Com alta de combustível, 2012 foi difícil para a aviação civil, diz Abear

G1
Atualizado em 17/12/2012 13h53

Demanda de passageiros e oferta de assentos recuaram em novembro.
Presidente da entidade diz que empresas estão revendo estratégias.

Fabíola Glenia
Do G1, em São Paulo
 

A oferta de assentos das empresas aéreas associadas da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) recuou 5,62% em novembro, na comparação com outubro, e a demanda de passageiros teve queda de 2,55% na mesma base de comparação, de acordo com dados divulgados pela entidade nesta segunda-feira (17).

De acordo com a entidade, 2012 pode ser considerado um ano difícil para o setor de aviação civil, em que a rentabilidade das empresas ficou comprometida devido a entraves, como o aumento do preço do combustível, alta do dólar, taxas e tarifas de navegação aérea, infraestrutura e, ainda, o ritmo desacelerado da economia global.

A pesquisa de novembro indica que as companhias aéreas transportaram 6,36 milhões de passageiros e registraram ocupação média de 76,28% em novembro, contra 73,73% em outubro.

“Esses números já refletem o momento em que o setor aéreo vive atualmente. As empresas estão revendo suas estratégias para melhorar a taxa de ocupação de seus voos e, com isso, aumentar sua rentabilidade e tentar manter os preços das passagens, sem repassar para os consumidores as dificuldades enfrentadas pelas empresas durante este ano”, disse Eduardo Sanovicz, presidente da Abear.

Oferta de assentos recuou
Segundo a pesquisa, houve contração de 3,14% na oferta de assentos da TAM e de 6% na da Trip. Azul manteve-se estável e Avianca continuou no processo de expansão, com oferta de 4,29% mais assentos-quilômetros em novembro, comprado a outubro.

Em termos de participação de mercado, a TAM liderou o ranking em novembro, com participação de 43,36%. Gol teve participação de 35,63%, seguida da Azul, com 9,97%.

Expectativa para 2013
Para Sanovicz, se o setor conseguir superar os grandes entraves ligados a custos e infraestrutura – temas que estão sendo debatidos com o governo – é possível “olhar para o próximo ano com um leve otimismo”. Ele fez questão de dizer que gostaria de “frisar” o termo “leve”.

O executivo destacou que, tradicionalmente, primeiro semestre é mais fraco para o setor de aviação civil, sendo que o segundo trimestre costuma ser o mais fraco do ano.

O presidente da Abear disse que “a mãe de todas as batalhas” diz respeito ao custo do combustível de aviação. Nossa demanda é pela revisão da fórmula de precificação do combustível de aviação no Brasil. Continuamos querendo debater o que, na nossa opinião, deixou de fazer sentido, que é a precificação do QAV (querosene de aviação) como se ele ainda fosse majoritariamente produzido no exterior – colocado em navios, transportado para cá, etc. A nosso ver, a medida em que isso não ocorre, a fórmula não se justifica, por isso pedimos a revisão”, disse.

De acordo com a Abear, o combustível de aviação, que historicamente girava em torno de 28% do custo das empresas, atingiu o patamar de 42% no último mês.

Alta temporada
Eduardo Sanovicz aproveitou o evento para lembrar que há algumas atitudes, de fácil implementação, que podem facilitar a vida do passageiro neste período de fim de ano.

O primeiro seria a possibilidade de a pessoa fazer o check-in em casa ou no escritório, e também nos totens de autoatendimento. Segundo ele, quando o passageiro já chega ao aeroporto com o check-in feito, isso acelera a tramitação de pessoas e um ganho de dois minutos em cada passageiro pode representar uma grande melhoria.

Também é importante lembrar de levar os documentos de identificação quando a pessoa for viajar acompanhada por menores de idade. “Vocês ficariam impressionados com o número de passageiros que vão viajar com crianças e esquecem o documento delas. A lei não permite que nós embarquemos um menor sem documentos, somos responsabilizados civil e criminalmente”, falou Sanovicz.

A última recomendação é atentar aos limites de peso permitidos e tomar cuidado para não viajar com malas sem identificação. “São problemas que têm solução simples e fácil”, destacou.

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