Jatinhos decolam sem saber onde vão pousar

O Estado de S.Paulo


12 de novembro de 2012 | 2h 06
O Estado de S.Paulo

Os problemas nos aeroportos brasileiros não afetam apenas a aviação comercial. Os detentores de jatos executivos e usuários de táxi aéreo também reclamam da falta de estrutura e alertam que, em pouco tempo, o mercado de aeronaves poderá parar de crescer. O principal motivo são as restrições à chamada aviação geral. Hoje, mesmo os proprietários de um jato – cujo preço varia entre R$ 8 milhões a R$ 50 milhões – podem ter de esperar até duas horas para sair de São Paulo, voar para o Rio sem a certeza sobre em qual terminal a aeronave acabará pousando ou simplesmente proibido de parar em determinados horários em Brasília.

O terceiro maior mercado de jatos executivos do planeta, com cerca de 1.650 aeronaves, pode demorar para superar os 1.800 jatos do México (os Estados Unidos são líderes isolados), fazendo com que uma importante geração de divisas não cresça no Brasil. O acréscimo de 65 novos jatos neste ano pode frear ou até estagnar. No total, a aviação geral já soma mais de 13 mil aeronaves no País. “Converso sempre com as pessoas no setor e vemos que começa a surgir um sentimento de que talvez não valha a pena investir tanto em um avião. As restrições dificultam cada vez mais o mercado, que gera muitos negócios e empregos”, afirma Ricardo Nogueira, diretor-geral da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag).

Ele explica que os problemas para o setor, antes mais restritos a Congonhas, começam a se espalhar por outros terminais. Se não for marcado com antecedência, o voo de um jato pode ter de esperar até duas horas para sair do terminal mais central da capital paulista. No Rio, conta ele, muitas vezes quando já está em voo, os jatinhos são redirecionados do Santos Dumont para o Galeão ou para Jacarepaguá. E, explica Nogueira, mesmo o privatizado aeroporto de Brasília enfrenta grandes dificuldades no período da manhã, praticamente restrito à aviação comercial.

Nogueira explica que a tendência do governo é tentar levar a aviação geral cada vez para mais longe dos grandes centros, o que na prática inviabiliza o setor, pois quem tem urgência de alugar um táxi aéreo ou dispõe de recursos para comprar uma aeronave precisa se deslocar rapidamente, passando longe dos transtornos da aviação comercial. Uma alternativa seriam investimentos privados nesse segmento. “Sabemos que há propostas de terminais próprios na Grande São Paulo que poderiam se viabilizar apenas com investimentos privados. Sabemos de projetos de até R$ 500 milhões, mas que dependem de uma série de autorizações governamentais para sair do papel”, diz ele, se referindo a projetos em Sorocaba e perto do Rodoanel. / H.G.B.

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