No mercado doméstico, novos cortes na oferta

Valor Econômico
Segunda-feira, 29 de outubro de 2012 De São Paulo

Ao mesmo tempo em que vai aumentar a oferta de voos ao exterior, principalmente para os Estados Unidos, a Gol planeja, em 2013, reduzir a oferta no mercado doméstico, apurou o Valor . Com isso, a companhia daria continuidade ao processo, iniciado neste ano, de cortar em 10% a quantidade de frequências e de encolher até 4,5% a capacidade de assentos por quilômetro.

Segundo fontes que acompanham a readequação do seu tamanho, a Gol ainda não definiu o tamanho do corte para 2013. A ideia é deixar de operar destinos não rentáveis e eliminar mais frequências, que também não dão lucro. A empresa pretende desativar os aviões mais antigos da frota: os modelos 737-300, da Webjet , sem reposição.

Perguntado pelo Valor , o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, disse: “Nós já fizemos nossa redução de oferta de 10% e estamos avaliando as projeções de demanda com o objetivo de verificar a necessidade de fazermos futuras reduções”.

A TAM , que vai reduzir a oferta de assentos em até 2% neste ano, já divulgou que esse processo terá continuidade em 2013, com uma redução de 7%. Juntas, TAM e Gol divulgaram prejuízo de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre deste ano. As aéreas de médio porte, Avianca , Azul e Trip, estas duas últimas em processo de fusão, estão no sentido contrário, promovendo aumento de frota, ano que vem. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) comprovam que ainda há excesso de oferta de assentos nos voos domésticos. Em agosto, foram 10 bilhões de assentos por quilômetro voado, o maior patamar para o mês desde 2000.

Sobre as falhas recentes no sistema de check-in da Gol, Kakinoff informou que deveu-se a um problema de conexão da rede de dados. Na segunda-feira passada mais de 40% dos voos mostravam atrasos superiores a 30 minutos. Os atrasos da Gol foram registrados exatamente uma semana depois de a TAM também ter mostrado taxas superiores a 40% de voos atrasados, por causa de problema no sistema de check-in da Amadeus.

“No nosso caso, foi um link específico em um fornecedor (de serviço de tecnologia da informação) que oscilou na segunda-feira passada. Foi uma sucessão de fatores que dificilmente se repete. É o fornecedor que faz a ligação de toda a nossa malha de dados entre aos aeroportos e a companhia aérea. É por onde o fluxo de dados passa, desde o e-mail até a nossa comunicação com o centro de operação e os aeroportos”, explicou Kakinoff.

De acordo com ele, os investimentos em sistemas de tecnologia da Gol, em torno de 20 ao todo, respondem por entre 2% e 3% dos gastos totais da companhia.

“Não haverá mudança nessa política por conta do episódio que aconteceu. O sistema já é robusto, mas os sistemas não são infalíveis”, responde Kakinoff, ao ser questionado se a Gol pretendia aumentar os investimentos em tecnologia após os atrasos registrados na segunda- feira.

Com essas duas ocorrências, a Anac vai fazer uma auditoria nos sistemas de TAM e Gol. O órgão estuda aumentar em mil vezes, para até R$ 20 milhões, o escopo da multa por transtornos públicos causados por execução de serviços aéreos. A decisão da Anac deve ser anunciada amanhã. (AK e CM)

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