Proposta das companhias não altera salário dos pilotos

Valor Econômico
Segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Setor aéreo negocia reajustes salariais
Alberto Komatsu
De São Paulo

JUCA VARELLA/FOLHAPRESS

Sindicatos dos aeronautas e dos aeroviários não receberam muito bem o plano apresentado na semana passada
— a segunda rodada ocorre na quinta-feira desta semana

Os pilotos da aviação comercial brasileira correm o risco de ficar sem reajuste salarial na campanha de 2012, após terem recebido 0,3% de aumento real no ano passado. Isso é o que indica a proposta apresentada, no dia 7 de novembro, pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea).

O Sindicato Nacional dos Aeronautas considera a oferta “indecorosa” e não descarta greve nas vésperas das festas de fim de ano. A segunda rodada de negociação acontece quinta-feira.

Numa estratégia que não era usada pelo Snea há pelo menos 10 anos, segundo sindicalistas, as empresas aéreas oferecem índices maiores de reajuste para os salários mais baixos e correções menores para rendimentos mais altos. Para a Federação Nacional dos Trabalhadores na Aviação Civil (Fentac), a estratégia patronal é “dividir aeronautas e aeroviários”.

A proposta do SNEA é a seguinte: para salários até R$ 852,31 (recebido por um aeroviário que trabalha em terra, por exemplo) a correção seria feita pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC ), cuja variação em 12 meses até outubro está acumulada em 5,99%; para salários entre R$ 853,32 e R$ 2.999,99 o aumento equivaleria à metade do INPC; entre R$ 3.000,00 e R$ 4.999,99 o reajuste equivaleria a 25% do INPC. Acima dessa faixa não haveria reajuste, o que envolveria pilotos (copilotos e comandantes).

Em média, um copiloto de voos domésticos ganha até R$ 7 mil, por mês. O comandante recebe até R$ 10 mil. Nos voos internacionais, o salário do copiloto alcança R$ 8 mil. O rendimento do comandante chega a R$ 15 mil.

“Essa proposta é indecorosa, in-decente. As empresas aéreas sempre alegam prejuízos. Em 2013, elas serão incluídas na desoneração da folha de pagamento”, disse a diretora do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio.

Os aeronautas pedem 11,4% de aumento. Esse percentual considera o a variação do INPC, mais 5,10%. Os tripulantes realizam assembleia na quarta-feira para avaliar a proposta do Snea, mas a tendência é a de rejeitá-la, diz Graziella.

O presidente da Fentac, Celso Klafke, disse que os aeroviários pedem 10% de aumento salarial. O pedido inclui 3,78% de ganho real, mais o INPC. “A proposta [do Snea] é ruim, mas não é um a b s u r d o”, afirmou Klafke. Os aeroviários realizam assembleias em dias diferentes, até o dia 21. Em Porto Alegre, a categoria negou a proposta do Snea, que informa que está “aguardando a reunião do dia 22 e apresentação de novas propostas”.

Segundo o assessor econômico do sindicato dos aeronautas, Cláudio Toledo, nos últimos três anos, os trabalhadores do setor aéreo acumulam ganho real de salários de 4,64%. Em 2009, o percentual ficou em 1,76%. No ano seguinte, foi de 2,52%. Ano passado, o ganho real se situou em 0,3%. “Houve demissões, o que significa que há menos gente produzindo mais. A demanda desacelerou, mas o setor continua crescendo”, disse. Toledo.

Neste ano, TAM e Gol, estão reduzindo oferta no mercado doméstico para aumentar a rentabilidade. Na TAM, a capacidade será diminuída até 2%. Na Gol, o índice chegará a 4,5%. Para 2013, a TAM vai intensificar essa estratégia, com até 7% de redução de oferta. A Gol sinalizou que deve prosseguir com essa medida, mas ainda não definiu o tamanho do corte.

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