Indústria da aviação tem custo alto e é pouco rentável

O Globo
Sábado 24.11.2012


Com menos oferta e mais concentração, preço de passagens deve subir
LUCIANNE CARNEIRO
lucianne.carneiro@oglobo.com.br

Aumento do preço do petróleo, alta do dólar e elevadas taxas aeroportuárias são algumas das razões que comprometem o ganho das empresas aéreas em todo o mundo. No Brasil, as dificuldades ainda incluem uma infraestrutura precária, apontam especialistas. Para enfrentar este cenário, o “cado brasileiro vive um período de concentração de “cado, com a união de Trip e Azul e agora o fim da Webjet, que vai reduzir a oferta de voos e deve levar a aumento no preço das passagens aéreas para os consumidores.

— É uma atividade extremamente difícil no mundo e muito mais no Brasil. Não tem uma empresa aérea no Brasil que não fechou suas portas e vai continuar acontecendo assim — afirma a gerente de análise da Lopes Filho & Associados, Leila Almeida.

O professor da Fundação Dom Cabral Paulo Vicente Alves lembra que a indústria de aviação é uma das menos rentáveis entre os diferentes setores. Sem possibilidade de inovação, as empresas competem entre si por horários e preços, o que compromete suas margens de lucro.

— A longo prazo, a cada pancada de preço de petróleo algumas empresas vão à falência — diz Alves.

COMBUSTÍVEL SUBIU 16% NO ANO

Diferentemente da gasolina e do diesel, cujos preços são controlados no Brasil, o querosene de aviação (QAV) acompanha a variação do preço do petróleo no “cado externo, com reajustes mensais. A alta acumulada do QAV este ano é de 16%. Ano passado, já tinha subido 33%.

Os reajustes das tarifas aeroportuárias também vêm impactando o resultado das companhias. No caso da Gol, as despesas com esse item subiram 50%, para R$ 426 milhões nos nove meses encerrados em setembro.

Na opinião da professora de Engenharia de Produção da COPPE/UFRJ Heloisa Pires, o excesso de promoções e a tentativa de encher os voos a qualquer preço acabou comprometendo a rentabilidade das empresas:

— O negócio de aviação civil é caro. Às vezes as empresas vendem passagens a preços atraentes, o que é ótimo a curto prazo, mas não é sustentável. É inviável ser barato viajar de avião. Alguém tem que pagar a conta — diz Heloisa, lembrando o dilema das companhias de acharem o preço ideal para atrair passageiros, mas capaz de manter as empresas financeiramente bem.

Apesar do custo, o consultor José Wilson Massa avalia que o setor aéreo vive paradoxo, já que o nú”o de passageiros cresce a ritmo anual superior a 10% nos últimos dez anos:

— De um lado, vemos mais passageiros e, do outro, os balanços negativos das empresas. O preço do querosene subiu, mas seria mais compreensível um resultado ruim se não houvesse mais passageiros.

Diante da concentração de “cado e da menor oferta de voos, a tendência é que os preços das passagens subam, apontam os especialistas. l
— O “cado possível para mim é a aviação executiva, que de fato está crescendo. Mas nesse “cado, você não tem vida. Acho que vou deixar a aviação e buscar emprego em outro ramo — disse ele, casado e pai de dois filhos.

Amorim é um dos órfãos da Varig. Segundo ele, deveria estar recebendo do Aerus R$ 6.500 por mês, mas problemas na administração do fundo fizeram com que sua aposentadoria fosse reduzida a menos de um décimo do valor devido (Danielle Nogueira).

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