevados e vão tirar das empresas US$ 220 milhões este ano. Para 2013, impostos de mais US$ 240 milhões vão recair sobre o setor. Segundo a Iata, alguns aeroportos brasileiros já têm com taxas superiores a aeroportos europeus e americanos.

O que preocupa a Iata é que a imposição de novos impostos poderia estar só no começo. Com a privatização dos aeroportos seguindo um modelo considerado equivocado pela entidade, o temor é de que o preço elevado pago por quem adquiriu os terminais seja traduzido nos próximos anos em maiores taxas para as empresas aéreas. “É bom que o governo esteja preocupado. Mas agora precisam dar o passo seguinte e fazer algo para garantir que os custos sejam administrados”, disse Tyler.

No mundo. Enquanto a situação no Brasil preocupa, a Iata aponta para uma elevação dos lucros para 2012, acima do que vinha prevendo. Para o ano, a redução de custos e consolidações permitirão que o setor no mundo tenha um ganho de US$ 4,1 bilhões, mais de US$ 1 bilhão acima do que havia sido previsto. O valor, porem, é metade dos lucros de 2011.Mas a esperança é de que, em 2013, os lucros voltem ao nível de US$ 7,5 bilhões.

No ano, a América Latina terá um lucro conjunto de US$ 400 milhões e a Iata não deixa de destacar os esforços das empresas brasileiras em reduzir custos.

Mas os grandes ganhadores serão os asiáticos, com lucros de US$ 2,3 bilhões. Mesmo com o freio na economia chinesa, a previsão é de que o mercado doméstico ainda tenha uma expansão de 10% no ano. Na América do Norte, diante de drásticos cortes das empresas americanas, os lucros ficarão em US$ 1,9 bilhão. Já na Europa, o setor estima um prejuízo de US$ 1,2 bilhão. / J.C.

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