Aéreas propõem reajuste salarial abaixo da inflação

O Estado de S.Paulo


Sindicato que representa pilotos e comissários aprovou greve nacional de sete horas amanhã se proposta não mudar
12 de dezembro de 2012 | 2h 07
MARINA GAZZONI – O Estado de S.Paulo

A proposta de reajuste salarial das companhias aéreas não repõe a inflação para boa parte dos trabalhadores. A tabela oferecida pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) prevê uma correção entre 1,5% e 6%, de acordo com a faixa salarial. Pela proposta das empresas, apenas funcionários com ganhos inferiores a R$ 852 terão aumento real. O sindicato reagiu com ameaça de greve.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac/CUT), que representa aeronautas (pilotos e comissários) e aeroviários (equipe de solo) nas negociações com as empresas, pediu 11,4% de aumento. “Estamos dispostos a negociar o valor do aumento real, mas não vamos aceitar uma proposta que não contemple a inflação”, disse o presidente da Fentac, Celso Klafke.

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) já aprovou em assembleia na segunda-feira uma greve de pilotos e comissários para amanhã. A paralisação das atividades será entre 16h e 23h. “É uma greve de advertência”, disse o secretário-geral do SNA, Sergio Dias.

Segundo Dias, a greve só não ocorrerá se as empresas apresentaram uma proposta melhor em reunião hoje à tarde. As companhias, no entanto, tratam a proposta como final e já aplicaram esta correção nos pagamentos de dezembro e do 13º salário. As empresas têm dito aos representantes dos trabalhadores que o atual cenário adverso para a aviação não permite reajustes mais expressivos.

O Snea entregou uma tabela aos sindicatos mostrando que o setor sofreu com um choque de custos neste ano. Só o aumento das tarifas aeroportuárias trouxe um gasto extra de R$ 553 milhões às empresas em 2012, segundo o Snea. E os aumentos previstos em 2013 custarão mais R$ 255 milhões ao setor.

Os sindicatos dizem que estão cientes do aumento dos custos do setor aéreo, mas que há espaço para reajustes salariais. “As empresas já demitiram e aumentaram a produtividade dos trabalhadores”, disse Klafke. “A folha de pagamento pesa pouco nos custos do setor. Não é no salário que eles têm de economizar.”

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