Empresas aéreas brasileiras voam pouco ao exterior e perdem espaço

O Estado de S.Paulo
20 de outubro de 2012 | 3h 03

Em 12 anos, avanço no mercado internacional foi de apenas 13,4%, enquanto no mercado interno a demanda mais que triplicou
GLAUBER GONÇALVES / RIO – O Estado de S.Paulo 

As empresas aéreas brasileiras patinaram no mercado internacional de passageiros nos últimos 12 anos. Entre agosto de 2000 e o mesmo mês deste ano, a demanda capturada pelas companhias nacionais nesse segmento avançou apenas 13,4%, mostram dados do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea).

O fraco desempenho contrasta com os números registrados no mercado doméstico, em que a demanda mais do que triplicou no mesmo período, puxada pela ascensão de 40 milhões de pessoas para a classe C somente entre 2005 e 2012.

Para especialistas, o tímido desempenho das empresas brasileiras mostra que elas têm perdido espaço para as estrangeiras, especialmente depois da queda da Varig, que até 2006 tinha grande presença no segmento internacional. Com menor escala e custos mais elevados do que os de seus pares no exterior, acabam tendo dificuldade para concorrer de igual para igual.

Em 2000, as empresas brasileiras respondiam por 46% do tráfego internacional, enquanto as estrangeiras detinham 54%. Em 2010, só para a Europa, por exemplo, as estrangeiras tinham uma fatia de 76,8%.

“O ambiente internacional é muito competitivo em termos de tarifas e economicidade. Empresas com maior escala, mais frequências e destinos conseguem ter otimização de rede que dificilmente as entrantes (empresas que estreiam no serviço) atingem”, diz o professor Marco Aurélio Cabral, da Universidade Federal Fluminense.

Ofertas. A agressividade das companhias aéreas internacionais no Brasil é visível pelas ofertas que têm despejado no mercado. Esta semana, a companhia americana Delta Airlines vendia passagens do Rio de Janeiro para Paris, passando por Nova York, por menos de R$ 1.300, ida e volta. A europeia Condor oferecia bilhetes para voos diretos com destino a Frankfurt e à capital francesa por valores similares.

A Gol avalia que a pequena expansão vista no mercado internacional nos últimos anos é resultado de uma sucessão de crises financeiras que afetaram negativamente o desempenho do setor. Mas, apesar de reconhecer que a concorrência com as estrangeiras vem crescendo especialmente no corredor Brasil-EUA, a empresa começa a direcionar suas atenções para esse nicho.

Após anos concentrando suas operações na América do Sul e no Caribe, em fevereiro deste ano a empresa pediu autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para voar para Miami, nos Estados Unidos. Cautelosa, a Gol ofereceu os voos inicialmente apenas para os clientes de seu programa de fidelidade, o Smiles. Mas, agora, pretende lançar voos regulares via Santo Domingo, na República Dominicana. A ideia da empresa é vender bilhetes também no mercado local apenas para o último trecho do voo.

A reticência das empresas brasileiras em entrar mais amplamente na disputa pelo mercado internacional de longo curso tem um motivo. Por envolver viagens de longa distâncias, os riscos de perdas são maiores. “Um avião que decola vazio de São Paulo para Londres vai perder durante doze horas. Numa ponte aérea, perde-se por 30 minutos”, diz o consultor Nelson Riet.

Procurada, a TAM não quis se pronunciar sobre a fraca participação das companhias brasileiras na disputa pelo mercado aéreo internacional.

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