Voo barato já é raro neste final de ano

Folha de São Paulo
SEXTA-FEIRA, 7 DE DEZEMBRO DE 2012 

Empresas segmentaram passagens dando descontos pela antecedência na compra; voo para Salvador vai a R$ 3.000
Em outubro, 47% das passagens da TAM ficaram abaixo de R$ 200, fatia bem maior que os 32% de 2011


DE SÃO PAULO

Quem não se programou para viajar neste verão vai se deparar com preços altos para passagens entre dezembro e janeiro. Um voo para Salvador, por exemplo, pode sair por mais de R$ 3.000.

“As passagens estão mais caras agora porque as mais baratas acabaram mais cedo neste ano”, diz Cláudia Sender, vice-presidente comercial e de marketing da TAM.

Em outubro, 47% das passagens vendidas pela TAM ficaram abaixo de R$ 200, fatia bem maior que no mesmo mês do ano anterior (32%).

“O brasileiro aprendeu que comprando antes é possível voar por menos”, diz Sender.

A antecipação da compra permite às companhias segmentar os preços de acordo com o perfil de passageiro.

As companhias aumentam o valor das passagens no segmento corporativo, menos sensível a preço, e em voos de maior demanda. E oferecem mais assentos por menos em horários de menor demanda.

ROBIN HOOD

“É a política de Robin Hood. Você cobra mais de quem pode pagar mais e estimula a demanda com tarifas mais baratas para quem se programar com antecedência”, diz o presidente da Gol, Paulo Sérgio Kakinoff.

Nos últimos anos, as empresas passaram a estimular essa antecipação de compra. As passagens começam a ser vendidas com 330 dias de antecedência.

Cerca de 90 dias antes da partida, os voos da Gol já estão com 10% dos assentos vendidos, em média. Faltando uma semana para o voo, a ocupação passa de 60%.

Os preços variam conforme a data da compra e também a velocidade de ocupação dos aviões. Se um voo enche mais rapidamente, as passagens acompanham.

A política de segmentação de tarifas, que só foi possível com a adoção da política de liberdade tarifária a partir de 2001, ajudou a estimular a demanda do setor. De lá para cá, cresceu a uma taxa anual média de 13%.

Este será o primeiro ano em que o crescimento deve ficar abaixo de dois dígitos. A estimativa é de uma alta de 8%.

Outro fator que ajudou a fazer as passagens mais em conta acabarem mais cedo neste ano é que o dólar acima de R$ 2,00 desestimula os voos internacionais.

“Muita gente que em 2011 foi para o exterior neste ano resolveu voar no Brasil devido ao câmbio”, diz Kakinoff.

Apesar da percepção de que os preços das passagens estão subindo, a tarifa média em 2011 foi 43% menor do que em 2002.

O setor saiu de um patamar médio de tarifa de R$ 486,75, em 2002, para R$ 276,25, no ano passado. E 65% das passagens vendidas em 2011 foram inferiores a R$ 300.

Com tarifas menores, o volume de passageiros no mercado doméstico passou de 30,6 milhões (2003) para 87,6 milhões (previsão 2012).

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