Iata projeta aumento no lucro de companhias da AL

02/10/2012
Valor Economico

Por Luciana Marinelli e Sharon Chen*
De São Paulo e Cingapura
 

A América Latina e a América do Norte são as únicas regiões com expectativa de melhora na rentabilidade do setor aéreo este ano, na comparação com 2011, segundo relatório da Associação Internacional do Transporte Aéreo (da sigla em inglês Iata). A entidade projeta um lucro combinado de US$ 400 milhões para as companhias aéreas latino-americanas até dezembro – uma alta de cerca de 30% sobre os US$ 300 milhões obtidos no ano passado.

De acordo com o documento, a América Latina continua a apresentar uma expansão robusta do tráfego aéreo, refletindo a demanda gerada pelo fluxo de comércio na região e também pelo crescimento expressivo da economia de países como México e Chile.

Sobre o Brasil, a Iata comenta que a redução na oferta de voos e assentos têm limitado as perdas, ao equilibrar melhor oferta e demanda. As duas maiores empresas do país, TAM e Gol, vêm anunciando cortes em sua capacidade para reverter prejuízos, que no segundo trimestre somaram R$ 1,6 bilhão.

Globalmente, a Iata prevê um lucro combinado de US$ 4,1 bilhões para as companhias aéreas em 2012 – US$ 1,1 bilhão acima da projeção de junho. Para a entidade, as reduções na oferta de assentos e as fusões entre empresas ajudam a ampliar os ganhos, em meio aos altos preços dos combustíveis e à demanda fraca. Mesmo com a elevação das previsões, o lucro global ficará bem abaixo dos US$ 8,4 bilhões obtidos em 2011.

Na América do Norte, as aéreas terão lucro de US$ 1,9 bilhão, em comparação à previsão anterior de US$ 1,4 bilhão.

As estimativas mais otimistas são divulgadas depois de empresas aéreas da Ásia e dos Estados Unidos terem anunciado melhora nos números do trimestre encerrado em junho. A Singapore Airlines teve aumento no lucro líquido pela primeira vez em sete trimestres, enquanto os resultados das americanas Delta e US Airways superaram as previsões dos analistas.

A Europa vai contra a tendência, com projeção de prejuízo combinado de US$ 1,2 bilhão para as empresas do continente este ano, US$ 100 milhões a mais do que a previsão anterior.

“O setor se remodelou para lidar [com a situação], investindo em novas frotas, adotando processos mais eficientes, administrando com cuidado a capacidade [de voo] e se consolidando”, afirmou o executivo-chefe da Iata, Tony Tyler, em Cingapura. “Mas a lucratividade ainda se equilibra no fio da navalha, com margens de lucro que não cobrem o custo de capital.”

Os cortes na oferta ajudaram a elevar a tarifa por assento por quilômetro voado (“yield”), embora os orçamentos mais apertados das empresas tenham levado o tráfego de negócios a se tornar mais sensível a preços. Esse movimento resultou em “uma troca da cabine especial pela econômica”, afirmou o economista-chefe da Iata, Brian Pearce. O tráfego na classe especial caiu 0,5% em julho, enquanto na econômica aumentou 3%.

A associação prevê que o lucro combinado das empresas aéreas globais aumentará para US$ 7,5 bilhões em 2013. A demanda mundial por voos deve aumentar 5,3% este ano, acima da projeção anterior, de 4,8%. Mas para 2013, a previsão é de desaceleração no crescimento, para 4,5%. (*Bloomberg)

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